#3 Do zero ao domínio de um idioma (nível C2) (2)

Neste episódio o Gabriel entrevista a professora de alemão Lud Fonseca sobre como ir do zero para chegar ao nível C2 em um idioma (domínio pleno de um idioma).

Eu falo, “Bom, se você já vem estudando há um mês e já vem entendendo o filme,

então é ele que tá errado.” [risos]

Não dá para você estudar alemão por um mês e entender um conteúdo feito para nativos.

Então, você tem que focar no caminho, você não pode focar no resultado.

O filme não pode ser seu resultado, você deve focar no caminho,

porque você está aprendendo hoje.

Então, são pequenas dicas que parecem um balde de água fria na cabeça daquele aluno,

mas que na verdade, é uma organização das suas expectativas.

Porque na hora em que suas expectativas não são frustradas,

você tem mais chance de permanecer.

A frustração é o que faz com que você saia fora.

E essa frustração vem do quê?

De uma expectativa em que você não faz a menor ideia.

Muitas pessoas começam a estudar a língua sem a menor ideia da dedicação necessária.

Acham que em um mês, dois meses, vão estar com um resultado impossível.

Mesmo para pessoas experientes,

mesmo para você e para mim, que somos pessoas experientes em aprender línguas,

você já sabe: Se eu quero ter resultados com um mês de estudo,

eu tenho que estudar muitas horas por dia.

Com uma hora por dia, não dá para ter o resultado que eu estou esperando.

Dá para avançar.

Outra coisa que eu sempre falo também é o seguinte:

“Uns dois anos da sua vida ou um ano da sua vida,

eles vão passar com você estudando língua ou não.”

Porque às vezes, a pessoa fala assim,

“Nossa! Mas eu vou demorar um ano para chegar nesse nível do alemão?!”

Aí, eu faço o cálculo. “Olha, você vai estudar meia-hora por dia.”

“Então, vai ser mais ou menos um ano para você chegar no nível tal se estudar assim.”

Okay e a pessoa fala, “Mas eu vou precisar de um ano?!”

Eu falo, “Sim! Se você ficar enrolando enquanto isso, porque é um ano todo,

você vai precisar de dois, porque você não falar muito bem, né?”

[risos] Sim.

Então, eu acho que a questão mais central é realmente entender o processo

para você poder entrar com consciência ou nem entrar.

Porque às vezes, quando você entra sem essa consciência,

daqui a duas semanas, você vai simplesmente parar de estudar.

Quando você está correndo uma maratona, você tem técnica para correr essa maratona.

Você não vai dar toda a sua energia nos primeiros 10 metros, 100 metros, 1km.

E depois, você não vai conseguir chegar no final,

são muitos quilômetros para você chegar no final.

Então, você não vai queimar toda a sua energia no início.

E é o que os alunos fazem. Os alunos falam assim comigo,

“Nossa, Lud, eu vou estudar 7 horas por dia!”

Eu falo, “Isso faz sentido durante 6 meses?”

“Não, lógico que não. Então, não adianta você fazer isso.”

“Vai ficar muito melhor se você criar uma rotina de estudos real

que você consegue fazer por um ano, você vai ter muito mais resultado

do que inventar que você vai estudar 7 horas por dia todo dia durante um mês,

porque aquilo não vai trazer o mesmo resultado.”

A constância traz muito mais resultado que 10 horas por dia nos primeiros 10 dias.

Isso não vai trazer o mesmo resultado que o mesmo tanto de horas

dividido uma hora por dia.

Então, são conhecimentos mesmo que levam- Não é que você fica mais motivado.

É que você fica menos desmotivado, que é o grande lance.

Às vezes, as pessoas perguntam, “Como eu motivo o meu aluno?”

Eu falo, “Não tenta motivar ele-

Quero dizer, pode motivar um pouco, claro. Mas o mais importante é:

Tenta não deixar ele desmotivado, explica para ele o caminho.

Explica para ele qual vai ser o processo.”

Porque quando você entra sabendo do processo, você entra sabendo do tempo,

é muito mais fácil você já entrar preparado mentalmente para o que vem lá na frente.

Sim, espetacular.

Olha, aplausos por essa resposta.

E logicamente, tem muita gente que me pergunta também,

“Ah Gabriel, quanto tempo vou levar para chegar à fluência no inglês?” Por exemplo.

E logicamente que devido também a um marketing bizarro e agressivo demais,

especialmente no Brasil, mas isso também tem por todas as partes,

a gente acaba se deparando com promessas absolutamente esdrúxulas e ridículas sobre

“Aprenda inglês em sete dias, chegue à fluência em um mês!”

Coisas que são completamente impossíveis de serem feitas.

Quero dizer, é impossível chegar à fluência num idioma em um mês.

E eu sempre falo exatamente também, ofereço uma estimativa de horas de estudo.

Por exemplo, existe uma estimativa para chegar do zero ao B2,

que seria o primeiro nível de fluência, sendo o intermediário alto no idioma.

Dizem que para alguém chegar do zero ao B2 no inglês,

essa pessoa precisa geralmente de 720 horas de estudo.

– Isso. – Quero dizer, então é um número-

E como você falou também, não são quaisquer horas de estudo,

são boas horas de estudo, com um bom método e com grande dedicação.

Exatamente, não é qualquer hora vendo Friends ali sentado na cadeira,

tomando uma cerveja que vai te fazer falar alemão ou inglês.

Exatamente.

Então, eu geralmente falo- Quero dizer…

E se você colocar isso em perspectiva, são basicamente duas horas por dia

em média todos os dias por um ano.

Então, se a pessoa quiser chegar do zero ao B2 no inglês dentro de um ano,

ela vai ter que se dedicar em média duas horas por dia.

E logicamente, pode ser que, se a pessoa não tiver uma constância,

também não vai ser legal, por exemplo, se dedicar um dia-

Quero dizer, em uma semana, 14 horas em apenas um dia e zero horas nos outros dias.

– Não faz, não tem o mesmo efeito. – Não faz o mesmo efeito.

E como você falou também, eu acho que-

Algo que eu achei muito interessante e muito verdadeiro também é assim,

quando uma pessoa está super empolgada e tem tempo,

“Ah, então eu tenho seis horas por dia para dedicar ao inglês ou ao alemão…”

Ao francês, ao mandarim, seja o que for…

Qual vai ser a qualidade da terceira hora de estudo?

E depois, da quarta?

E da quinta? E da sexta hora de estudo?

Em que você está com o cérebro todo frito depois de tantas horas de estudo?

Então, a gente tem que realmente respeitar o nosso próprio cérebro,

a nossa própria mente, o processo de aprendizado.

É algo que leva tempo, consome nossa energia física e cerebral.

Quero dizer, se nós estivermos nos dedicando muito ao aprendizado de idiomas,

a gente vai cansar também.

A gente vai ter que se respeitar, ter um pequeno break,

ter uma pequena pausa para depois voltar.

Então, eu acho que isso é uma coisa muito importante.

Eu só vou interromper agora, porque senão, vai ficar muito longo o nosso episódio.

Mas com certeza, faremos mais no futuro, porque sua sabedoria é muito rica.

Especialmente para quem está aprendendo outros idiomas.

Então, é espetacular.

E logicamente, para qualquer idioma-

E sendo que o alemão é um idioma relativamente difícil,

é até mais impressionante.

Então, é uma gramática complexa que o alemão tem.

Um vocabulário extremamente rico.

Então, é isso aí. Muito obrigado, Lud.

Muito obrigada você e…

Fico muito feliz de ter podido falar aqui um pouquinho sobre a minha experiência,

dividir a minha experiência, para mim é sempre um prazer.

E realmente, é isso o que eu estava falando aí.

Às vezes, quando você aprende a estudar línguas,

independente da gramática ou das características específicas de cada língua,

fica muito mais fácil, porque você sempre entende

o que você precisa fazer no início do caminho, no meio do caminho.

Como eu falei, o início do caminho é entender que caminho é esse,

quantas horas você vai precisar estudar, como você vai fazer…

Então, fica a dica: Nunca entre para estudar uma língua com fogo de palha.

Sempre entre já fazendo um plano de estudos

e sabendo quantas horas você vai estudar por dia e que horário.

Não é que vai dar certo de primeira, mas se você já tiver isso em mente,

se você já entender onde você está enfiando a cabeça, o que você está fazendo,

vai ficar muito mais fácil você manter a motivação lá em cima.

Gabe, era só o que queria dizer, obrigada.

Muito obrigado pelas suas conclusões finais.

E sempre, como falei, é um grande prazer.

– Então, muito obrigado, pessoal. Tchau! – Tchau tchau, até a próxima!

Obrigado, Lud.

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