#4 A importância do bom humor no aprendizado (2)

Neste episódio o Gabriel entrevista o humorista (e ótimo aluno/professor de idiomas) Rogério Leandro sobre a importância do humor e o impacto do mesmo no aprendizado de idiomas.

Haviam muitas perguntas que eu não sabia responder, como por exemplo-

Porque eu ainda tinha dificuldades para entender determinados filmes sem legendas.

Eu conseguia entender meus professores, conseguia me comunicar,

mas tinha dificuldades ali.

E eu já estava tentando melhorar sozinho, mas eu estava meio perdido, não sabia como.

Eu só estava consumindo muitos livros, mas eu estava meio perdido.

E daí, eu encontrei o seu vídeo falando em 25 idiomas ali.

E daí, você falou na hora: “Você faz isso e isso que você consegue.”

E de primeira, eu não acreditei.

“Não, esse cara só quer vender o curso de inglês, mas o entretenimento vale.”

E aí, eu fui assistir a outro vídeo e a outro vídeo, daí…

O seguinte vídeo foi você conversando com o Steve Kaufmann,

numa entrevista em 25 idiomas também, maravilhosa.

E aí, eu comecei a assistir ao Steve, à Lina e ao Luca…

E todos vocês falavam a mesma coisa, basicamente.

Sobre “Comprehensible Input,” a consistência de aprender todos os dias.

E eu comecei a consumir diretamente de artigos do professor Stephen Krashen.

E daí, realmente, entendi os princípios do autoaprendizado e comecei a aplicar.

Meu inglês foi para um nível muito alto.

Graças a Deus, tive o que eu sempre quis.

E daí, por que não o alemão?

Eu já era também apaixonado pelo alemão, por como soava a língua alemã.

E daí, já fui para o alemão direto também.

E eu tinha um set, na verdade, de piadas sobre o inglês e sobre o espanhol

e queria envolver outros idiomas também como o alemão, por exemplo.

Mas daí, já esqueci a piada, já fui direto estudar a língua

e fiz amigos no Berlim também através de apps e está sendo muito legal.

Ah, que bacana.

E agora, uma pergunta que vai unir os dois temas, basicamente,

a comédia e o aprendizado de idiomas.

Porque na minha opinião,

na minha humilde opinião-

E também faz parte, na verdade, da teoria do Steven Krashen.

Basicamente, existe o filtro afetivo na teoria dele.

E uma das coisas que aumenta o filtro afetivo, por exemplo, é a ansiedade.

Quero dizer, se alguém está com muita pressão ali para aprender o idioma,

fica ali numa condição de,

“Ah não, eu tenho aprender de qualquer jeito!”

E tem aquela seriedade, uma-

Mas sem diversão, o que acontece é que você não consegue.

O cérebro começa a bloquear as informações.

Se você não estiver curtindo, não estiver se divertindo com o material.

Então, por isso que eu achei interessante ver que você é uma pessoa, você é um-

Por ser comediante, você tem uma boa energia.

Você é bem humorado, você tem uma energia positiva.

E eu acho que isso tem ali uma conexão.

Porque quando alguém tem um bom humor,

tem uma certa leveza no aprendizado,

vai ser muito mais fácil aprender e dominar um idioma.

Então, minha pergunta vai ser basicamente, assim…

Uma pergunta que pode ser até meio maluca:

Você acha que a comédia em si ajuda de certa maneira

com o aprendizado de idiomas?

E talvez que o bom humor ajude no aprendizado, na sua experiência?

Com certeza, ajuda bastante. De forma substancial, eu diria.

Porque você consegue memorizar, você consegue se lembrar de coisas

que são importantes para você, e coisas que te fazem rir

geralmente são coisas que te marcam.

Então, quando você consegue se divertir

através do aprendizado de idiomas ali, ouvindo Stand-Up Comedy

ou então, como foi no meu caso, escrevendo piadas em inglês ali,

você acaba ganhando das duas formas.

Você lembra bastante das palavras novas por conta do conteúdo.

E quando você treina piadas em inglês, em alemão, no espanhol, que seja,

ou então envolvendo tudo, você acaba treinando a vocalização, “Speaking Skills.”

E isso tudo acaba ficando registrado, porque geralmente,

é como você falou, o conteúdo emocional é muito importante

para que você possa memorizar as palavras, as expressões e tudo mais.

Então, não precisa ser comediante de fato.

Se você conseguir se divertir com o conteúdo,

você vai conseguir ter algum resultado, porque geralmente será uma coisa bem leve

que vai te permitir fazer todos os dias, a grande chave é você estudar todos os dias

e para isso, é necessário que você goste do que você está fazendo.

Se não, vai ser uma prisão.

Imagine você fazer algo todos os dias que você não gosta, vai ser complicado.

Sim, eu nem tinha pensado tanto nesse aspecto que você mencionou também.

Existe o aspecto mais diretamente conectado, até.

Assim, sendo comediante, você preparando o material

e preparando a vocalização, treinando e tudo mais.

Creio que é um exercício espetacular também para turbinar o aprendizado de idiomas.

Porque você vai estar ali-

E digamos que alguém que não seja comediante queira

passar por um exercício parecido, pode ser apenas tentar realmente vocalizar

um certo conteúdo que agrada à pessoa, uma coisa que a pessoa acha interessante

e gosta daquele conteúdo.

Porque assim, você tendo essa conexão com um certo conteúdo,

algo divertido, algo bacana, que te faz rir, algo que você gosta,

realmente é algo excepcional no aprendizado de idiomas, como você falou.

Porque imagine assim, ter um conteúdo super entediante.

Que você está ali estudando um material, vamos dizer um brasileiro aprendendo portu-

Um brasileiro aprendendo português-

Um brasileiro aprendendo inglês,

mas ele está com um material de inglês que te faz quase dormir de tão entediante.

Quero dizer, fica realmente difícil absorver o conteúdo.

Mas se for algo engraçado, algo que te faz rir

ou algo que deixa o seu coração mais leve vendo esse conteúdo,

vai ser muito mais fácil absorver, muito mais fácil ter uma exposição maior.

Dessa maneira, a gente vai conseguir aprender de uma maneira mais rápida

e mais eficiente, realmente.

Então, você acha também que esse seu bom humor, essa sua boa energia-

Eu estou perguntando, mas acho que já estou dando a resposta.

Na minha opinião, com certeza, já deve ter ajudado bastante.

O que você acha?

Com certeza, ajuda bastante.

Não só o bom humor, mas o bom olhar sobre a vida.

Eu acho que às vezes, a gente acaba vendo o copo meio vazio ali.

E isso é uma cascata.

Você acaba ficando mais para baixo e acha que a experiência não vai dar certo.

Mas quando você acaba levando para o lado do bom humor,

você acaba, querendo ou não, vendo um copo meio cheio ali.

E as coisas vão melhorando.

Porque se você vai fazer uma coisa para a sua vida toda-

E acho que essa é a grande decisão que alguém que resolve

aprender um idioma tem que tomar.

Quando você tira o tempo da equação-

Quero dizer, “Vou estudar isso aqui a minha vida toda?

Então, vou encontrar uma forma mais divertida, mais tranquila

para poder realmente encaixar isso em todos os dias da minha existência.”

E quando você decide isso, você deixa de se fazer perguntas como:

“Quando vou ficar fluente e quando vou realmente atingir o nível que eu quero?”

Não, isso vai acontecer.

É só você seguir o projeto e conseguir conteúdos,

conseguir se identificar ali na língua.

Porque é como eu falo, uma língua é um universo muito grande.

Não existe uma coisa que você não goste naquela língua.

É um universo gigantesco, você só não o encontrou ainda.

E basicamente, é isso.

Através da comédia, eu consegui me identificar com o inglês, obviamente.

Mas conhecendo a cultura de outros países, você consegue fazer Stand-Up Comedy

em outras línguas e isso é muito interessante também.

Ver o que é engraçado para outros povos de acordo com a cultura deles,

os tons de voz e enfim.

É uma pesquisa filosófica mesmo sobre comédia que eu faço

para mim mesmo, porque é muito interessante.

E porque eu gosto, né?

Porque é bem legal fazer amigos.

Não tem como você fazer amigos sem a comédia.

Sim.

Que legal, suas considerações são ótimas.

Muita da pressão, muita da seriedade excessiva no aprendizado de idiomas,

quando o pessoal se leva a sério demais e tem aquela expectativa louca,

“Ah, eu tenho que chegar à fluência num ano de qualquer jeito e vou estudar muito!”

Daí, acaba até desistindo, porque acha que não está tendo um progresso tão grande.

Porque afinal, muitas vezes, é devido a essa pressão que aumenta a ansiedade

e fica mais difícil absorver, realmente, o conteúdo.

Então, tomando essa decisão, como você falou, de que…

“Ah não, eu vou ser um aluno de inglês pela vida toda, realmente!”

Galera, é para “long-term.” Não é assim uma coisa de…

“Ah, eu tenho que aprender a chegar à fluência em três meses!”

Ou um ano, dois anos, o que seja.

Essas expectativas, essas metas que muitas vezes não são realísticas,

elas não vão nos ajudar.

E mudando de perspectiva, abraçando essa ideia de que,

“Sim, somos alunos pela vida inteira.”

É algo que realmente alivia a pressão.

E eu acho que daí, realmente nos ajuda a ter grande sucesso.

É, com certeza.

E quando você consegue encontrar algo que você realmente gosta naquela língua,

que você se identifica naquela língua,

fica bem mais tranquilo, bem mais fácil se visualizar no futuro

falando de fato, interagindo de fato.

Porque você só tem as características que você tem porque você nasceu

no país em que você fala determinada língua.

Mas como você seria se você tivesse nascido na Alemanha?

– De que coisas você iria gostar? – Boa pergunta!

Como você seria se você tivesse nascido num país de língua inglesa?

E como você falaria?

E isso tudo depende das interações que você tem.

Dos YouTubers que você ouve bastante, dos livros que você lê bastante.

Dizem que nós somos o resumo das cinco pessoas que nós mais convivemos.

E é basicamente isso.

É para uma pessoa consumir bastante, viver naquilo ali, interagir com pessoas.

E… “Don’t get formal!”

Porque quando você fica realmente muito nervoso, você para de…

“Enjoying the process.” Você para de apreciar o processo.

E daí, a coisa fica meio sem sentido.

Você precisa apreciar o processo, porque…

Quando você sai do processo de aprendizagem,

esse é seu “pinnacle level.” Daí é para baixo, não tem jeito.

Sim, vai do topo da montanha a rolando a montanha abaixo.

Quando você para de aprender, você decreta que esse é seu nível máximo.

E daí é para baixo, porque a gente esquece, não tem jeito.

Exatamente.

Mas adorei este bate-papo, Rogério.

Essas suas considerações são muito sábias.

Foi bom ter você aqui no Podcast.

O prazer foi todo meu, Gabriel. De verdade.

E agora, falta eu entrevistar você no meu Podcast, hein. [risos]

Com prazer!

Será um prazer! [risos]

Perfeito, vamos nos falando aí.

– Tchau, tchau, amigo. – Valeu!

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