#4 A importância do bom humor no aprendizado [1]

Neste episódio o Gabriel entrevista o humorista (e ótimo aluno/professor de idiomas) Rogério Leandro sobre a importância do humor e o impacto do mesmo no aprendizado de idiomas.

Bom dia, meus amigos! Bem-vindos ao Podcast do LingQ.

No episódio de hoje, temos um convidado muito especial:

O Rogério, que é uma pessoa sensacional.

Ele é comediante e também um ótimo aluno de idiomas.

Então, vamos falar sobre o humor, sobre o aprendizado de idiomas

e sobre a importância do bom humor no aprendizado também.

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E claro, não deixe de clicar em “curtir” nos episódios que você mais apreciou.

Nós ficaremos muito gratos.

E para quem ainda não me conhece ou não começou a usar o LingQ

e estiver aprendendo um novo idioma, dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar ali naquelas que você ainda não conhece

para ver a definição.

E se você já usa o LingQ,

você já deve ter percebido que o aplicativo tem uma aparência nova e diferente.

O LingQ 5.0 é um aplicativo totalmente reformulado,

com uma interface mais fácil de usar, o conteúdo está mais acessível

e tem alguns novos recursos super legais, com a opção de personalizar o aplicativo,

tornando a experiência de uso do LingQ muito mais agradável.

Com o LingQ 5.0, você terá uma biblioteca bem organizada, mais fácil de acessar;

um sistema de metas diárias e sequência mais abrangentes;

mais acesso a conteúdo externo, o que é bem legal;

uma experiência de leitura mais simplificada, o que ajuda;

também uma experiência de audição, para escutar o conteúdo, melhorada também;

e mais opções de personalização, incluindo o modo escuro, o “dark mode.”

Então, dê uma olhada.

Mas agora, sem mais delongas, vamos começar!

Bom dia, Rogério! Tudo bem com você?

Bom dia! Melhor agora, Gabriel.

Então, hoje eu queria abordar um tema que eu acho bem interessante,

porque você é comediante, não é?

Exatamente.

Além de ser, logicamente, um ávido e dedicado aluno e professor de idiomas.

Então, o tema geral da conversa de hoje, acho que vai ser um tema muito legal.

Vai ser, basicamente, a importância do bom humor no aprendizado.

Ah, vai ser o tema.

Então, acho que vai ser um tema bem legal.

E para começar, conta um pouco da sua história.

Basicamente, o que te levou, por exemplo, à comédia?

Começamos com a comédia e, depois, a gente começa a falar também sobre

o aprendizado de idiomas e o ensino de idiomas também.

Será que você sempre foi engraçado naturalmente ou foi algo que desenvolveu?

Essa é uma curiosidade minha quando eu conheço um humorista ou comediante.

Ah, legal.

Então, acho que o que me levou à comédia foi o próprio estilo do Stand-Up Comedy.

Porque em toda a minha vida, sempre houve um ponto em que

alguém contava algo ao redor de amigos e, em determinado ponto da noite,

eu estava contando uma história e estava todo mundo rindo.

E daí, quando o estilo surgiu, me identifiquei bastante por causa disso.

E daí, aqui em Belém do Pará onde moro, tinha um grupo de comédia.

E eu cheguei com uns comediantes e pedi uma vaga para fazer.

E daí, eles disseram como acontecia, “Você tem três minutos no palco.”

E daí, a coisa foi acontecendo, eu escrevi o primeiro texto,

fui muito bem, no segundo também,

e fui aprendendo o caminho da piada, o setup, o punch e tudo mais.

E daí, a coisa foi acontecendo e foi muito legal.

Que interessante.

Então, isso responde basicamente a minha pergunta,

que você já era naturalmente engraçado.

Daí, você começou a pensar…

“Okay, então vou ver se isso funciona também num nível mais profissional.

Algo como o Stand-Up Comedy.”

Eu… “I took a risk.”

Eu me arrisquei lá, porque realmente, era algo que era muito visceral meu.

Eu sempre gostei de expôr ideias.

Eu acho que o mais engraçado seria, na verdade,

um pouco mais de você expôr uma ideia.

E expôr uma ideia na roupagem cômica é que é, de fato, o desafio que eu aceitei.

Então, eu faço muito show empresarial, por exemplo, é onde tem muitas restrições.

E já fiz um show em inglês também, na verdade, através do Lingbe,

que é o app que eu uso para poder fazer o meu podcast em inglês.

E fiz um pocket show ali para uma nativa e foi bem legal também.

Que interessante, que legal.

E uma coisa que eu acho bem interessante exatamente sobre Stand-Up Comedy,

esse estilo de comédia, é que é considerado extremamente difícil.

E também, deixa o pessoal até-

Assim, muitos comediantes ficam bem nervosos, porque afinal,

você tem que estar ali, na frente da audiência.

E se a audiência não gostar também, se o pessoal não gostar,

pode ser uma experiência meio estressante para o comediante.

Então, como você lida com esse risco, basicamente?

Porque afinal, eu acho que existem muitos comediantes que são muito bons,

que são pessoas muito engraçadas, são capazes de criar comédia

num estilo completamente diferente, mas que nunca arriscariam fazer Stand-Up Comedy.

Comédia Stand-Up.

Legal.

O Stand-Up Comedy, de fato, é um texto que a gente escreve e ensaia,

interpreta várias vezes, né?

Então, acho que o verdadeiro teste do comediante, de fato,

é quando ele sobe no palco e ninguém ri.

Porque todo mundo está preparado para a glória,

todo mundo está preparado para receber aplausos, tirar fotos e tudo mais,

mas quando você sobe no palco e ninguém ri, você se sente completamente nu, exposto.

É, de fato, o verdadeiro palco, o verdadeiro teste.

Mas respondendo diretamente à sua pergunta,

eu acredito que você tem que escrever algo que te divirta.

Você tem que levar para o palco não só sua história, algo que te divirta de fato,

mas como a sua performance. Ou seja, você precisa ensaiar muito.

Muitas vezes, o meu pai, que infelizmente já faleceu,

quando eu voltava de shows, ele me perguntava, “Como foi o show?”

Eu falava, “Putz, eu não gostei.”

Mas não é que eu não tenha sido bom, que não tenham me aplaudido e tudo mais.

Mas é porque eu esqueci determinada piada.

Porque meu timing foi errado, eu olhei pro momento errado, me distraí.

Então, é muito mais a performance que eu levo do meu ensaio.

E porque assim, as pessoas que estão me assistindo,

geralmente estão assistindo pela primeira vez.

E às vezes, eu conto o mesmo texto.

Então, a forma como eu conto varia.

Vão acontecendo pequenas mutações ali que vão aumentando o texto.

E isso vai deixando a história mais engraçada, mais encorpada.

Então, eu acho que o medo não é de não ser aplaudido,

mas de não entregar tudo o que você tem que entregar no palco.

Isso acaba me decepcionando, de fato.

Pode ser que o pessoal, que a plateia seja difícil na noite.

É realmente assim, essa-

Fazer uma performance, ter um desempenho bom

ali na frente de todo mundo sob pressão, né?

Porque basicamente, é uma situação interessante.

Geralmente, o pessoal pagou para estar ali ou está ali já incluindo tensão,

com a expectativa de ser divertido, né?

Então, existe a expectativa que você seja engraçado.

Então, acho que é uma coisa bem legal.

Eu tenho bastante respeito por comediantes de Stand-Up exatamente por isso,

porque eu acho que você tem que ter nervos de aço, né?

Você tem que ter bastante confiança em si próprio, saber que…

“Okay, eu sou capaz de fazer o pessoal rir, meu texto é legal, meu trabalho é-

Quero dizer, as minhas piadas são engraçadas e tudo mais.”

Quero dizer, ser capaz assim de ter um bom desempenho é algo bem legal.

Então, agora, vamos voltar para o aspecto de idiomas.

Então, minha pergunta vai ser-

Posso adicionar um comentário?

Assim, antes de você ser engraçado ou escrever uma piada, de fato-

Tem um olhar muito técnico, sabe?

Por exemplo, quando você chega num determinado local,

onde você é contratado por uma empresa,

você tem que entender que ninguém está ali para te ver.

Você foi contratado para o CEO ali, mas os outros não estão ali para te ver.

Então, o primeiro ponto é negar a atenção das pessoas.

Depois, a média de idade das pessoas importa muito,

porque a comédia é muito estratificada, né?

Então, para pessoas mais idosas, se você for falar de religião ou política,

não é um bom tema, acaba sendo um pouco difícil de trabalhar.

Você tem que pisar em ovos ali.

Então, tem algumas estratégias para você poder desviar dos “nooks and crannies,”

dos percalços ali da plateia para atingir um bom resultado.

Mas tem um olhar bem técnico.

Às vezes, você tem que pesquisar a plateia.

Às vezes, a plateia está suja e quer ouvir piadas de cunho sexual.

Às vezes, o que dá certo são algumas piadas um pouco mais pesadas, né?

Então, essa sensibilidade requer também um pouco de experiência e…

E é tudo bem bacana.

Sim, isso é muito interessante.

Porque um amigo de um amigo meu também faz Stand-Up em Vancouver.

E ele também estava me falando sobre um aspecto bem técnico,

que eu, por exemplo, desconheço, porque eu nunca trabalhei na área.

E que existem muitas fórmulas, muitas coisas-

Bom, basicamente, o que você descreveu.

Muitos fatores técnicos a serem considerados também.

Especialmente para, por exemplo, adaptar o seu trabalho e o seu conteúdo

para a plateia e tudo mais.

Porque afinal, como você falou,

se a idade média da plateia for 60 anos de idade,

não vai ser a mesma coisa que se for para uma plateia

com uma média de idade de 20 anos de idade.

Quero dizer, vai ser completamente diferente o conteúdo e tudo mais.

Eu acho que também depende até da situação, como você falou.

Tendo uma plateia que é basicamente “business people,” né?

Pessoas de negócio ali durante o trabalho, vai ser uma outra plateia,

uma plateia totalmente diferente do que, por exemplo,

um pessoal que pagou para ir num bar de noite.

Como, sei lá, um casal que está namorando

e quer ser divertido, que quer um entretenimento.

Então, é algo que é bem diferente, que tem que adaptar.

Então, acho isso uma coisa bem legal.

Então, me diz aí, Rogério.

Fala um pouco também agora sobre a sua história em relação

ao aprendizado de idiomas.

Você cursou até o meu curso de inglês.

Sim.

Eu vi o seu livro de progresso, o seu inglês é ótimo.

Então, dá muita satisfação ver que você é um aluno espetacular.

E que você também estava aprendendo alemão.

Exato.

Então, fala um pouco aí sobre sua experiência aprendendo idiomas.

Legal, então…

Eu sou- Eu não aprendi por formação.

E 70% do meu curso era completamente em inglês.

E na época da faculdade, eu não dominava o inglês.

Eu tinha aversão ao inglês.

Mais por causa das escolas do que pela língua em si.

E daí, eu comecei a fazer cursos dentro da faculdade e fora,

mas nunca cheguei ao nível que eu realmente quis,

porque infelizmente, aqui no Brasil e acho que na boa parte do mundo

que não é de língua inglesa, se criou a cultura de que você vai

para uma escola de idiomas e sai de lá sem o inglês que você tanto sonhou.

E está tudo bem, porque a única forma de aprender é,

de fato, você indo para fora do seu país e passando um tempo nos Estados Unidos

ou qualquer que seja o outro país.

E é um problema isso.

E daí, eu já tinha passado por uma escola de inglês,

tinha feito uma prova de proficiência, que é a de Cambridge,

que é a proficiência que eu tenho hoje, de nível B2 na época.

O que era um nível okay, mas estava muito longe do que eu queria.

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