#4 A importância do bom humor no aprendizado (2)

Neste episódio o Gabriel entrevista o humorista (e ótimo aluno/professor de idiomas) Rogério Leandro sobre a importância do humor e o impacto do mesmo no aprendizado de idiomas.

Haviam muitas perguntas que eu não sabia responder, como por exemplo-

Porque eu ainda tinha dificuldades para entender determinados filmes sem legendas.

Eu conseguia entender meus professores, conseguia me comunicar,

mas tinha dificuldades ali.

E eu já estava tentando melhorar sozinho, mas eu estava meio perdido, não sabia como.

Eu só estava consumindo muitos livros, mas eu estava meio perdido.

E daí, eu encontrei o seu vídeo falando em 25 idiomas ali.

E daí, você falou na hora: “Você faz isso e isso que você consegue.”

E de primeira, eu não acreditei.

“Não, esse cara só quer vender o curso de inglês, mas o entretenimento vale.”

E aí, eu fui assistir a outro vídeo e a outro vídeo, daí…

O seguinte vídeo foi você conversando com o Steve Kaufmann,

numa entrevista em 25 idiomas também, maravilhosa.

E aí, eu comecei a assistir ao Steve, à Lina e ao Luca…

E todos vocês falavam a mesma coisa, basicamente.

Sobre “Comprehensible Input,” a consistência de aprender todos os dias.

E eu comecei a consumir diretamente de artigos do professor Stephen Krashen.

E daí, realmente, entendi os princípios do autoaprendizado e comecei a aplicar.

Meu inglês foi para um nível muito alto.

Graças a Deus, tive o que eu sempre quis.

E daí, por que não o alemão?

Eu já era também apaixonado pelo alemão, por como soava a língua alemã.

E daí, já fui para o alemão direto também.

E eu tinha um set, na verdade, de piadas sobre o inglês e sobre o espanhol

e queria envolver outros idiomas também como o alemão, por exemplo.

Mas daí, já esqueci a piada, já fui direto estudar a língua

e fiz amigos no Berlim também através de apps e está sendo muito legal.

Ah, que bacana.

E agora, uma pergunta que vai unir os dois temas, basicamente,

a comédia e o aprendizado de idiomas.

Porque na minha opinião,

na minha humilde opinião-

E também faz parte, na verdade, da teoria do Steven Krashen.

Basicamente, existe o filtro afetivo na teoria dele.

E uma das coisas que aumenta o filtro afetivo, por exemplo, é a ansiedade.

Quero dizer, se alguém está com muita pressão ali para aprender o idioma,

fica ali numa condição de,

“Ah não, eu tenho aprender de qualquer jeito!”

E tem aquela seriedade, uma-

Mas sem diversão, o que acontece é que você não consegue.

O cérebro começa a bloquear as informações.

Se você não estiver curtindo, não estiver se divertindo com o material.

Então, por isso que eu achei interessante ver que você é uma pessoa, você é um-

Por ser comediante, você tem uma boa energia.

Você é bem humorado, você tem uma energia positiva.

E eu acho que isso tem ali uma conexão.

Porque quando alguém tem um bom humor,

tem uma certa leveza no aprendizado,

vai ser muito mais fácil aprender e dominar um idioma.

Então, minha pergunta vai ser basicamente, assim…

Uma pergunta que pode ser até meio maluca:

Você acha que a comédia em si ajuda de certa maneira

com o aprendizado de idiomas?

E talvez que o bom humor ajude no aprendizado, na sua experiência?

Com certeza, ajuda bastante. De forma substancial, eu diria.

Porque você consegue memorizar, você consegue se lembrar de coisas

que são importantes para você, e coisas que te fazem rir

geralmente são coisas que te marcam.

Então, quando você consegue se divertir

através do aprendizado de idiomas ali, ouvindo Stand-Up Comedy

ou então, como foi no meu caso, escrevendo piadas em inglês ali,

você acaba ganhando das duas formas.

Você lembra bastante das palavras novas por conta do conteúdo.

E quando você treina piadas em inglês, em alemão, no espanhol, que seja,

ou então envolvendo tudo, você acaba treinando a vocalização, “Speaking Skills.”

E isso tudo acaba ficando registrado, porque geralmente,

é como você falou, o conteúdo emocional é muito importante

para que você possa memorizar as palavras, as expressões e tudo mais.

Então, não precisa ser comediante de fato.

Se você conseguir se divertir com o conteúdo,

você vai conseguir ter algum resultado, porque geralmente será uma coisa bem leve

que vai te permitir fazer todos os dias, a grande chave é você estudar todos os dias

e para isso, é necessário que você goste do que você está fazendo.

Se não, vai ser uma prisão.

Imagine você fazer algo todos os dias que você não gosta, vai ser complicado.

Sim, eu nem tinha pensado tanto nesse aspecto que você mencionou também.

Existe o aspecto mais diretamente conectado, até.

Assim, sendo comediante, você preparando o material

e preparando a vocalização, treinando e tudo mais.

Creio que é um exercício espetacular também para turbinar o aprendizado de idiomas.

Porque você vai estar ali-

E digamos que alguém que não seja comediante queira

passar por um exercício parecido, pode ser apenas tentar realmente vocalizar

um certo conteúdo que agrada à pessoa, uma coisa que a pessoa acha interessante

e gosta daquele conteúdo.

Porque assim, você tendo essa conexão com um certo conteúdo,

algo divertido, algo bacana, que te faz rir, algo que você gosta,

realmente é algo excepcional no aprendizado de idiomas, como você falou.

Porque imagine assim, ter um conteúdo super entediante.

Que você está ali estudando um material, vamos dizer um brasileiro aprendendo portu-

Um brasileiro aprendendo português-

Um brasileiro aprendendo inglês,

mas ele está com um material de inglês que te faz quase dormir de tão entediante.

Quero dizer, fica realmente difícil absorver o conteúdo.

Mas se for algo engraçado, algo que te faz rir

ou algo que deixa o seu coração mais leve vendo esse conteúdo,

vai ser muito mais fácil absorver, muito mais fácil ter uma exposição maior.

Dessa maneira, a gente vai conseguir aprender de uma maneira mais rápida

e mais eficiente, realmente.

Então, você acha também que esse seu bom humor, essa sua boa energia-

Eu estou perguntando, mas acho que já estou dando a resposta.

Na minha opinião, com certeza, já deve ter ajudado bastante.

O que você acha?

Com certeza, ajuda bastante.

Não só o bom humor, mas o bom olhar sobre a vida.

Eu acho que às vezes, a gente acaba vendo o copo meio vazio ali.

E isso é uma cascata.

Você acaba ficando mais para baixo e acha que a experiência não vai dar certo.

Mas quando você acaba levando para o lado do bom humor,

você acaba, querendo ou não, vendo um copo meio cheio ali.

E as coisas vão melhorando.

Porque se você vai fazer uma coisa para a sua vida toda-

E acho que essa é a grande decisão que alguém que resolve

aprender um idioma tem que tomar.

Quando você tira o tempo da equação-

Quero dizer, “Vou estudar isso aqui a minha vida toda?

Então, vou encontrar uma forma mais divertida, mais tranquila

para poder realmente encaixar isso em todos os dias da minha existência.”

E quando você decide isso, você deixa de se fazer perguntas como:

“Quando vou ficar fluente e quando vou realmente atingir o nível que eu quero?”

Não, isso vai acontecer.

É só você seguir o projeto e conseguir conteúdos,

conseguir se identificar ali na língua.

Porque é como eu falo, uma língua é um universo muito grande.

Não existe uma coisa que você não goste naquela língua.

É um universo gigantesco, você só não o encontrou ainda.

E basicamente, é isso.

Através da comédia, eu consegui me identificar com o inglês, obviamente.

Mas conhecendo a cultura de outros países, você consegue fazer Stand-Up Comedy

em outras línguas e isso é muito interessante também.

Ver o que é engraçado para outros povos de acordo com a cultura deles,

os tons de voz e enfim.

É uma pesquisa filosófica mesmo sobre comédia que eu faço

para mim mesmo, porque é muito interessante.

E porque eu gosto, né?

Porque é bem legal fazer amigos.

Não tem como você fazer amigos sem a comédia.

Sim.

Que legal, suas considerações são ótimas.

Muita da pressão, muita da seriedade excessiva no aprendizado de idiomas,

quando o pessoal se leva a sério demais e tem aquela expectativa louca,

“Ah, eu tenho que chegar à fluência num ano de qualquer jeito e vou estudar muito!”

Daí, acaba até desistindo, porque acha que não está tendo um progresso tão grande.

Porque afinal, muitas vezes, é devido a essa pressão que aumenta a ansiedade

e fica mais difícil absorver, realmente, o conteúdo.

Então, tomando essa decisão, como você falou, de que…

“Ah não, eu vou ser um aluno de inglês pela vida toda, realmente!”

Galera, é para “long-term.” Não é assim uma coisa de…

“Ah, eu tenho que aprender a chegar à fluência em três meses!”

Ou um ano, dois anos, o que seja.

Essas expectativas, essas metas que muitas vezes não são realísticas,

elas não vão nos ajudar.

E mudando de perspectiva, abraçando essa ideia de que,

“Sim, somos alunos pela vida inteira.”

É algo que realmente alivia a pressão.

E eu acho que daí, realmente nos ajuda a ter grande sucesso.

É, com certeza.

E quando você consegue encontrar algo que você realmente gosta naquela língua,

que você se identifica naquela língua,

fica bem mais tranquilo, bem mais fácil se visualizar no futuro

falando de fato, interagindo de fato.

Porque você só tem as características que você tem porque você nasceu

no país em que você fala determinada língua.

Mas como você seria se você tivesse nascido na Alemanha?

– De que coisas você iria gostar? – Boa pergunta!

Como você seria se você tivesse nascido num país de língua inglesa?

E como você falaria?

E isso tudo depende das interações que você tem.

Dos YouTubers que você ouve bastante, dos livros que você lê bastante.

Dizem que nós somos o resumo das cinco pessoas que nós mais convivemos.

E é basicamente isso.

É para uma pessoa consumir bastante, viver naquilo ali, interagir com pessoas.

E… “Don’t get formal!”

Porque quando você fica realmente muito nervoso, você para de…

“Enjoying the process.” Você para de apreciar o processo.

E daí, a coisa fica meio sem sentido.

Você precisa apreciar o processo, porque…

Quando você sai do processo de aprendizagem,

esse é seu “pinnacle level.” Daí é para baixo, não tem jeito.

Sim, vai do topo da montanha a rolando a montanha abaixo.

Quando você para de aprender, você decreta que esse é seu nível máximo.

E daí é para baixo, porque a gente esquece, não tem jeito.

Exatamente.

Mas adorei este bate-papo, Rogério.

Essas suas considerações são muito sábias.

Foi bom ter você aqui no Podcast.

O prazer foi todo meu, Gabriel. De verdade.

E agora, falta eu entrevistar você no meu Podcast, hein. [risos]

Com prazer!

Será um prazer! [risos]

Perfeito, vamos nos falando aí.

– Tchau, tchau, amigo. – Valeu!

#4 A importância do bom humor no aprendizado [1]

Neste episódio o Gabriel entrevista o humorista (e ótimo aluno/professor de idiomas) Rogério Leandro sobre a importância do humor e o impacto do mesmo no aprendizado de idiomas.

Bom dia, meus amigos! Bem-vindos ao Podcast do LingQ.

No episódio de hoje, temos um convidado muito especial:

O Rogério, que é uma pessoa sensacional.

Ele é comediante e também um ótimo aluno de idiomas.

Então, vamos falar sobre o humor, sobre o aprendizado de idiomas

e sobre a importância do bom humor no aprendizado também.

Se você estiver ouvindo o Podcast do LingQ, por favor deixe sua avaliação na Apple,

nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud.

E claro, não deixe de clicar em “curtir” nos episódios que você mais apreciou.

Nós ficaremos muito gratos.

E para quem ainda não me conhece ou não começou a usar o LingQ

e estiver aprendendo um novo idioma, dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar ali naquelas que você ainda não conhece

para ver a definição.

E se você já usa o LingQ,

você já deve ter percebido que o aplicativo tem uma aparência nova e diferente.

O LingQ 5.0 é um aplicativo totalmente reformulado,

com uma interface mais fácil de usar, o conteúdo está mais acessível

e tem alguns novos recursos super legais, com a opção de personalizar o aplicativo,

tornando a experiência de uso do LingQ muito mais agradável.

Com o LingQ 5.0, você terá uma biblioteca bem organizada, mais fácil de acessar;

um sistema de metas diárias e sequência mais abrangentes;

mais acesso a conteúdo externo, o que é bem legal;

uma experiência de leitura mais simplificada, o que ajuda;

também uma experiência de audição, para escutar o conteúdo, melhorada também;

e mais opções de personalização, incluindo o modo escuro, o “dark mode.”

Então, dê uma olhada.

Mas agora, sem mais delongas, vamos começar!

Bom dia, Rogério! Tudo bem com você?

Bom dia! Melhor agora, Gabriel.

Então, hoje eu queria abordar um tema que eu acho bem interessante,

porque você é comediante, não é?

Exatamente.

Além de ser, logicamente, um ávido e dedicado aluno e professor de idiomas.

Então, o tema geral da conversa de hoje, acho que vai ser um tema muito legal.

Vai ser, basicamente, a importância do bom humor no aprendizado.

Ah, vai ser o tema.

Então, acho que vai ser um tema bem legal.

E para começar, conta um pouco da sua história.

Basicamente, o que te levou, por exemplo, à comédia?

Começamos com a comédia e, depois, a gente começa a falar também sobre

o aprendizado de idiomas e o ensino de idiomas também.

Será que você sempre foi engraçado naturalmente ou foi algo que desenvolveu?

Essa é uma curiosidade minha quando eu conheço um humorista ou comediante.

Ah, legal.

Então, acho que o que me levou à comédia foi o próprio estilo do Stand-Up Comedy.

Porque em toda a minha vida, sempre houve um ponto em que

alguém contava algo ao redor de amigos e, em determinado ponto da noite,

eu estava contando uma história e estava todo mundo rindo.

E daí, quando o estilo surgiu, me identifiquei bastante por causa disso.

E daí, aqui em Belém do Pará onde moro, tinha um grupo de comédia.

E eu cheguei com uns comediantes e pedi uma vaga para fazer.

E daí, eles disseram como acontecia, “Você tem três minutos no palco.”

E daí, a coisa foi acontecendo, eu escrevi o primeiro texto,

fui muito bem, no segundo também,

e fui aprendendo o caminho da piada, o setup, o punch e tudo mais.

E daí, a coisa foi acontecendo e foi muito legal.

Que interessante.

Então, isso responde basicamente a minha pergunta,

que você já era naturalmente engraçado.

Daí, você começou a pensar…

“Okay, então vou ver se isso funciona também num nível mais profissional.

Algo como o Stand-Up Comedy.”

Eu… “I took a risk.”

Eu me arrisquei lá, porque realmente, era algo que era muito visceral meu.

Eu sempre gostei de expôr ideias.

Eu acho que o mais engraçado seria, na verdade,

um pouco mais de você expôr uma ideia.

E expôr uma ideia na roupagem cômica é que é, de fato, o desafio que eu aceitei.

Então, eu faço muito show empresarial, por exemplo, é onde tem muitas restrições.

E já fiz um show em inglês também, na verdade, através do Lingbe,

que é o app que eu uso para poder fazer o meu podcast em inglês.

E fiz um pocket show ali para uma nativa e foi bem legal também.

Que interessante, que legal.

E uma coisa que eu acho bem interessante exatamente sobre Stand-Up Comedy,

esse estilo de comédia, é que é considerado extremamente difícil.

E também, deixa o pessoal até-

Assim, muitos comediantes ficam bem nervosos, porque afinal,

você tem que estar ali, na frente da audiência.

E se a audiência não gostar também, se o pessoal não gostar,

pode ser uma experiência meio estressante para o comediante.

Então, como você lida com esse risco, basicamente?

Porque afinal, eu acho que existem muitos comediantes que são muito bons,

que são pessoas muito engraçadas, são capazes de criar comédia

num estilo completamente diferente, mas que nunca arriscariam fazer Stand-Up Comedy.

Comédia Stand-Up.

Legal.

O Stand-Up Comedy, de fato, é um texto que a gente escreve e ensaia,

interpreta várias vezes, né?

Então, acho que o verdadeiro teste do comediante, de fato,

é quando ele sobe no palco e ninguém ri.

Porque todo mundo está preparado para a glória,

todo mundo está preparado para receber aplausos, tirar fotos e tudo mais,

mas quando você sobe no palco e ninguém ri, você se sente completamente nu, exposto.

É, de fato, o verdadeiro palco, o verdadeiro teste.

Mas respondendo diretamente à sua pergunta,

eu acredito que você tem que escrever algo que te divirta.

Você tem que levar para o palco não só sua história, algo que te divirta de fato,

mas como a sua performance. Ou seja, você precisa ensaiar muito.

Muitas vezes, o meu pai, que infelizmente já faleceu,

quando eu voltava de shows, ele me perguntava, “Como foi o show?”

Eu falava, “Putz, eu não gostei.”

Mas não é que eu não tenha sido bom, que não tenham me aplaudido e tudo mais.

Mas é porque eu esqueci determinada piada.

Porque meu timing foi errado, eu olhei pro momento errado, me distraí.

Então, é muito mais a performance que eu levo do meu ensaio.

E porque assim, as pessoas que estão me assistindo,

geralmente estão assistindo pela primeira vez.

E às vezes, eu conto o mesmo texto.

Então, a forma como eu conto varia.

Vão acontecendo pequenas mutações ali que vão aumentando o texto.

E isso vai deixando a história mais engraçada, mais encorpada.

Então, eu acho que o medo não é de não ser aplaudido,

mas de não entregar tudo o que você tem que entregar no palco.

Isso acaba me decepcionando, de fato.

Pode ser que o pessoal, que a plateia seja difícil na noite.

É realmente assim, essa-

Fazer uma performance, ter um desempenho bom

ali na frente de todo mundo sob pressão, né?

Porque basicamente, é uma situação interessante.

Geralmente, o pessoal pagou para estar ali ou está ali já incluindo tensão,

com a expectativa de ser divertido, né?

Então, existe a expectativa que você seja engraçado.

Então, acho que é uma coisa bem legal.

Eu tenho bastante respeito por comediantes de Stand-Up exatamente por isso,

porque eu acho que você tem que ter nervos de aço, né?

Você tem que ter bastante confiança em si próprio, saber que…

“Okay, eu sou capaz de fazer o pessoal rir, meu texto é legal, meu trabalho é-

Quero dizer, as minhas piadas são engraçadas e tudo mais.”

Quero dizer, ser capaz assim de ter um bom desempenho é algo bem legal.

Então, agora, vamos voltar para o aspecto de idiomas.

Então, minha pergunta vai ser-

Posso adicionar um comentário?

Assim, antes de você ser engraçado ou escrever uma piada, de fato-

Tem um olhar muito técnico, sabe?

Por exemplo, quando você chega num determinado local,

onde você é contratado por uma empresa,

você tem que entender que ninguém está ali para te ver.

Você foi contratado para o CEO ali, mas os outros não estão ali para te ver.

Então, o primeiro ponto é negar a atenção das pessoas.

Depois, a média de idade das pessoas importa muito,

porque a comédia é muito estratificada, né?

Então, para pessoas mais idosas, se você for falar de religião ou política,

não é um bom tema, acaba sendo um pouco difícil de trabalhar.

Você tem que pisar em ovos ali.

Então, tem algumas estratégias para você poder desviar dos “nooks and crannies,”

dos percalços ali da plateia para atingir um bom resultado.

Mas tem um olhar bem técnico.

Às vezes, você tem que pesquisar a plateia.

Às vezes, a plateia está suja e quer ouvir piadas de cunho sexual.

Às vezes, o que dá certo são algumas piadas um pouco mais pesadas, né?

Então, essa sensibilidade requer também um pouco de experiência e…

E é tudo bem bacana.

Sim, isso é muito interessante.

Porque um amigo de um amigo meu também faz Stand-Up em Vancouver.

E ele também estava me falando sobre um aspecto bem técnico,

que eu, por exemplo, desconheço, porque eu nunca trabalhei na área.

E que existem muitas fórmulas, muitas coisas-

Bom, basicamente, o que você descreveu.

Muitos fatores técnicos a serem considerados também.

Especialmente para, por exemplo, adaptar o seu trabalho e o seu conteúdo

para a plateia e tudo mais.

Porque afinal, como você falou,

se a idade média da plateia for 60 anos de idade,

não vai ser a mesma coisa que se for para uma plateia

com uma média de idade de 20 anos de idade.

Quero dizer, vai ser completamente diferente o conteúdo e tudo mais.

Eu acho que também depende até da situação, como você falou.

Tendo uma plateia que é basicamente “business people,” né?

Pessoas de negócio ali durante o trabalho, vai ser uma outra plateia,

uma plateia totalmente diferente do que, por exemplo,

um pessoal que pagou para ir num bar de noite.

Como, sei lá, um casal que está namorando

e quer ser divertido, que quer um entretenimento.

Então, é algo que é bem diferente, que tem que adaptar.

Então, acho isso uma coisa bem legal.

Então, me diz aí, Rogério.

Fala um pouco também agora sobre a sua história em relação

ao aprendizado de idiomas.

Você cursou até o meu curso de inglês.

Sim.

Eu vi o seu livro de progresso, o seu inglês é ótimo.

Então, dá muita satisfação ver que você é um aluno espetacular.

E que você também estava aprendendo alemão.

Exato.

Então, fala um pouco aí sobre sua experiência aprendendo idiomas.

Legal, então…

Eu sou- Eu não aprendi por formação.

E 70% do meu curso era completamente em inglês.

E na época da faculdade, eu não dominava o inglês.

Eu tinha aversão ao inglês.

Mais por causa das escolas do que pela língua em si.

E daí, eu comecei a fazer cursos dentro da faculdade e fora,

mas nunca cheguei ao nível que eu realmente quis,

porque infelizmente, aqui no Brasil e acho que na boa parte do mundo

que não é de língua inglesa, se criou a cultura de que você vai

para uma escola de idiomas e sai de lá sem o inglês que você tanto sonhou.

E está tudo bem, porque a única forma de aprender é,

de fato, você indo para fora do seu país e passando um tempo nos Estados Unidos

ou qualquer que seja o outro país.

E é um problema isso.

E daí, eu já tinha passado por uma escola de inglês,

tinha feito uma prova de proficiência, que é a de Cambridge,

que é a proficiência que eu tenho hoje, de nível B2 na época.

O que era um nível okay, mas estava muito longe do que eu queria.

#3 Do zero ao domínio de um idioma (nível C2) (2)

Neste episódio o Gabriel entrevista a professora de alemão Lud Fonseca sobre como ir do zero para chegar ao nível C2 em um idioma (domínio pleno de um idioma).

Eu falo, “Bom, se você já vem estudando há um mês e já vem entendendo o filme,

então é ele que tá errado.” [risos]

Não dá para você estudar alemão por um mês e entender um conteúdo feito para nativos.

Então, você tem que focar no caminho, você não pode focar no resultado.

O filme não pode ser seu resultado, você deve focar no caminho,

porque você está aprendendo hoje.

Então, são pequenas dicas que parecem um balde de água fria na cabeça daquele aluno,

mas que na verdade, é uma organização das suas expectativas.

Porque na hora em que suas expectativas não são frustradas,

você tem mais chance de permanecer.

A frustração é o que faz com que você saia fora.

E essa frustração vem do quê?

De uma expectativa em que você não faz a menor ideia.

Muitas pessoas começam a estudar a língua sem a menor ideia da dedicação necessária.

Acham que em um mês, dois meses, vão estar com um resultado impossível.

Mesmo para pessoas experientes,

mesmo para você e para mim, que somos pessoas experientes em aprender línguas,

você já sabe: Se eu quero ter resultados com um mês de estudo,

eu tenho que estudar muitas horas por dia.

Com uma hora por dia, não dá para ter o resultado que eu estou esperando.

Dá para avançar.

Outra coisa que eu sempre falo também é o seguinte:

“Uns dois anos da sua vida ou um ano da sua vida,

eles vão passar com você estudando língua ou não.”

Porque às vezes, a pessoa fala assim,

“Nossa! Mas eu vou demorar um ano para chegar nesse nível do alemão?!”

Aí, eu faço o cálculo. “Olha, você vai estudar meia-hora por dia.”

“Então, vai ser mais ou menos um ano para você chegar no nível tal se estudar assim.”

Okay e a pessoa fala, “Mas eu vou precisar de um ano?!”

Eu falo, “Sim! Se você ficar enrolando enquanto isso, porque é um ano todo,

você vai precisar de dois, porque você não falar muito bem, né?”

[risos] Sim.

Então, eu acho que a questão mais central é realmente entender o processo

para você poder entrar com consciência ou nem entrar.

Porque às vezes, quando você entra sem essa consciência,

daqui a duas semanas, você vai simplesmente parar de estudar.

Quando você está correndo uma maratona, você tem técnica para correr essa maratona.

Você não vai dar toda a sua energia nos primeiros 10 metros, 100 metros, 1km.

E depois, você não vai conseguir chegar no final,

são muitos quilômetros para você chegar no final.

Então, você não vai queimar toda a sua energia no início.

E é o que os alunos fazem. Os alunos falam assim comigo,

“Nossa, Lud, eu vou estudar 7 horas por dia!”

Eu falo, “Isso faz sentido durante 6 meses?”

“Não, lógico que não. Então, não adianta você fazer isso.”

“Vai ficar muito melhor se você criar uma rotina de estudos real

que você consegue fazer por um ano, você vai ter muito mais resultado

do que inventar que você vai estudar 7 horas por dia todo dia durante um mês,

porque aquilo não vai trazer o mesmo resultado.”

A constância traz muito mais resultado que 10 horas por dia nos primeiros 10 dias.

Isso não vai trazer o mesmo resultado que o mesmo tanto de horas

dividido uma hora por dia.

Então, são conhecimentos mesmo que levam- Não é que você fica mais motivado.

É que você fica menos desmotivado, que é o grande lance.

Às vezes, as pessoas perguntam, “Como eu motivo o meu aluno?”

Eu falo, “Não tenta motivar ele-

Quero dizer, pode motivar um pouco, claro. Mas o mais importante é:

Tenta não deixar ele desmotivado, explica para ele o caminho.

Explica para ele qual vai ser o processo.”

Porque quando você entra sabendo do processo, você entra sabendo do tempo,

é muito mais fácil você já entrar preparado mentalmente para o que vem lá na frente.

Sim, espetacular.

Olha, aplausos por essa resposta.

E logicamente, tem muita gente que me pergunta também,

“Ah Gabriel, quanto tempo vou levar para chegar à fluência no inglês?” Por exemplo.

E logicamente que devido também a um marketing bizarro e agressivo demais,

especialmente no Brasil, mas isso também tem por todas as partes,

a gente acaba se deparando com promessas absolutamente esdrúxulas e ridículas sobre

“Aprenda inglês em sete dias, chegue à fluência em um mês!”

Coisas que são completamente impossíveis de serem feitas.

Quero dizer, é impossível chegar à fluência num idioma em um mês.

E eu sempre falo exatamente também, ofereço uma estimativa de horas de estudo.

Por exemplo, existe uma estimativa para chegar do zero ao B2,

que seria o primeiro nível de fluência, sendo o intermediário alto no idioma.

Dizem que para alguém chegar do zero ao B2 no inglês,

essa pessoa precisa geralmente de 720 horas de estudo.

– Isso. – Quero dizer, então é um número-

E como você falou também, não são quaisquer horas de estudo,

são boas horas de estudo, com um bom método e com grande dedicação.

Exatamente, não é qualquer hora vendo Friends ali sentado na cadeira,

tomando uma cerveja que vai te fazer falar alemão ou inglês.

Exatamente.

Então, eu geralmente falo- Quero dizer…

E se você colocar isso em perspectiva, são basicamente duas horas por dia

em média todos os dias por um ano.

Então, se a pessoa quiser chegar do zero ao B2 no inglês dentro de um ano,

ela vai ter que se dedicar em média duas horas por dia.

E logicamente, pode ser que, se a pessoa não tiver uma constância,

também não vai ser legal, por exemplo, se dedicar um dia-

Quero dizer, em uma semana, 14 horas em apenas um dia e zero horas nos outros dias.

– Não faz, não tem o mesmo efeito. – Não faz o mesmo efeito.

E como você falou também, eu acho que-

Algo que eu achei muito interessante e muito verdadeiro também é assim,

quando uma pessoa está super empolgada e tem tempo,

“Ah, então eu tenho seis horas por dia para dedicar ao inglês ou ao alemão…”

Ao francês, ao mandarim, seja o que for…

Qual vai ser a qualidade da terceira hora de estudo?

E depois, da quarta?

E da quinta? E da sexta hora de estudo?

Em que você está com o cérebro todo frito depois de tantas horas de estudo?

Então, a gente tem que realmente respeitar o nosso próprio cérebro,

a nossa própria mente, o processo de aprendizado.

É algo que leva tempo, consome nossa energia física e cerebral.

Quero dizer, se nós estivermos nos dedicando muito ao aprendizado de idiomas,

a gente vai cansar também.

A gente vai ter que se respeitar, ter um pequeno break,

ter uma pequena pausa para depois voltar.

Então, eu acho que isso é uma coisa muito importante.

Eu só vou interromper agora, porque senão, vai ficar muito longo o nosso episódio.

Mas com certeza, faremos mais no futuro, porque sua sabedoria é muito rica.

Especialmente para quem está aprendendo outros idiomas.

Então, é espetacular.

E logicamente, para qualquer idioma-

E sendo que o alemão é um idioma relativamente difícil,

é até mais impressionante.

Então, é uma gramática complexa que o alemão tem.

Um vocabulário extremamente rico.

Então, é isso aí. Muito obrigado, Lud.

Muito obrigada você e…

Fico muito feliz de ter podido falar aqui um pouquinho sobre a minha experiência,

dividir a minha experiência, para mim é sempre um prazer.

E realmente, é isso o que eu estava falando aí.

Às vezes, quando você aprende a estudar línguas,

independente da gramática ou das características específicas de cada língua,

fica muito mais fácil, porque você sempre entende

o que você precisa fazer no início do caminho, no meio do caminho.

Como eu falei, o início do caminho é entender que caminho é esse,

quantas horas você vai precisar estudar, como você vai fazer…

Então, fica a dica: Nunca entre para estudar uma língua com fogo de palha.

Sempre entre já fazendo um plano de estudos

e sabendo quantas horas você vai estudar por dia e que horário.

Não é que vai dar certo de primeira, mas se você já tiver isso em mente,

se você já entender onde você está enfiando a cabeça, o que você está fazendo,

vai ficar muito mais fácil você manter a motivação lá em cima.

Gabe, era só o que queria dizer, obrigada.

Muito obrigado pelas suas conclusões finais.

E sempre, como falei, é um grande prazer.

– Então, muito obrigado, pessoal. Tchau! – Tchau tchau, até a próxima!

Obrigado, Lud.

#2 A motivação para dominar vários idiomas (2)

Afinal, vale a pena aprender novos idiomas? Saiba o que motiva um poliglota a aprender e eventualmente dominar novos idiomas! Neste episódio do nosso podcast, o poliglota Patrick Lencastre (fluente em vários idiomas) explica o que o motiva para aprender novas línguas. Outros tópicos interessantes sobre o aprendizado de idiomas são abordados, como “terceirização de escolha do idioma a ser aprendido” e como achar bons “language partners! Além disso, neste episódios abordamos o tema de estarmos “confinados” caso possamos falar apenas um idioma.

Como você tem sucesso achando as pessoas certas?

E eu vi no seu Instagram, por exemplo, que você tem um para cada idioma,

que você tem uma conexão forte com essas pessoas, que é algo muito legal.

Então, como você consegue achar essas pessoas?

Não tem uma fórmula que eu vá te dar.

“Olha, se você fizer assim, você não vai encontrar.”

Mas você tem razão, são-

Por isso, eu geralmente digo que tenho um language partner para cada idioma,

porque de certa maneira, aquela pessoa personifica aquele idioma.

Então, ela tem uma responsabilidade muito grande.

Se aquela pessoa falar, “Patrick, eu não vou mais conversar.”

“Eu não vou mais te ajudar, é isso aqui e acabou.”

Provavelmente, aquele idioma vai morrendo.

A não ser que seja um idioma com o qual eu já tenha muita experiência,

que eu já tenha ele muito forte na minha cabeça, então ele pode sobreviver.

Como o hebraico sobreviveu sem um language partner por muitos anos.

Mas se for um idioma mais recente? Não, ele vai morrer.

Então, aquelas pessoas têm muita responsabilidade.

Por isso, tem essa conexão, sim.

Mas é por tentativa e erro.

E também por tomar responsabilidade.

Muitas vezes, eu vejo as pessoas me perguntando,

“Patrick, mas como eu faço para a pessoa poder me ensinar?

“Como eu faço para a pessoa poder me ajudar?

Mas primeiro, você oferece para depois, você receber.

Então, todos os meus language exchange partners,

se você for perguntar a qualquer um deles, “Mas o Patrick já te ajudou? Como?”

Você vai sempre receber uma resposta positiva e uma explicação.

Não teve nenhum language partner que já falou,

“Ah não, o Patrick?” Não sei, “Ele nunca me ajudou em nada.”

“Ele nunca me explicou nada, ele nunca me ensinou,

mas eu ensinei meu idioma para ele.”

Então, muito se dá nisso.

Eu acho que é bem difícil se a pessoa-

Se você consegue manter uma…

Uma espécie de relacionamento de language exchange partners com uma pessoa,

e você doa realmente algo, se você se dedica naquele projeto,

é muito difícil que a pessoa veja que você realmente está se dedicando.

Aí, você vai falar, “É, ele é bem dedicado e eu estou evoluindo.”

“Caramba, eu estou evoluindo muito desde que comecei a conversar com ele.”

“Ah, mas eu não estou nem aí, não vou levar muito a sério, não.”

Sabe? É difícil.

Claro que se a pessoa talvez esteja mais ou menos

e a pessoa ver que você também está mais ou menos lá…

“Ah, hoje? Não. Hoje, está tudo bem.”

Por exemplo, foi essa semana-

Não, não foi essa semana, foi na última semana.

Eu estava doente e meu language partner da Finlândia também estava doente.

A gente fez uma chamada com as duas câmeras desligadas.

Porque eu falei, “Não, eu não vou pular a chamada, mas eu estou péssimo.”

Aí, ele falou, “Não, eu também estou doente.”

“Tá, mas então, a gente faz com a câmera desligada, mas vamos fazer a chamada.”

Estava ali e nenhum dos dois falou, “Ah não, hoje não precisa, porque…”

É uma coisa séria, eu coloco na minha agenda.

E meus language partners sabem disso.

Eles têm um espaço na agenda bloqueado para que eles possam falar naquele dia.

Então, nenhum language partner meu falou,

“Olha, vamos ver o dia em que a gente pode falar.”

“Você me manda mensagem, eu te mando outra, a gente vê se vai combinar horário.”

Não, eles têm um horário bloqueado na agenda.

Então, eu não preciso mandar mensagem para eles dizendo,

“Vamos falar terça-feira?” “Não, a gente já tem horário.”

“Eu só vou chegar terça-feira e falar, ‘Tudo bem? Está aqui o link.

“Pode entrar na sala do Zoom’.”

Então, eu costumo brincar que, “É você quem tem que dar o tom.”

Se você está buscando uma pessoa séria, você tem que mostrar.

Saber desde o início que você tem metas, que você tem objetivos,

que você leva a sério, eu acho que é muito importante.

Então, eu acho que agora, para complementar e talvez

terminar o nosso bate-papo de hoje, que já está sendo muito legal,

mais uma pergunta…

Para as pessoas, para quem está considerando aprender outros idiomas,

talvez até para pessoas que nem têm tanto interesse.

Patrick, qual seria o motivo pelo qual-

Ou existiria algum motivo pelo qual você diria assim,

“Olha, vale a pena.”

“Vale a pena e”, sei lá, “mudou minha vida e pode mudar a sua também.”

O que você diria para quem talvez tenha um pouco de interesse?

Que possa ajudar à pessoa realmente a dar o primeiro passo?

Olha, essa é uma pergunta difícil.

Essa é uma pergunta bem difícil.

Mas assim, muda completamente-

É até difícil imaginar-

Hoje, é difícil imaginar uma vida totalmente em português.

Onde eu uso só o português e falo só em português.

Então, quando você aprende um idioma novo-

E eu não digo que todo mundo precisa dedicar sua vida a aprender vários idiomas

e ser poliglota, e falar mais de dez, doze, vinte idiomas.

Mas você precisa se dar a chance de-

Se dar a chance de se comunicar com os idiomas mais importantes do mundo.

Porque quando você não faz isso, você está de certa forma confinado.

É que é um confinamento que você não percebe.

Mas você está confinado.

Você está confinado em termos de conteúdo, você está confinado a-

Você pode pegar uma área simples do conhecimento,

“simples” entre aspas, mas por exemplo…

Motivação e toda essa galera que fala sobre motivação no Brasil…

90% dos conteúdos já existiam lá fora há alguns anos antes,

mas você não conseguia consumir direto da fonte.

E isso acontece com várias, várias e várias áreas do conhecimento.

Você precisa esperar que alguém vá direto na fonte, porque ela está em outro idioma,

e alguém beba dessa fonte primeiro

e depois recrie isso de uma outra maneira para que você possa consumir esse conteúdo.

Então, você está confinado de certa forma quando você se limita a só o seu idioma.

Você não tem acesso às melhores oportunidades,

aos melhores conteúdos, às melhores informações.

Porque as melhores informações dificilmente vão estar no seu idioma materno.

E mesmo se-

Para quem está ouvindo esse podcast, provavelmente ou está aprendendo português

ou é brasileiro mesmo ou tem português como língua materna.

Então, você está confinado de certa forma quando você faz isso.

E é uma experiência que…

Sabe? É até difícil descrever o quanto vale a pena.

Mas depois que você descobre e depois que você transforma, você vê,

“Caramba, realmente, eu estava confinado. Olha o que eu consigo fazer agora.”

“Não resta dúvida.”

Eu já vi gente que fala assim,

“Não, eu não sei se valeria a pena aprender um segundo idioma ou não.”

Mas eu nunca vi ninguém falando assim,

“Aprendi um segundo idioma, mas não valeu a pena.”

– Eu nunca vi ninguém falar isso. – É verdade.

– “Aprendi, mas não valeu a pena.” – Com certeza.

Você está certo, Patrick.

Este foi um bate-papo muito legal.

Continuaremos este bate-papo algum dia, com certeza.

Para o pessoal que está ouvindo o podcast, muito obrigado também por ouvir.

Um grande prazer, Patrick. E com certeza-

Ah, e para o pessoal também, sigam o Patrick nas redes sociais.

Vamos deixar os links aqui também.

Ele é um convidado muito ilustre, então quem sabe o teremos novamente no futuro.

Muito obrigado pelo convite, é sempre um prazer.

E um grande abraço.

Um grande abraço.

#2 A motivação para dominar vários idiomas (1)

Afinal, vale a pena aprender novos idiomas? Saiba o que motiva um poliglota a aprender e eventualmente dominar novos idiomas! Neste episódio do nosso podcast, o poliglota Patrick Lencastre (fluente em vários idiomas) explica o que o motiva para aprender novas línguas. Outros tópicos interessantes sobre o aprendizado de idiomas são abordados, como “terceirização de escolha do idioma a ser aprendido” e como achar bons “language partners! Além disso, neste episódios abordamos o tema de estarmos “confinados” caso possamos falar apenas um idioma.

Olá, meus amigos. Hoje, temos um convidado muito especial.

O Patrick é um poliglota muito fera,

ele fala vários idiomas, sempre está aprendendo novos idiomas.

Eu vou perguntar para ele, “O que te motiva a aprender um novo idioma?”

E se você estiver ouvindo o nosso podcast do LingQ,

por favor, deixe a sua avaliação na Apple, nos siga no Spotify,

também no Google Podcasts ou SoundCloud.

E claro, não deixe de clicar em “Curtir” nos episódios que você mais apreciou.

E para quem ainda não conhece o LingQ e estiver aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

Com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas que você não conhece para ver a definição.

Então, agora, vamos começar nosso bate-papo com nosso amigo, Patrick.

Boa noite, Patrick. Tudo bem com você?

Olá, boa noite. Obrigado por me receber. Tudo bem?

Tudo bem, um grande prazer. O prazer é todo nosso.

E você, Patrick, é um poliglota nascido.

Você gosta de aprender idiomas, você sempre está aprendendo novos idiomas,

aperfeiçoando os idiomas que você já fala também,

eu vi que você sempre está fazendo novas lições, então eu pensei,

“Por que não bater um papo legal hoje sobre, simplesmente, motivação?”

Então, o que te motiva a aprender idiomas, eu acho que é um papo bem legal,

especialmente- A gente nem precisa conversar,

tentando convencer as pessoas a aprenderem novos idiomas.

Realmente, só- Porque-

Bom, para mim, também, porque eu adoro aprender idiomas,

eu tenho uma alta motivação para aprender idiomas.

Mas a gente pode, realmente, falar das perspectivas para todo o público.

Porque geralmente, eu e você estamos nos comunicando com pessoas que

já têm um interesse em aprender idiomas.

Então, vai ser legal também dar uma perspectiva, até para quem realmente

não tem necessariamente o mesmo nível de motivação

ou talvez não tenha o mesmo nível de interesse.

Então, eis uma boa pergunta, “O que te motiva, Patrick?”

“Para aprender idiomas e também para melhorá-los e tudo mais?”

Essa é uma ótima pergunta, ela vai direto no centro da questão, na verdade.

Eu gosto muito de dizer que a sua motivação é a coisa mais importante.

Porque você pode ter um bom método, você pode ter uma boa rotina,

mas quando você começa a aprender um idioma novo, tudo é tão incrível.

Cada som novo que tem no idioma, você fala, “Nossa, isso é muito legal.”

Então, você pode começar a aprender o mandarim e você pode falar,

“Nossa, eles têm tons. Olha só.”

“Então, se eu troco aqui o tom dessa palavra, eu troco o significado.”

“Isso é muito legal, isso é incrível.”

Daqui a algum tempo, você não vai sentir mais que é tão incrível assim.

Porque você já sabe, não é mais uma novidade.

Quando você for estudar, você vai falar,

“Nossa, mas eu já estou tentando pronunciar isso corretamente há três meses e não sai.”

Se nesse momento, você tiver uma motivação que não é na verdade uma boa motivação

e sim uma curiosidade, a chance é que você vai falar,

“Não, eu dei uma estudada no mandarim, mas eu não segui adiante.”

Porque você tinha uma “motivação”, entre aspas, fraca.

Então, a sua motivação tem que ser forte o suficiente para que-

para que quando chegar esse dia, você vai falar,

“Nossa, eu não aguento mais estudar os casos do russo e continuar errando.”

“Porque”, não sei, “quando eu vi que tinha casos, eu adorei.”

“Mas agora, parece que toda frase que eu falo tem um erro, porque…”

É nesse momento que você vai ter que olhar para a sua motivação e falar,

“Eu estou estudando por isso.”

“Não, eu não posso esquecer que eu estou estudando por isso.”

E se não tiver isso, se você olhar para lá, “Eu não estou estudando por isso.”

“Isso, na verdade, é porque eu só estava um pouquinho curioso mesmo.”

“Ah, eu só estava um pouquinho curioso, está difícil para caramba, deixa para lá.”

Então, exatamente o que me motiva, isso varia de um idioma para outro.

Para cada idioma, vamos dizer assim, teve uma certa motivação.

E você pode até-

Se você mapeasse os meus idiomas, você iria falar,

“Nossa, o Patrick fala melhor esse idioma do que esse e esse do que esse.”

Tudo isso está ligado à motivação.

“Por que eu aprendi aquele idioma? Por que eu aprendi? Por que e como?”

Mas você vê que isso altera o resultado.

Então, se você não tem uma boa motivação, eu sugiro que você ache uma boa motivação

antes de começar, de fato, a aprender o idioma.

Você pode gastar bastante tempo nisso até.

“Ah, eu estou me perguntando, ‘Qual idioma eu vou aprender?’.”

Essa pergunta é muito importante.

Às vezes, eu vejo que as pessoas até terceirizam isso.

“Ah, você acha que eu devo aprender alemão ou russo?”

Não sei, cara. Porque a sua motivação vai fazer essa diferença.

Porque quando você estiver lá, naquele dia em que você vai falar,

“Não consigo pronunciar isso certo de jeito nenhum.”

“Não consigo manter esses casos corretamente de jeito nenhum.”

Não vai fazer diferença nenhuma o fato de eu ter te falado assim,

“Ah, está muito difícil, mas o Gabriel falou que era para eu estudar russo.”

Essa é uma pergunta- Realmente, eu-

Por exemplo, no meu canal, toda hora tem gente perguntando,

“Gabriel, qual é o próximo idioma que eu devo aprender?”

“Ah, eu devo aprender espanhol ou russo?” “Eu devo fazer isso ou aquilo?”

E sempre, eu basicamente falo o que você disse.

Realmente, primeiro, é uma coisa individual.

Quais são os motivos pelos quais você-

Então, não dá para terceirizar e eu falar, “Aprenda russo, porque eu gosto de russo.”

Para o brasileiro, em específico, no geral.

Se um brasileiro chegar para mim e falar,

“Gabriel, devo aprender inglês ou sueco?”

Geralmente, eu vou falar, “Bom…”

“No geral, no mundo, vai ser mais útil aprender inglês para o brasileiro.”

Agora, eu não sei se a pessoa vai ter uma motivação especial.

“Ah, eu tenho uma esposa sueca, então eu quero aprender o sueco.”

Daí, é uma questão pessoal de motivação.

Daí, é outra história.

Mas realmente, isso de terceirizar a escolha de um idioma

é algo realmente muito interessante. Acho que daí, também tem que se perguntar,

“Bom, se você quer realmente aprender, se você está com essa dúvida.”

Por exemplo, “Ah, agora estou com dúvida, devo aprender francês ou alemão?”

“E quero aprender francês, porque estou apaixonado pela língua e cultura francesa.”

“E alemão, porque tenho a opção de trabalhar na Alemanha no futuro.”

Eu acho que a questão, realmente, é se perguntar,

“Qual a importância dessa oportunidade de trabalho na Alemanha no futuro?”

“E será que- E ela sendo considerada em relação à sua paixão pelo francês?”

Como nesse exemplo bobinho que estou dando, você tem que considerar essas duas coisas.

O que eu fiz, por exemplo, quando eu cheguei no momento no qual-

O Patrick já deve conhecer um pouco dessa história.

Quando eu cheguei a um bom nível de inglês, e demorou muito muito tempo para eu chegar,

eu me deparei com essa questão.

Eu estava interessado em aprender francês e alemão

por motivos diferentes, mas parecidos. Eu tinha interesse em ambos os idiomas.

Então, pensei, “Poxa, será que eu aprendo alemão ou francês?”

E no final das contas, eu decidi aprender os dois ao mesmo tempo.

Então, foi uma escolha que eu fiz.

Mas isso é um papo legal que eu acho que a gente pode ter numa próxima vez.

Mas uma pergunta interessante também seria-

Mas claro que você, especialmente como poliglota, você fala vários idiomas.

Você está aprendendo sempre mais.

“No geral, o que te motiva?”

Eu acho que essa é uma questão interessante. E também,

“Qual foi o motivo pelo qual-“

“No início da sua jornada, quando você aprendeu o seu segundo idioma,

depois o terceiro e tudo mais.”

“Será que foi a mesma motivação geral para idiomas?”

“Ou foi apenas a motivação inicial do primeiro idioma?”

Bom, eu poderia dizer que a motivação geral está ligada a me comunicar com as pessoas.

E tem um exemplo legal que ilustra isso quando eu comecei a aprender hebraico.

Eu tinha a ideia de aprender o hebraico bíblico.

Mas não fluía.

Eu fazia um progresso muito pequeno, eu não me divertia muito,

porque o meu método sempre envolve language partners

e conversar com as pessoas, conversar muito, conversar e conversar.

Mas com o hebraico bíblico, eu não podia fazer isso.

Então, eu não estava evoluindo.

E no momento que eu fiz a troca, eu falei,

“Bom, então, eu não vou aprender hebraico bíblico, eu vou aprender hebraico moderno.”

Pronto, fluiu.

E eu fiz a mesmíssima coisa com o grego.

Eu falei, “Não, eu vou aprender grego koiné para ler o novo testamento.”

E eu tive o mesmo problema.

Eu fiz a mesma coisa e tive o mesmo resultado.

Então, eu não sei se eu conseguiria, por exemplo, falar-

Falar até é esquisito.

Eu não sei se eu conseguiria dominar 12 idiomas mortos.

Como línguas antigas, línguas-

Porque, não sei, isso anula tudo o que eu gosto de fazer.

Isso anula o que eu faço para aprender idiomas, que é conversar com as pessoas.

Então, essa é talvez uma das chaves do meu aprendizado.

E outra coisa interessante, você pode notar se você me acompanhar,

“Ah, quais são os idiomas que o Patrick fala e por quê?”

“E quais os que ele não fala mais?”

Os idiomas que eu abandonei,

eu abandonei os idiomas, porque não tinha pessoas com quem eu podia falar.

Então, isso já aconteceu.

Eu comecei a estudar um idioma, não encontrei language partners,

não tinha pessoas com quem eu pudesse falar.

Então, o idioma ficou de lado.

E os idiomas que eu falo dão uma performance melhor.

Você vai ver que eu tenho o mesmo language partner há anos.

Ou é um language partner com quem eu me identifico muito.

Então, talvez a motivação central seja me comunicar com as pessoas.

Como você gosta de dizer, “Languages connect people.”

“Languages connect people.” (Idiomas conectam as pessoas)

Sim, com certeza.

Eu acho que nós temos isso em comum.

Essa vontade de se comunicar com as pessoas.

De entender pessoas de outras culturas.

De ter essa conexão tão especial com as pessoas.

Então, você diria que essa é uma das suas maiores motivações para aprender um idioma?

Sim, inclusive agora que eu já me conheço melhor do que me conhecia quando comecei.

Essa é uma coisa curiosa.

Eu primeiro procuro um language partner, depois eu começo a estudar um idioma.

Então, muitas vezes, as pessoas acham até estranho.

As pessoas me respondem quando eu procuro. Quando eu abordo a pessoa, ela fala,

“É, mas você já fala alguma coisa?” “Não, nada, nenhuma palavra.”

“Mas você vai falar comigo?”

“Não, porque eu vou te ajudar, eu vou te ajudar no idioma que você quiser

e eu vou te ensinar, mas eu quero que você me ensine, eu quero conversar com você.”

E a pessoa fala, “Ué, mas você não fala nada, como a gente vai conversar?”

E eu falo, “Não, eu quero ter a certeza de que vou ter alguém para conversar.”

“Eu vou ter alguém para conversar?” “Sim.”

Só então, eu começo. Sem isso? Não.

Então, é sempre o meu primeiro passo agora.

“Ah, eu quero-“

Se amanhã, a gente entra num acordo,

“Eu combinei com o Gabriel que a gente vai estudar estoniano.”

Então, eu vou procurar um language partner de estoniano, é o primeiro que vou fazer.

Porque se eu não encontrar, eu não vou conseguir seguir em frente.

Esse talvez seja o downside do que me motiva.

Se eu não tiver com quem conversar, eu não estudo, eu não converso, eu não uso.

#1 Morando no Exterior: Desafios e Idiomas (2)

Morar no exterior é o sonho de muita gente, porém sempre existem desafios que podem nos pegar de surpresa – especialmente se não estivermos preparados. Nesta conversa, o Gabriel e o Thiago falam sobre a experiência de morar no exterior, incluindo a experiência de aprender um novo idioma.

porque senão, não vou sair dessa faculdade.”

Não, com certeza.

Mas por exemplo, no francês- Na França, quero dizer, é a mesma coisa.

Mas eu acho que provavelmente é mais intenso, digamos.

Porque na França, se tem alguém que você não conhece, você tem que usar o-

Seria o “Lei”, né? Então-

– Formal. – O formal.

E na verdade, a tendência do francês, especialmente com-

Para lidar com pessoas que você não conhece, seja no mercado,

seja em qualquer situação, eles têm uma linguagem super formal

e super elegante para falar com as pessoas.

E eles usam, eles falam “[???]” Quero dizer, eles usam o “vous.”

E logicamente, se você está num bar ou está com amigos, você usa o “tu”

que é o informal.

E daí, logicamente, tem um francês bem informalzão também,

com bastantes gírias e tudo mais que você pode usar com seus amigos.

Mas em qualquer situação, e não precisaria ser numa situação tão-

Tipo, numa universidade, não precisaria nem ser necessariamente assim.

Mas, mesmo na rua ali, se você estiver-

Por exemplo, se você falar ali numa padaria e se você usar o “tu”, vão falar assim,

“[???]”

– É tipo assim, é algo mais intenso. – Não, mas é assim aqui também.

Aqui, se você for no supermercado, eles usam o “Lei”,

que é a estrutura do italiano formal.

Se você for no caixa do mercado, vão falar com a pessoa no italiano formal.

Eu não falava, porque eu não via necessidade.

Na minha cabeça, “Por que tenho que falar ‘o senhor’ ou ‘a senhora’? Falo ‘você’.”

“Eu falo ‘você’.” Na minha cabeça, não era desrespeitoso.

Mas na cabeça deles, sim. Aí, é que está a questão de entender a cultura deles.

Para essa questão, eu pequei. Eu tive que ter sido chamado a atenção para entender,

“Opa, isso aqui não está legal. Esse meu lado não está legal, tenho que melhorar.”

E foi aí que eu peguei para-

Aí, eu comecei a usar o italiano formal com os meus amigos e eles rachavam o bico.

Nossa senhora.

Dentre o bullying, né?

Eles davam risada para caramba, porque eu falava formal com eles para treinar, né?

Eu só tive amigos italianos, eu só tenho amigos italianos até hoje.

Eu usava a amizade deles para treinar.

“Ehi, signore!”

Usava, era mais ou menos assim.

Não sei, não todo o tempo, mas meio que umas duas horinhas por dia,

eu enchia o saco deles usando o italiano formal.

– Muito bom. – Mas serviu, foi útil.

Não, faz sentido.

É a amizade que- Assim, na maioria dos países da Europa, eu acho-

Agora, fora a Inglaterra. O pessoal geralmente é-

Assim, você pode usar uma linguagem bem informal.

No caso, por exemplo, até no Norte, eles falam muito assim,

“Oh, how are you, love?” (Oh, como vai, querido?)

– Assim, são bem mais informais. – São bem informais.

E não tem o-

“You” é “you.” Não tem o “you” formal e o “you” informal.

Mas para o Alemão, por exemplo, também tem o “sie.”

Então, quero dizer-

E logicamente, como na Itália e como na França, você também tem que usar o “sie”

numa situação com alguém que você não conhece.

– E o “tu”, que é “você.” – [???]

Exatamente, você pode usar só com amigos mesmo e pessoas que você já conhece.

É, para o nosso português, seria “o senhor” ou “a senhora.”

A nossa forma de falar o “você” de uma maneira formal

é encaixando esse “o senhor” ou “a senhora.”

Sim, exatamente. “O senhor” que é-

“O senhor poderia me informar sobre alguma coisa?”

Exatamente.

Só que no português, é mais fácil, porque é só você colocar

“o senhor” ou “a senhora”, o verbo não muda.

“Você quer” ou “o senhor quer”, o verbo “querer” fica igual.

No italiano, já muda a conjugação também.

É um pouquinho complicado.

Serve um pouquinho de estudo, de tempo, para você pegar.

Mas quando pega também, já vai no automático.

Com certeza.

Então, essa questão da cultura-

Não é só a linguística, é da cultura do país, é algo-

Acho que é muito importante também para a gente,

mesmo só viajando, não necessariamente mudando para o país, é importante ter

uma noção legal da cultura, de como funcionam as coisas, do que deve ser feito,

das palavras que temos que usar com as outras pessoas, quero dizer.

Porque são tantas coisas, considerações muito importantes.

– Thiago, muito obrigado pela participação. – Obrigado.

Esse papo foi enriquecedor, foi um bate-papo muito legal.

Obrigado a você, Gabriel.

Show de bola.

E no futuro, quem sabe, podemos fazer mais bate-papos legais como este.

Muito obrigado por participar do podcast do LingQ.

Obrigado a você, eu te agradeço,

também ao pessoal que está assistindo à gente.

E boa sorte nesse novo projeto seu.

Muito obrigado, Thiago. E também vou deixar-

Pessoal, para seguir o Thiago, para quem quiser simplesmente bater papo com ele

ou também para aprender italiano, vou deixar aqui o link dele.

Todos os links. Do YouTube, do Instagram e tudo mais.

Beleza?

– Então, grande abraço, Thiago. – Grazie, Gabriel.

#1 Morando no Exterior: Desafios e Idiomas (1)

Morar no exterior é o sonho de muita gente, porém sempre existem desafios que podem nos pegar de surpresa – especialmente se não estivermos preparados. Nesta conversa, o Gabriel e o Thiago falam sobre a experiência de morar no exterior, incluindo a experiência de aprender um novo idioma.

Bom dia, meus amigos!

Hoje, vamos falar com um convidado muito especial,

o nome dele é Thiago, ele mora na Itália.

Ele nasceu e cresceu no Brasil, mas depois morou em Dublin também na Irlanda

e acabou se mudando para a Itália, e ainda mora lá.

Vamos falar sobre morar no exterior, sobre se mudar para o exterior,

sobre a cultura local e também sobre idiomas.

Vai ser um bate-papo muito legal e enriquecedor,

especialmente para o pessoal que está querendo, talvez,

se mudar para um outro país no futuro.

E se você estiver ouvindo o nosso podcast do LingQ,

por favor, deixe a sua avaliação na Apple,

nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud, e claro,

não deixe de clicar em “Curtir” nos episódios que você mais apreciou.

E para quem ainda não conhece o LingQ e está aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu pessoalmente uso o LingQ todos os dias,

já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

Porque você pode escolher o tema que você quer estudar.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas palavras que você não conhece

para ver a definição e, assim, aprender.

Então, sem mais delongas, vamos falar com o nosso convidado de hoje.

Antes de começar, bom dia, Thiago. Tudo bem com você?

Prazer, prazer.

Eu vou me apresentar, me chamo Thiago Turibio.

Eu moro na Itália já tem um tempinho, desde setembro de 2012 que eu moro aqui.

– Ah, okay. Nove anos? – Já tem um tempinho.

Sim, nove anos.

Vim para cá, com a cara e a coragem, fiz faculdade.

E hoje em dia, ensino italiano na internet para brasileiros.

– Muito bom. – É só um resuminho aí.

Show de bola.

Então, você se mudou para a Itália para fazer a faculdade lá?

Exato, vou contar a história verdadeira.

Essa é a história que eu coloco no currículo, né?

A história real é que antes de vir para a Itália, eu morei em Dublin na Irlanda,

onde eu conheci uma pessoa,

uma menina italiana, que está comigo até hoje, inclusive.

Wow, que legal. Parabéns!

E foi por causa dela que eu vim para a Itália.

Foi por amor, né? Eu vim para a Itália por amor.

Só que eu não queria vir-

Uma história romântica para os nossos ouvintes.

Exato.

Eu não queria vir por vir aqui, eu queria vir-

Claro, ela era a razão principal,

mas eu queria unir o útil e o agradável.

Já que eu queria vir para a Itália para procurar fazer alguma coisa

que agregue algo na minha vida.

Então, eu fui buscar informações sobre como fazer faculdade aqui. Aí… né?

É um processo longo.

Eu comecei a faculdade aqui e tudo mais, aí fui embora, né?

Muito bom, mas o seu sobrenome é italiano. Então, você é descendente?

– Não tenho descendência. – Não?

Não tenho descendência italiana.

Apesar que “Turibio” pode ser que tenha alguma coisa ligada a origens italianas,

só que ninguém da minha família correu atrás.

Tipo assim, eu vim para a Itália não por buscar, por ter descendentes

ou por buscar cidadania, porque a maioria dos brasileiros que vêm para cá

é por causa disso, né? Porque têm descendentes italianos,

então eles vêm para cá para conseguir a cidadania.

No meu caso, foi simplesmente mesmo porque conheci a Kiara, me apaixonei e vim pra cá.

Se ela fosse espanhola, eu teria ido para a Espanha.

Se ela fosse chinesa, eu teria ido para a China.

É isso aí.

Acabou que o destino quis que ela fosse italiana e cá estou eu.

Só que eu não tenho cidadania e nada.

Eu sempre tive visto, visto de estudo nos primeiros cinco anos,

foram cinco vistos de estudos, porque tem que renovar todo ano.

E depois que eu terminei a faculdade, visto de trabalho.

E depois, quando acabou o visto de trabalho, eu peguei uma-

Tipo, é como se fosse uma “cidadania” para uma pessoa que mora aqui há muito tempo já,

para um estrangeiro que mora aqui há muito tempo já.

É uma “carta di soggiorno”.

É como se fosse uma cidadania italiana, mas para uma pessoa que não tem direito

para uma cidadania por sangue, mas tem por tempo de residência,

por tempo de contribuição e tal.

Ah, legal. E aqui na França, é “carte de séjour”.

– Então, é bem parecido. – “Carte de séjour?”

Essas línguas latinas.

Logo antes de começarmos o nosso podcast, batemos um papinho rápido sobre esse tema,

que é super interessante. Porque afinal, como todo mundo sabe,

logicamente, muitos amigos brasileiros querem morar no exterior

e começam a escolher um país, né?

Às vezes, vai ser para os Estados Unidos, vai ser para a Europa.

Logicamente, quem tem uma ascendência de um país europeu pode também batalhar,

buscar a cidadania portuguesa, italiana, espanhola, ou seja lá qual for.

E daí, vem sempre, logicamente, também a questão do idioma.

E isso é uma questão que realmente me fascina,

porque tem muita gente que toma decisões meio interessantes em relação ao idioma,

porque pensa assim,

“Ah não, eu acho que eu vou com a cara e a coragem, aprendo lá mesmo.”

Especialmente o italiano, sendo- Por exemplo, nesse nosso exemplo aqui.

Se você quiser morar na Itália ou Espanha, ou sei lá, talvez na França,

“É um idioma latino, vou mandar ver.”

Eu me mudei para o Canadá com 17 anos, já tinha feito curso de inglês por 6 anos.

Para quem já conhece a minha história, basicamente, eu vim aqui e apanhei ainda

para chegar num nível conversacional, assim, muito bom.

Daí, essa é outra história, mas-

Deixa eu só te interromper um pouquinho, Gabriel.

Essa questão de que você estudou seis anos o inglês antes de ir para o Canadá.

Isso foi a mesma coisa que aconteceu comigo quando eu fui para a Irlanda.

Eu sempre estudei inglês na minha vida, e quando fui para a Irlanda, tinha 18 anos.

Desde pequeno, eu estudei inglês nessas escolas convencionais, né?

Escolas de idiomas.

Eu cheguei lá e sofri, eu não conseguia me comunicar direito.

Eu não conseguia me comunicar.

Já entender o irlandês é difícil, porque eles têm 3 batatas na boca quando falam.

Sim, o sotaque é interessante mesmo.

Mas eu entendia uma coisa ou outra ali, eu entendia o contexto.

Mas responder? Nossa senhora. Travado, travado total.

Eu fui aprender lá, eu aprendi lá.

Sim, exatamente.

Comigo foi a mesma coisa. Então, eu cheguei aqui-

Basicamente, de uma maneira relativa,

por exemplo, eu estava num nível mais alto que os outros brasileiros que vieram.

Isso era inegável, porque, por exemplo, eu já tinha completado o curso e tudo mais.

Até a minha leitura e gramática eram boas,

porque afinal, eu já tinha me dedicado bastante na escola e tudo mais.

Mas na hora de comunicar, para entender o inglês falado?

Nossa, como eu apanhava.

Não quero parecer também que a gente está tentando convencer a todos os brasileiros a

necessariamente aprender o idioma se quiser morar num outro país.

– É muito de cada um, isso. É pessoal. – Muito de cada um, exatamente.

É pessoal, realmente.

Mas eu diria que, inevitavelmente, vale a pena.

E tendo uma grande exposição, é isso o que acontece.

Você vai de pouco em pouco, quase por osmose, absorvendo o idioma.

E é uma coisa tão rica, tão interessante, tão bacana.

Você pega, escuta, aprende aquilo.

Depois de umas três vezes que você escutou, você já sabe usar.

E é um processo tão natural, tão bonito, de aprender o idioma e entrar na cultura.

Thiago, você tem alguma história engraçada sobre-

– Da língua italiana? – Sobre o italiano?

Tenho, tenho algumas.

Mas tipo assim, quando eu cheguei aqui bem no início mesmo,

acho que era a primeira semana, eu arrumei um biquinho em uma cafeteria.

Aí, eu estava conversando com o dono da cafeteria.

Aí, ele me pediu para ir no supermercado comprar “patatine.”

Ele me falou, “Vá no mercado comprar ‘patatine’.”

Depois, eu vou falar o que significa “patatine.”

Eu pensei, “Caramba, ‘patatine’?”

“Sei que ‘batata’ em italiano é ‘patata’, mas por que ele falou ‘patatine’?”

Associei “patatine” com a palavra “patata”, que eu já conhecia como “batata”,

porque só muda uma letra para o português.

Aí, o que eu fiz? “Nossa, meu.”

“É uma cafeteria, ele não vai querer batata para servir pros clientes, né?”

Fui no mercado já meio, “O que deve ser esse negócio?”

Aí, rodei o mercado todinho até achar. “Meu, vou achar o nome escrito, patatine.”

Porque o legal da língua italiana é que eles falam realmente como escreve, né?

– Eles falam cada sílaba. – Sim, é que nem o Francês.

Exato.

Então, se você está numa dúvida, você consegue se você lembrar o sonzinho,

se você souber o sonzinho de todas as sílabas em italiano,

você consegue meio que imaginar como a palavra é escrita.

Então, fui no mercado e fui procurando essa palavra.

Fui procurando a palavra ‘patatine’ em todos os repartes do supermercado.

Até que me deparei no reparte de…

“Salgadinhos.”

Eu pensei, “Pelo amor de Deus. ‘Patatine’ é ‘salgadinhos’ em italiano.”

Eu não sabia, nunca mais esqueci.

Muito bom.

Bem, na minha cabeça, veio “batatinha.” Né? Porque ‘patatine’ é-

É, ‘patatine’ seria-

É, eu imaginei, “Não é uma batata pequena?”

Porque em ‘patatine’, o sufixo ‘ine’ é diminutivo em italiano,

seria “inho” ou inha.”

Só que no caso, não era. Era “salgadinho”, né?

Era “salgadinho”, não era uma “batatinha pequena.”

Muito bom, muito bom.

Mas você tem alguma história, por exemplo, de um momento mais constrangedor

por não saber o idioma ou algo assim?

Porque também tem muita gente que fala-

Uma pergunta que me fazem com frequência, especialmente para o brasileiro

que quer sair, que quer morar no exterior,

“Você já teve um momento constrangedor quando falava o idioma?”

Bom, já que eu falava, mesmo que apanhando um pouco para me comunicar e tudo mais,

eu não lembro de ter tido muitos momentos tão constrangedores.

Tive sorte de também nunca me sentir, por exemplo, discriminado aqui no Canadá.

O canadense é geralmente bem tranquilo, tranquilão assim, sabe?

Especialmente porque fiz amizades aqui.

Então, tem muita gente que me pergunta,

“Gabriel, você já teve situações constrangedoras?”

“Você já sentiu discriminação?”

– E com você, Thiago? – Em relação a discriminação, nunca.

Nem na Irlanda, nem na Itália.

Graças a Deus, até porque eu não saberia qual seria a minha reação.

Mas nunca aconteceu, menos mal.

– Menos mal, com certeza. – Exato.

Mas em relação de uma situação constrangedora, aconteceu já.

Tipo, na faculdade.

Aqui na Itália, a gente faz prova escrita e depois uma prova oral da mesma matéria.

E o que acontece aqui? Eu fazia as provas escritas e tal,

e quando chegava na prova oral, eu tinha que falar tête-à-tête com o professor.

Só que quando falamos com um professor, com uma pessoa idosa, com o seu chefe,

a gente tem que usar o italiano formal.

E eu não sabia usar o italiano formal.

Então, eu falava de uma maneira informal com os meus professores.

Alguns deixaram passar, porque viam que eu era estrangeiro.

Mas teve um que chamou a minha atenção na frente de todo mundo

e foi bem constrangedor.

Teve um que chamou a minha atenção, ele falou algo assim,

“Com um professor, se usa o italiano formal.”

Ele falou assim, “[???] a um professor.”

“Mi scusi! Mi scusi!”

Foi bem constrangedor. E depois dessa-

Porque na minha cabeça,

“Ah, eu já sei falar italiano aqui com meus amigos e tal, já estou mandando bem.”

Só que também, faltava uma coisinha.

Se fosse para viver, para o dia-a-dia, para o cotidiano, okay.

Mas num contexto mais sério, como numa faculdade, não estava okay.

Precisava de mais, não estava okay o que eu já sabia.

Foi aí que acendeu a luzinha,

“É, eu acho que vou ter que aprender a usar esse formal,

Setúbal

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Susana speaks with Andreia, a fellow student in a multimedia course, about the city of Setúbal. After finishing a project, they continue their conversation and Andreia speaks about the neighbourhood in which she grew up;a neighbourhood of fishermen on a river. (A Andreia é colega da Susana num curso multimédia que estão ambas a fazer sobre a cidade de Setúbal. Depois de um projecto continuaram a conversar e a Andreia falou do bairro onde nasceu e onde passou a sua infância: um bairro de pescadores, junto ao rio).

Susana: Olá bem vindos a mais um podcast do LingQ. Eu, há alguns dias, estive a falar com uma colega minha chamada Andreia acerca da sua cidade, acerca de Setúbal. E nós estivemos a conversar, mas como só tínhamos um microfone e ela é que o tinha, a minha voz ficou-se a ouvir mesmo muito ao fundo, e era mesmo difícil compreender aquilo que eu dizia, por isso…. E eu só reparei, acabei por só reparar nisso quando cheguei a casa e depois tive a ouvir aquilo que tínhamos gravado.

Por isso aquilo que vou fazer neste podcast é repetir por cima, e agora gravando em casa, por isso não reparem quando não ouvirem o barulho de fundo, porque eu gravei com a Andreia nos jardins da Gulbenkian, que são em Lisboa e é um jardim no meio da cidade que tem muito espaço e muitos pássaros, e muito barulho envolvente.

É ao pé do museu de arte moderna, do museu de arte contemporânea, e de vez em quando até passavam aviões, por isso… Agora em casa, é noite, ninguém está a fazer barulho, por isso não estranhem a diferença de sons.

Bem, eu agora vou introduzir-vos um bocado na conversa, como fiz na altura.

A minha colega Andreia vive em Setúbal, ela é minha colega de um curso multimédia de jornalismo que eu estou a fazer para complementar a minha licenciatura. Eu estou a acabar a minha licenciatura em jornalismo. E esse curso que estamos a fazer, esse curso multimédia, tem como objectivo a produção de um site com conteúdos sobre Setúbal. Então uma das ideias que a gente teve foi fazer uma espécie de sete maravilhas de Setúbal. Escolhemos sete lugares de Setúbal, depois fizemos uma peça com áudio e com fotografias acerca desses sítios que tínhamos escolhido. Um deles foi as Fontaínhas, que é um bairro, um bairro de pescadores. Porque Setúbal é uma cidade à beira-rio, e o rio e a pesca sempre foram actividades que tiveram sempre muito presentes na vida dos setubalenses.

Por isso pensámos que esse bairro típico era uma boa ideia para a gente fazer um trabalho. A Andreia viveu lá em pequena e foi acerca da sua vida lá em pequena que nós estivemos a conversar. Andreia : Então queres que eu fale do bairro onde vivi.

Quando eu era miúda viviam muitas crianças no bairro das Fontainhas. A escola era relativamente perto, nós íamos a pé, íamos sempre em grupo: cinco, seis, sete, dependendo. O que acontecia é que a Andreia saia de casa, da casa da ama, sozinha, subia aquela rua, subia até à porta do primeiro colega que fazia companhia até à porta do segundo colega, e assim íamos todos em grupo para a escola, o que era muito engraçado porque acabámos por crescer todos juntos. Éramos da mesma turma.

Íamos e vínhamos da escola (SPEAKING ERROR: the verb IR asks for the preposition PARA and the verb VIR ask for the preposition DE. So the correct way is: Íamos para a escola e vínhamos da escola or íamos para a escola e vínhamos de lá) uns com os outros… esta parte não ficou muito bem, mas tu percebeste. Ninguém nos fazia mal, éramos muito unidos. E o caminho para a escola era sempre recheado de brincadeiras e malandrices: coisas de miúdos!

Então esse bairro foi o bairro onde a minha família se formou, onde se começou a construir, porque a minha mãe nasceu no número oito, eu acho que foi… vou dizer, no número oito do largo das machadas, que é perto de onde para mais tarde foi morar e na altura era um sitio que, como ficava muito perto do rio, era onde os pescadores da altura moravam, porque era muito fácil saírem de casa… era muito fácil, não era fácil, não era uma vida fácil, mas era fácil saírem de casa para ver se o barco estava bem amarrado, para ver se as redes estavam prontas para ir para o mar, para se certificarem de que estava tudo certo. Porque é o ganha-pão e foi durante muitos anos o ganha-pão daquela gente.

O que havia para comer, o que havia para gastar era o que o mar dava. E muitas vezes o mar não era generoso. Susana: Pois. É que Setúbal é uma cidade à beira rio, à beira do rio Sado. E apesar de ser uma cidade que está na margem sul do rio Tejo, portanto a trinta, quarenta quilómetros de Lisboa, Setúbal é uma cidade que está à beira do rio Sado. É uma cidade bonita, que em tempos foi muito pobre, onde só moravam pescadores e operários. E é mesmo isso que a Andreia disse, a verdade é que o mar tanto podia ser muito generoso, como ser muito pouco generoso. E aquilo que as pessoas comiam e o dinheiro que as pessoas tinham vinha do mar.

E o bairro das Fontainhas é um bairro no cimo de Setúbal, numa zona alta da cidade, e as casas eram simples e modestas com um, dois andares, mas com dois ou três quartos e ai viviam famílias muito grandes e em condições humildes porque o dinheiro que vinha do mar não era muito e muitas vezes nem dava para viver só com o dinheiro que vinha do mar. Andreia: No bairro das Fontainhas temos hoje o museu do trabalho que foi há muitos anos uma fábrica de conservas. A indústria conserveira foi o ganha-pão de muita gente, deu trabalho a muita gente, inclusive algumas tias minhas, também tive tias que trabalharam na indústria conserveira, tias-avós, na altura ganhavam muito pouco, mas era o trabalho que havia.

E não era um trabalho nada fácil: porque meter a mão no peixe e nas escamas e nas espinhas e o peixe muitas vezes ainda vinha gelado, vinha fresco, vinha directamente do rio… E alguém tinha de fazer esse trabalho, salgá-lo, primeiro amanhá-lo, depois salgá-lo, colocá-lo nos sítios certos para depois ser embalado, ser conservado. Susana: Bem, a conversa com a Andreia demorou mais alguns minutos, mas eu vou deixar o resto da conversa para um segundo podcast que hei-de postar mais ou menos ao mesmo tempo que este. A verdade é que é importante perceber que Setúbal (em especial o bairro das Fontainhas) foi uma cidade que há cerca de trinta, quarenta anos vivia muito do peixe, mas hoje já não vive tanto dele.

É uma cidade onde já há muito imigrantes, brasileiros, ucranianos, pessoas vindas de leste, e que começaram a ocupar as casas desses pescadores e que as conseguem recuperar e estimar. E pronto acerca dessas actividades: as pessoas continuam a ter um grande respeito e um grande orgulho por quem viveu do rio e do mar, porque se sabe que foram actividades bastante difíceis. No próximo podcast com a Andreia vamos ainda falar acerca do miradouro, das vizinhas que são… todos nós temos vizinhas, não é?

Mas as vizinhas portuguesas têm uma característica, não são só as de Setúbal, as vizinhas portuguesas têm uma característica que eu não sei se há em todo o lado. E vamos também falar de roupa estendida, roupa estendida nas varandas – o que não se vê só em Lisboa. Talvez também seja uma característica especial dos portugueses.

Não percam o próximo podcast em http://www.portugueselingq.com Até lá!

Luis & Pedro – Cultural Heritage

Study this episode and any others from the LingQ Portuguese Podcast on LingQ! Check it out.

Luis has to write an essay about Portuguese cultural heritage, so he asks for Pedro’s advice on what to write about.(Luis tem de escrever um trabalho acerca do património cultural português, e pede conselhos ao Pedro acerca dos conteúdos a explorar.) 

Luis: Sabes, eu a semana passada estava na faculdade, e foi-me pedido para fazer um trabalho acerca do património cultural em Portugal.

Das várias cidades e os vários… as várias atracções culturais que nós temos em Portugal, sítios de interesse.

Gostavas de me ajudar?

Pedro: Sim, penso que não é muito difícil tentar fazer aí umas sugestões para que tu possas fazer um bom trabalho.

Luis: Ah, obrigado.

Eu estava a pensar assim nas minhas experiências em Portugal, e bem, as mais recentes, vou começar por… não sei se conheces a Vila de Óbidos.

Pedro: Por acaso não conheço a Vila de Óbidos, sei que é para os lados de Lisboa, acho eu…

Luis: A Vila de Óbidos é um sítio extremamente bonito, que eu já lá fui umas quantas vezes, e gosto de ir pelo menos uma vez por ano.

Fica ao pé das Caldas da Rainha.

Pedro: Ah, então quer dizer que estou completamente a leste…

Luís: Não não, é cerca de quarenta e cinco minutos a norte de Lisboa, de carro, não é assim muito longe de Lisboa.

E eu normalmente costumo ir lá, não sei se já viste alguma imagem de Óbidos…

Pedro: Não, nunca vi, nunca vi.

Luis: …aquilo básicamente é uma vila medieval.

Ou seja, é uma vila que tem uma muralha à volta, foi… já tem muitos anos, não sei ao certo a idade daquela construção, mas é da altura da Idade Média.

E é uma cidade… uma vila, peço desculpa, construida num grande alto, numa escarpa com uma inclinação muito forte, o que é curioso, porque se fores a andar pela vila a pé – e o acesso aos carros ali é muito limitado – tu para andares cem metros cansas-te bastante porque tens de subir muito.

Pedro: Ai sim?

Luis: Exactamente.

Pedro: Curioso, faz-me lembrar um pouco Coimbra que também é uma cidade que é aos altos e baixos…

Luis: Exacto.

Pedro: Em que temos que andar muito.

Luis: Pronto, mas Coimbra também tem um valor cultural muito grande, mas tem muito mais desenvolvimento.

Pedro: Sim, é uma cidade, não é uma vila.

Luis: Óbidos é uma vila que eles tentaram perservar quase parado no tempo.

Claro que há muitos interesses turísticos também aí em jogo não é?

Não foi por acaso que eles decidiram não modernizar muito aquela vila, foi por uma questão de interesse turístico.

Mas penso que foi uma boa opção porque conseguiram manter a beleza histórica da própria vila, e tu passeias-te por aquela vila à noite, com aquelas luzes todas, a muralha, penso que até tem… não é bem um castelo nem bem um forte, onde há uma pousada inserida nesse forte, mas conseguiram manter as construções intactas, e as construções turísticas que acrescentaram foi sempre tendo em atenção a manutenção do que já lá estava.

Portanto, eu penso que é uma vila que é Património Mundial, e eu estava a pensar incluir esta experiência no meu trabalho, claro que vou ter de investigar melhor as origens, mas recomendo.

Acho que se não conheces era uma cidade… uma vila, peço desculpa, uma vila que era bastante importante conheceres tanto a nível de experiência pessoal, penso que ías gostar bastante.

Mas é um sítio imperdível, principalmente para quem vive em Portugal.

Pedro: Olha, a meu ver acho que realmente tens razão.

Eu não conheço Óbidos, nunca fui lá, mas pelo que tu acabaste de me contar, acho que sim, que é um ponto realmente interessante para baseares o teu trabalho, e acho que este tipo de vilas e de locais que são preservados para fins turísticos e não só, e também preservados na intenção de manter um pouco viva e perene a história do nosso país, são locais que devem-se manter, porque lá está, têm bastante história do nosso país, e se vamos estar a alterá-los vamos estar a perder um pouco dessa história do nosso país.

Não é que não deva haver inovação, acho que sim, as cidades são prova disso, são prova que o nosso país se tem vindo a desenvolver ao longo dos tempos.

Mas pronto, há que manter um pouco a nostalgia do que foi esta nação, para também nos apercebermos do quanto é que evoluimos.

E não só, acho que a meu ver, um também dos outros pontos interessantes desse tipo de locais que se mantém, digamos como tu falaste à bocado, parados no tempo, é a de nós realmente deixarmos um pouco para trás a realidade que nos rodeia no dia-a-dia, e entrarmos numa realidade nova que para além de servir de ponto de aprendizagem também é um ponto, vá lá, de descompressão do nosso quotidiano e é uma forma interessante, lá está como tu disseste, de passar bons momentos de lazer e também incluir nesses momentos de lazer, aprendizagem.

Portanto, por aí acho que tens realmente uma maneira interessante de abordares esse teu trabalho.

Ao falares-me de Óbidos e da sua intemporalidade que foi submetida para manter essa noção do que é que era o nosso país acerca de alguns séculos atrás, fizeste-me lembrar um pouco de Sintra.

Sintra, como tu sabes, já lá foste?

Luis: Já, já lá fui.

Pedro: Já lá foste a Sintra.

Eu só lá fui uma vez, que foi numa viagem de estudo quando andava na escola secundária, e realmente adorei Sintra.

Faz-me lembrar um pouco o que tu contaste sobre Óbidos porque também tem muita coisa que está preservada e que se tenta manter, não só como forma de atrair turistas, porque é necessário, um dos sectores da economia do nosso país, é o turismo…

Luis: Sim, é um dos principais… uma das principais fontes de rendimento do nosso país.

Pedro: Ora aí está.

E turismo em Portugal não pode ser só referenciado como o turismo das praias, porque nós temos uma costa enorme, portanto temos muitas praias, temos o Algarve pronto, mas também realmente este turismo cultural.

Sintra tem realmente essa intemporalidade, e também está envolta em outros aspectos, em factos históricos que são marcantes, e como tal acresce o seu valor cultural.

Pronto, dou também a sugestão de Sintra.

Agora, há também outras coisas interessantespara focares…

Luis: Sim, claro.

Quando me propuseram este trabalho eu pensei imediatamente – como penso que quase qualquer português – pensei naqueles simbolos históricos mais marcantes do nosso país, e que provavelmente todos os turistas que vêm fazer turismo mais virado para a cultura em Portugal, reconhecem mais facilmente, que é basicamente tudo o que está centrado em Lisboa.

Pedro: Ora aí está, eu estava a pensar nisso.

Luis: Exacto.

É óbvio que para mim seria muito mais… teria um trabalho muito mais simplificado se pegasse nesses marcos mais conhecidos de Portugal, tudo o que está centrado na nossa história de navegação marítima e da descoberta dos novos mundos.

Mas eu penso que o valor de Portugal também está em sítios muito menos conhecidos da população em geral.

Se calhar esse teu exemplo de Sintra, o que eu falei há pouco acerca de Óbidos, e outras terras que têm menos divulgação, eu penso que é muito mais importante se calhar para mim estar a fazer um trabalho acerca desses sítios, porque não estou a seguir aquela corrente de pensamento, de quando se pensa em cultura em Portugal é aqueles grandes feitos, aquelas coisas com grande magnitude… Penso que me interessa mais fazer acerca de culturas menos exploradas mediáticamente.

Pero: Olha, eu acho que tens toda a razão.

A prova disso é que eu não conheço Óbidos como já te disse anteriormente.

E também acho que se pegares por aí és capaz de vir a ter uma melhor nota.

Acho eu!

Luis: Eu espero que sim!

Pedro: É ou não é verdade?

Inês & Luis – Study and Erasmus

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Inês and Luis talk about their studies, and share their ideas on the Erasmus program.(Inês e Luís falam acerca dos seus estudos, e partilham as suas ideias acerca do programa Erasmus.) 

Luís: Olá Inês.

Inês: Olá Luís.

Luís: Então, está tudo bem contigo?

Inês: Está e contigo?

Luís: Olha, está tudo bem, o mesmo de sempre.

Inês: É?

Então?

Luís: Olha, é acordar, ir pra escola, pra faculdade ter as aulas, voltar pra casa…pronto é uma rotina.

Inês: Pois, é como eu…

Luís: Tu estás a estudar agora?

Inês: Sim.

Luís: E estás a estudar o quê?

Inês: Promoção artística e Património.

Conheces?

Luís: Olha por acaso já tinha ouvido falar desse curso mas ainda não sei muito bem do que é que trata…

Inês: A sério?

Pois é natural, este curso tem para aí cinco anos.

Luís: Ah…!

É um curso recente então…

Inês: É. É recente.

Luís: Ok, então e ‘tás a gostar?

Inês: Pá, até agora sim.

Luís: Hm.

Que tipo de disciplinas é que tu tens nesse curso?

Inês: Então Luís, tenho História de Arte, Património Literário, Fotografia, Design…é muito interessante.

Luís: Sim, parece-me bastante interessante.

Isso realmente é um curso que…

Inês: …com muita diversidade sim…

Luís: Sim pelo que tu me estás a dizer parece-me bastante completo…dentro da área da cultura, pronto dentro desses tópicos que tu acabaste de dizer.

Inês: Sim.

Então e tu ‘tás a estudar o quê?

Luís: Olha eu estou na escola de Ciências Empresariais, que penso que é ao pé da escola onde tu estudas também…

Inês: Sim sim.

Luís: … e estou a estudar Marketing.

Inês: Ah…e estás a gostar?

Luís: Olha, até agora não é um curso assim daqueles muito dificeis, como Medicinas e esses tipos de cursos que têm bastante que estudar, mas pronto é um curso que se faz bem se tu estudares, e que tem disciplinas interessantes e outras assim mais aborrecidas.

Inês: Tipo quais?

Luís: Olha, tens disciplinas, pelo menos pronto, pessoalmente eu acho que são mais complicadas, para realmente teres um interesse muito grande nessas disciplinas…Contabilidade, Estatística, Economia…são áreas de estudo muito técnicas, com muitos números, e é facil uma pessoa perder o interesse se não se aplicar…

Inês: Pois, compreendo.

Luís: Mas no geral, o que me agrada no curso é mesmo a área de actuação do próprio curso, ou seja, acabo o curso e posso trabalhar em áreas que me interessam mais.

Inês: Quais é que são as saídas do teu curso?

Luís: Olha, passa muito pela gestão de produtos, pela planificação de técnicas do próprio marketing que têm a ver com comunicação de empresas, de marcas…são áreas que sempre me interessaram um pouco.

Inês: O teu curso também ‘tá relacionado com publicidade ou não?

Luís: O meu curso engloba também a parte da publicidade, que é bastante importante na a área da comunicação, e a comunicação é em primeiro lugar feita através do marketing e a publicidade é um instrumento.

Inês: Hm, hm.

Faz sentido…Então e ‘tás a pensar em fazer erasmus?

Luís: …Olha, eu este ano pensei em fazer erasmus, mas depois decidi que não estava preparado para deixar Portugal, mesmo durante um semestre, não me pareceu lá muito boa ideia.

O que não quer dizer que talvez no ano seguinte ou até mais tarde não possa fazê-lo…mas por agora não estou muito interessado em ir estudar pra fora.

Inês: Mas tu já estiveste a estudar fora não foi?

Luís: Já, já estive a estudar fora.

Inês: Era aonde exactamente?

Luís: Estive a estudar em Manchester, no Reino Unido.

Inês: Ah… mas não gostaste da experência?

Luís: Mais ou menos, teve pontos bons, teve pontos maus… mas é uma cidade muito fria e, … tanto a nível da temperatura, que é o nível mais lógico…mas também a nível da própria cidade muito cinzenta…uma cultura muito solitária, e nesse aspecto prefiro muito mais estar em Portugal, com pessoas mais calorosas e um tempo mais ameno.

Inês: Por isso é que agora ‘tás um bocadinho reticente…

Luís: Sim, é parte da minha falta de vontade de ir pra fora, é também essa experiência que não correu muito bem, e então agora prefiro estudar no meu país.

Inês: ‘Tá bem.

Luís: E tu nunca pensaste em ir fazer erasmus?

Inês: Olha, por acaso pensei ir pra Itália, tenho lá uma colega que já tá noutro curso , que ‘tá no terceiro ano e ´tá lá a fazer erasmus e disse-me que aquilo é muito giro… fiquei aliciada, mas não sei, ainda estou a pensar.

Luís: Então e apra além de Itália, tens assim outras ideias, algum país que gostavas de conhecer, alguma cultura em específico?

Inês: Olha gostava muito de ir a Barcelona, não necessariamente através da escola ou através do erasmus, mas era uma cidade que gostava muito de conhecer…pela cultura, pela arte que tem… Já lá foste?

Luís: Por acaso ía-te dizer agora mesmo, já estive em Barcelona e em termos culturais tens toda a razão, é uma cidade que tem uma riqueza imensa a nível das artes plásticas e mesmo a nível de museus a nível de monumentos.

É uma cidade bastante interesssante.

Inês: Ficaste lá quanto tempo?

Luís: Eu?

Olha já foi há uns anos e fui com família, eu penso que fiquei cerca de seis ou sete dias…

Inês: Achas que esses dias deu para ver o essencial?

Luís: A mim pareceu-me que vi tudo o que… assim mais conhecido.

Os museus mais famosos e, pronto a Sagrada Família, esses monumentos que são conhecidos no mundo inteiro, penso que os vi todos.

Agora, em termos de…a experiência que tu estavas a pensar de ires estudar pra lá ou de ir para lá uns tempos, penso que acabarias por conhecer muito melhor do que eu conheci em seis ou sete dias.

Inês: Hm, hm.

Luís: Mas acho que é uma excelente ideia.

Barcelona é uma cidade que com certeza tem uma identidade que vale a pena conhecer.

Inês: Olha, por acaso estive em Berlim há pouco tempo, não sei se já lá foste…

Luís: Não, por acaso nunca fui a Berlim.

Inês: … e também ‘tive lá cerca de sete dias, não foi muito mais e lá está, esses dias não foram suficientes para conseguir ver nem metade, nem um quarto do que a cidade tem pra te oferecer.

Vi muitos museus, as próprias ruas são muito diferentes de como é Portugal, e isso quase que constitui arte, que é uma coisa que tu cá não tens…as próprias pessoas são muito diferentes, a comida…Olha foi uma cidade que eu gostei muito, muito de conhecer.

Luís:E já pensaste em estudar em Berlim ou até trabalhar depois mais tarde quando acabares os teus estudos?

Inês: Primeiro precisava de aprender a língua, sabes…

Luís: Pois, o alemão é uma língua que é preciso muito tempo e dedicação para aprender.

Inês: Sim, eu quando estive lá falei sobretudo em Inglês.

Luís: …Voltando um pouco… estavas-me a falar do teu curso…

Inês: Sim…

Luís: … o que é que tu exactamente queres fazer quando acabares o teu curso?

Em termos de profissão em si, porque pronto…a área da cultura e do património, das artes, mas em termos de profissão específica, o que é que tens em mente?

Assim, pode não ser só uma mas, que tipo de profissões é que tu achavas ou que tu achas que te interessam?

Inês: Olha Luís, é uma boa pergunta.

Talvez seja melhor explicar-te um bocadinho primeiro quais é que são as saídas do curso.

Não sei se já te cheguei a dizer…

Luís: Não…

Inês: Pronto, as saídas do meu curso estão direccionadas para galerias de arte, museus, autarquias, parte de câmaras, etc.

Há muita coisa que eu posso fazer, eu penso é que a oferta no país onde estamos ‘tá muito escassa, é uma área que não tem tido grande prioridade nos últimos tempos.

O que é que eu gostava de fazer?…

Olha eu sinceramente ainda não sei, mas possivelmente iria direccionar-me mais para a área de programação de eventos, produção, porque o património está um bocadinho complicado.

Luís: Hm…compreendo.

Realmente há falta, muita falta de apoios nessa área no nosso país e compreendo o que estás a dizer.

Mas com certeza que durante o decorrer do curso hás-de perceber melhor a área em que te enquadras com mais paixão.

Inês: Pois, espero que sim.

Luís: Bem, olha Inês, gostei muito de falar contigo.

Inês: Eu também Luís.

Luís: ‘Tão vá, até à próxima.

Inês: Xau, beijinho.