#5: Ele foi do zero à fluência em um ano

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Bom dia, meus amigos. Bem-vindos ao podcast do LingQ.

No episódio de hoje, temos um convidado muito especial.

O Rodrigo, que é uma pessoa sensacional, ele é um ótimo aluno de idiomas.

E vamos falar sobre como ele conseguiu ir do zero absoluto ao B2 no alemão

dentro de um ano morando no Brasil.

Se você estiver ouvindo nosso podcast do LingQ,

por favor deixe sua avaliação na Apple,

nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud,

e claro, não deixe de clicar em “Curtir” nos episódios que você mais apreciou.

Nós ficaremos muito agradecidos.

Para quem ainda não conhece o LingQ e estiver aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ, pessoalmente todos os dias.

Já que tem um conteúdo muito legal de texto e áudio ou de texto e vídeo

sobre vários temas interessantes.

Com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas que você não conhece para ver a definição.

Se você já usa o LingQ, você já deve ter percebido

que o aplicativo tem uma aparência um pouco diferente.

O LingQ 5.0 é um aplicativo totalmente reformulado,

com uma interface mais fácil de usar, o conteúdo está mais acessível

e tem alguns novos recursos super legais também com a opção de personalizar o app,

tornando a experiência de uso do LingQ muito mais agradável.

Com o LingQ 5.0, você terá uma biblioteca bem organizada e mais fácil de acessar,

um sistema de metas diárias e sequência mais abrangente,

mais acesso a conteúdo externo, o que é bem legal,

uma experiência de leitura mais simplificada,

uma experiência de audição melhorada

e mais opções de personalização, incluindo o Modo Escuro.

Então, dê uma olhada.

E agora, sem mais delongas, vamos falar com nosso amigo Rodrigo.

Bom dia, Rodrigo!

Eis aqui um convidado muito especial.

Rodrigo não é apenas um aluno, mas é um grande amigo meu agora.

E ele tem uma história sensacional, porque basicamente,

ele chegou à fluência do alemão dentro de um ano morando no Brasil,

o que é algo sensacional.

Então, nós vamos falar hoje, exatamente, sobre isso, sobre a história dele,

o aprendizado de idiomas.

Especialmente porque muita gente acha que tem que morar no exterior

para aprender um idioma ou, por exemplo, tem que fazer um curso caríssimo

para aprender um idioma e você estilhaçou essas ideias, basicamente.

E podemos, basicamente, até provar isso, porque você participou constantemente

do meu “One Sentence Challenge” no Instagram,

fazendo gravações, basicamente, em alemão desde o início da sua jornada.

Então, está tudo documentado, o que é algo fantástico.

E então, basicamente, a minha-

Bom, antes de tudo, bom dia, Rodrigo.

Bom dia, Gabriel. Primeiro, muito obrigado pelo convite.

É sempre uma honra estar conversando com você e trocando ideias

sobre o aprendizado de idiomas.

Como você falou, essa questão, que é aprender idiomas no Brasil.

Eu comecei a aprender o alemão lá.

Então, eu continuei estudando, mas dentro de um ano,

eu já conseguia me comunicar muito bem com nativos do alemão.

Meus parentes aqui na Suíça, alguns amigos que eu fiz na Internet para praticar.

E essa questão de você só poder aprender um idioma no exterior é realmente bobagem.

Hoje em dia, com a Internet, a gente tem a possibilidade de se conectar

com pessoas do mundo todo.

E muita gente que mora aqui na Suíça, onde estou morando hoje em dia

graças ao meu aprendizado do alemão,

eles moram aqui há 20 anos e não sabem falar nada.

Só “Oi, como vai?”

Então, o que é realmente mais importante é o contato com o idioma, seja lá onde for

e não essa questão de estar num país estrangeiro.

– Acho que é muito importante o contato. – Sem dúvida.

Com certeza.

Bom, uma pergunta que me veio à cabeça outro dia é a seguinte.

Por que você optou por não fazer, digamos, um curso tradicional de alemão?

Porque muitas vezes no Brasil, essa é a primeira ideia da pessoa

que quer aprender um novo idioma.

“Ah, então vou pagar por uma matrícula caríssima, fazer um curso caríssimo.”

E a coisa mais triste é que muita gente vai com expectativa,

muitos alunos começam com uma expectativa muito alta com esse tipo de curso

e acabam quebrando a cara, acabam não tendo sucesso.

E assim, realmente, eu nunca ouvi falar de um aluno de escola tradicional

que conseguiu aprender um idioma e chegar à fluência dentro de um ano.

– Pois é. – O que é algo espetacular.

Então, por que você basicamente decidiu seguir os meus conselhos, por exemplo,

ou seguir os conselhos do Steve Kaufmann, procurar por um material online?

O que te levou a fazer isso, basicamente?

E também, é uma honra tê-lo na minha academia poliglota, por exemplo,

e no curso completo de inglês, seu inglês também teve uma evolução brutal,

o seu inglês também é ótimo.

Então, conta aí, por que você optou por não fazer um curso tradicional de alemão?

Então, Gabriel, isso por conta da experiência que eu tive

justamente com a escola tradicional.

Eu estudei de seis a uns doze anos o inglês numa grande escola de idiomas

e o que aconteceu foi que, assim, com falantes nativos de inglês,

que interagiam entre si, eu ficava muito perdido com as gírias,

com o modo rápido deles falarem, justamente porque na minha escola,

a gente só ouvia um sotaque, a gente só ouvia frases meio que básicas,

não era uma coisa tão do inglês cotidiano atual mesmo.

A gente usava materiais de 1980, sabe?

Então, isso realmente sempre foi uma espécie de trauma para mim.

Eu me via de um jeito que-

Porque eu tinha terminado a escola, mas não conseguia me comunicar

como realmente queria, não conseguia entender perfeitamente um filme,

eu não conseguia acompanhar séries sem nenhum problema.

Então, quando eu conheci você, foi um ano e meio, mais ou menos,

antes de eu começar a aprender o alemão.

E aí, eu vi os seus vídeos, vi as suas dicas.

E comecei a aplicar isso no inglês.

Porque eu tinha uma viagem em 2019.

Olha só, já faz um pouquinho de tempo que isso aconteceu.

Em 2019, eu tinha uma viagem para conhecer a Suíça.

E eu, que já sabia um pouco de inglês, queria aprimorar o meu inglês.

E eu me lembro que usando seu método, usando a sua filosofia

no modo de aprender idiomas, eu lembro que em três meses,

eu fiz um progresso muito grande.

Muito grande, um progresso que me lembro que não tive em anos

assim, sem brincadeira, no local onde eu estudava.

E aí, quando eu vim para a Suíça, quando eu vim com meu inglês,

eu estava falando de um jeito como nunca havia falado antes,

mesmo com tanto tempo sem estudar numa escola de idiomas.

Então, eu percebi ali que é assim que tem que se aprender idiomas.

E aí, eu apliquei isso no alemão depois que retornei da viagem da Suíça,

passei ainda um tempo estudando o inglês.

E em 2020, quando começou a pandemia, eu decidi que iria estudar alemão.

E aí, eu apliquei tudo, passo a passo, do jeito que você fala em seus cursos,

porque eu adquiri.

Através dos seus vídeos também, do YouTube, das dicas no Instagram também.

E foi impressionante o que eu fui fazer em um ano com o alemão, sabe?

O que eu aprendi em um ano com o alemão foi o que eu nunca aprendi-

Isso é incrível, porque eu nunca consegui aprender isso em seis anos

numa escola de idiomas tradicional.

Então, não há dúvidas de que é realmente um método efetivo,

é um método que lhe faz querer estudar.

Não é aquela coisa maçante, sabe? Com conteúdos que não lhe interessam.

Então, é isso.

Foi basicamente por isso que eu optei por não estudar numa escola de alemão,

pela experiência que eu tive com o inglês

e pelos resultados que tive usando o seu método.

Espetacular, muito bom.

A sua história é uma história de sucesso, é uma história impressionante.

Então, basicamente, você-

Uma coisa que seria muito legal para quem tem interesse de aprender novos idiomas

e mesmo para quem nem seja realmente alunos de idiomas,

eu acho que vale a pena ouvir também essa resposta.

Bom, primeiro, sua história é maravilhosa.

E também seria legal você compartilhar talvez algumas dicas.

Quais são algumas diferenças, por exemplo, que você adotou, basicamente?

Entre o que você viu e o que você fazia com o método tradicional

e com os métodos que você aprendeu basicamente comigo, com o Steve Kaufmann

e os métodos, basicamente, que você aprendeu online?

Quais são algumas diferenças e também quais seriam algumas dicas

que você poderia dar a alunos que querem aprender um novo idioma?

Ótima pergunta.

Eu acho que, principalmente, a questão de não focar na gramática.

Quando a gente estuda numa escola de idiomas,

O foco principal, não sei por quê, é a gramática.

Então, fica como se-

A gramática é sim muito importante.

É a forma, vamos dizer assim, correta de se utilizar um idioma.

Mas na minha concepção, o idioma parte primeiro do vocabulário,

das expressões e das gírias para a gramática.

A gramática é uma explicação disso, dessas frases.

E o que acontece numa escola de idiomas é a gente basicamente completar lacunas

e colunas com [língua estrangeira].

E assim, as frases, o conteúdo

e o vocabulário meio que ficam em segundo plano.

Então, eu acho que a principal diferença é isso.

É que no estudo de uma escola tradicional, a gramática é em primeiro plano.

Então, eu conheço muitas pessoas que fizeram cursos de alemão mesmo

e elas sabem perfeitamente a gramática.

Mas quando elas vão falar, elas mal se expressam.

E o estudo através do seu método, da sua filosofia de estudo,

a do Steve Kaufmann e de outros poliglotas que eu também acompanho,

é justamente o foco no conteúdo, no tema.

Eu basicamente estudo por temas.

Hoje, eu vou estudar sobre hospitais,

então, aprendo várias frases de hospital, aprendo várias coisas em contexto.

Nada jogado avulso só para completar uma coluna.

Então, o aprendizado por contexto, eu acho que é muito mais efetivo

porque você vai ficando fluente em áreas, aos poucos.

Então, se você aprende-

Por exemplo, você pega um texto sobre um determinado tema

e destrincha esse texto todinho, vê frase por frase, repete frase por frase,

e começa a conectar com outras possíveis frases que você cria

ou que você já viu em outros lugares,

eu acho que o aprendizado vai ficando muito mais efetivo,

a gramática vai estar implícita nos textos e nas frases que você está estudando.

E aí, você meio que não fica pensando em regras, você já sabe como é a frase.

“How’s it going?” Você não pensa por que é “How’s it going?”

Separado e por que o “it.”

Se nem existe essa tradução em português, não é uma coisa.

Não, você pensa na frase, ela sai e pronto.

Então, eu acho que é basicamente essa a diferença.

Muito legal.

E acho que você falou várias coisas bem interessantes.

Primeiro, logicamente, a gramática tem uma grande importância.

Porém, o foco na gramática, especialmente-

Muitos métodos focam na gramática de uma maneira que não é eficiente.

Eles vão focar na gramática como você diz, fazer exercícios preenchendo lacunas,

conjugação de verbos e tudo mais.

E isso, infelizmente, não vai necessariamente levar

a um bom nível de conversação do idioma.

Quero dizer, para você aplicar as regras gramaticais na conversa,

num bate-papo verdadeiro, é bem diferente que fazer exercíciozinho.

E eu vou te falar uma coisa interessante.

Basicamente, eu aprendi francês e alemão ao mesmo tempo.

Eu levei quatro anos para chegar à fluência em ambos.

E você chegou à fluência do alemão em basicamente um quarto do tempo.

Claro, logicamente, eu estava estudando o francês ao mesmo tempo também,

mas você também estudou outros idiomas ao mesmo tempo,

você estava estudando também o inglês,

você estava estudando pelo menos um pouco do francês.

Quero dizer, isso é algo sensacional, realmente, de ver.

Porque o meu foco na época-

Porque naquela época, eu ainda estava aprendendo a aprender um idioma.

Eu ainda não sabia muito muito bem.

Então, meu foco ainda foi muito na gramática.

Eu me dediquei bastante ao estudo da gramática com livros de exercícios.

E eles tiveram algum resultado? Sim.

Eu consegui ter uma noção, aprender basicamente a estrutura do alemão.

Eles foram úteis, mas existem maneiras

basicamente abordando o aprendizado de idiomas da maneira que você descreveu,

aprender o idioma em contexto, como falou, destrinchando um material que você gosta,

um texto com um áudio legal.

Você começa a absorver a gramática de uma maneira muito mais eficiente

e de um jeito perfeitamente natural.

Porque basicamente, foi assim que nós aprendemos nosso idioma materno.

Bom, não destrinchando textos, mas basicamente com esse tipo de abordagem.

Sim, uma coisa interessante também que você pontuou

é essa questão da exposição ao áudio.

Eu acho que numa escola regular, você aprende muito bem a escrever e a ler.

Mas as habilidades conversacionais não são o verdadeiro foco.

Sim, existem momentos nesse tipo de aula que falamos, temos treinos de listening,

vamos dizer assim.

Mas acho que a conversa mesmo, a interação não ocorre de forma tão efetiva.

E você se expôr a materiais que você gosta, repetir milhares de vezes aquela

mesma frase sozinho em voz alta, atuando ou falando num espelho, sabe?

É muito mais efetivo do que simplesmente fazer uma tarefa de casa, é o que penso.

Sem dúvida, uma coisa muito interessante também, logicamente, foi que

você contribuiu para o “One Sentence Challenge”?

É basicamente o “Desafio de Uma Frase.”

Você participou basicamente todos os dias por meses, meses e meses.

Quero dizer, todo dia, você sentou lá e você criou um vídeo

dizendo uma frase ou mais em alemão.

Quero dizer, com essa prática, alguns dias devem ter sido mais fáceis.

Certos dias, nós queremos estudar, a gente senta lá, você vai e faz um vídeo.

Devem ter existidos dias também nos quais você teve que se forçar a fazer isso, né?

Mas você, de qualquer maneira, foi lá e fez.

E isso, quero dizer, essa atitude de realmente querer fazer,

de querer estudar todos os dias, foi um grande fator para o seu sucesso.

Total, eu fiquei realmente determinado em morar aqui na Suíça.

E eu não queria só morar aqui para trabalhar em qualquer coisa

ou simplesmente para sobreviver.

Eu quis experienciar esse país da melhor forma possível.

É tanto que, por causa do meu alemão-

Logicamente, quando eu cheguei, as pessoas aqui falam suíço-alemão,

que é um dialeto que é muito- É praticamente outro idioma.

E mesmo quando eles falam alemão, é com um sotaque muito diferente.

E hoje em dia, eu falo com esse sotaque.

Mas no início, foi muito difícil, justamente por conta dessas diferenças.

Mas eu me senti seguro, sabe?

Eu, com poucas semanas aqui, já estava acostumado com o sotaque deles,

eu já consegui emprego assim que cheguei, eu já vi e encontrei, na verdade.

Justamente por causa do alemão.

O único requisito que esse emprego pedia era ser fluente em alemão.

Fiz a entrevista, eles devem ter constatado isso e fui contratado.

E era a única exigência.

E fora isso, fora a questão de trabalho, eu pude fazer amizades aqui facilmente.

Se enganam as pessoas que acham que, “Ah, os europeus são muito frios.”

“Ah, os suíços e os alemães são pessoas arrogantes.”

Eu ouço muito isso.

Mas o engraçado é que, quem fala isso, geralmente não fala o alemão.

E nós que falamos o idioma nativo de uma pessoa que queremos ter alguma relação,

a gente sabe muito bem como é mais fácil chegar no íntimo da pessoa.

E isso é inexplicável, é uma experiência incrível.

Sem dúvida. É, eu acho isso muito mágico.

E como você sabe, e os meus inscritos sabem também como eu sempre falo,

“Languages connect people.” (Idiomas conectam as pessoas)

E a sua história é realmente inspiradora, Rodrigo.

Então, é um prazer realmente ter você no podcast

para que essa sua história continue chegando longe

e para que muita gente possa ouvir isso mesmo e se inspirar.

E também, logicamente, não é só para inspirar quem quer aprender um novo idioma.

Eu acho que esse tipo de determinação leva qualquer pessoa

a um nível de sucesso na área desejada.

Então, realmente, essa determinação sua é realmente o que levou

a esse sucesso espetacular no alemão e te levou, como você falou,

à Suíça para viver uma vida melhor.

Então, muito obrigado pela participação, Rodrigo.

É sempre um gigantesco prazer.

E bom, faremos mais vídeos juntos, mais episódios do podcast juntos,

sem dúvida nenhuma.

Eu que lhe agradeço, meu amigo.

Desejo a você tudo de bom e que continue fazendo muito sucesso.

Um abração!

Valeu, Rodrigo. O mesmo para você!

Sempre um grande prazer.

#4 A importância do bom humor no aprendizado

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Bom dia, meus amigos! Bem-vindos ao Podcast do LingQ.

No episódio de hoje, temos um convidado muito especial:

O Rogério, que é uma pessoa sensacional.

Ele é comediante e também um ótimo aluno de idiomas.

Então, vamos falar sobre o humor, sobre o aprendizado de idiomas

e sobre a importância do bom humor no aprendizado também.

Se você estiver ouvindo o Podcast do LingQ, por favor deixe sua avaliação na Apple,

nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud.

E claro, não deixe de clicar em “curtir” nos episódios que você mais apreciou.

Nós ficaremos muito gratos.

E para quem ainda não me conhece ou não começou a usar o LingQ

e estiver aprendendo um novo idioma, dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar ali naquelas que você ainda não conhece

para ver a definição.

E se você já usa o LingQ,

você já deve ter percebido que o aplicativo tem uma aparência nova e diferente.

O LingQ 5.0 é um aplicativo totalmente reformulado,

com uma interface mais fácil de usar, o conteúdo está mais acessível

e tem alguns novos recursos super legais, com a opção de personalizar o aplicativo,

tornando a experiência de uso do LingQ muito mais agradável.

Com o LingQ 5.0, você terá uma biblioteca bem organizada, mais fácil de acessar;

um sistema de metas diárias e sequência mais abrangentes;

mais acesso a conteúdo externo, o que é bem legal;

uma experiência de leitura mais simplificada, o que ajuda;

também uma experiência de audição, para escutar o conteúdo, melhorada também;

e mais opções de personalização, incluindo o modo escuro, o “dark mode.”

Então, dê uma olhada.

Mas agora, sem mais delongas, vamos começar!

Bom dia, Rogério! Tudo bem com você?

Bom dia! Melhor agora, Gabriel.

Então, hoje eu queria abordar um tema que eu acho bem interessante,

porque você é comediante, não é?

Exatamente.

Além de ser, logicamente, um ávido e dedicado aluno e professor de idiomas.

Então, o tema geral da conversa de hoje, acho que vai ser um tema muito legal.

Vai ser, basicamente, a importância do bom humor no aprendizado.

Ah, vai ser o tema.

Então, acho que vai ser um tema bem legal.

E para começar, conta um pouco da sua história.

Basicamente, o que te levou, por exemplo, à comédia?

Começamos com a comédia e, depois, a gente começa a falar também sobre

o aprendizado de idiomas e o ensino de idiomas também.

Será que você sempre foi engraçado naturalmente ou foi algo que desenvolveu?

Essa é uma curiosidade minha quando eu conheço um humorista ou comediante.

Ah, legal.

Então, acho que o que me levou à comédia foi o próprio estilo do Stand-Up Comedy.

Porque em toda a minha vida, sempre houve um ponto em que

alguém contava algo ao redor de amigos e, em determinado ponto da noite,

eu estava contando uma história e estava todo mundo rindo.

E daí, quando o estilo surgiu, me identifiquei bastante por causa disso.

E daí, aqui em Belém do Pará onde moro, tinha um grupo de comédia.

E eu cheguei com uns comediantes e pedi uma vaga para fazer.

E daí, eles disseram como acontecia, “Você tem três minutos no palco.”

E daí, a coisa foi acontecendo, eu escrevi o primeiro texto,

fui muito bem, no segundo também,

e fui aprendendo o caminho da piada, o setup, o punch e tudo mais.

E daí, a coisa foi acontecendo e foi muito legal.

Que interessante.

Então, isso responde basicamente a minha pergunta,

que você já era naturalmente engraçado.

Daí, você começou a pensar…

“Okay, então vou ver se isso funciona também num nível mais profissional.

Algo como o Stand-Up Comedy.”

Eu… “I took a risk.”

Eu me arrisquei lá, porque realmente, era algo que era muito visceral meu.

Eu sempre gostei de expôr ideias.

Eu acho que o mais engraçado seria, na verdade,

um pouco mais de você expôr uma ideia.

E expôr uma ideia na roupagem cômica é que é, de fato, o desafio que eu aceitei.

Então, eu faço muito show empresarial, por exemplo, é onde tem muitas restrições.

E já fiz um show em inglês também, na verdade, através do Lingbe,

que é o app que eu uso para poder fazer o meu podcast em inglês.

E fiz um pocket show ali para uma nativa e foi bem legal também.

Que interessante, que legal.

E uma coisa que eu acho bem interessante exatamente sobre Stand-Up Comedy,

esse estilo de comédia, é que é considerado extremamente difícil.

E também, deixa o pessoal até-

Assim, muitos comediantes ficam bem nervosos, porque afinal,

você tem que estar ali, na frente da audiência.

E se a audiência não gostar também, se o pessoal não gostar,

pode ser uma experiência meio estressante para o comediante.

Então, como você lida com esse risco, basicamente?

Porque afinal, eu acho que existem muitos comediantes que são muito bons,

que são pessoas muito engraçadas, são capazes de criar comédia

num estilo completamente diferente, mas que nunca arriscariam fazer Stand-Up Comedy.

Comédia Stand-Up.

Legal.

O Stand-Up Comedy, de fato, é um texto que a gente escreve e ensaia,

interpreta várias vezes, né?

Então, acho que o verdadeiro teste do comediante, de fato,

é quando ele sobe no palco e ninguém ri.

Porque todo mundo está preparado para a glória,

todo mundo está preparado para receber aplausos, tirar fotos e tudo mais,

mas quando você sobe no palco e ninguém ri, você se sente completamente nu, exposto.

É, de fato, o verdadeiro palco, o verdadeiro teste.

Mas respondendo diretamente à sua pergunta,

eu acredito que você tem que escrever algo que te divirta.

Você tem que levar para o palco não só sua história, algo que te divirta de fato,

mas como a sua performance. Ou seja, você precisa ensaiar muito.

Muitas vezes, o meu pai, que infelizmente já faleceu,

quando eu voltava de shows, ele me perguntava, “Como foi o show?”

Eu falava, “Putz, eu não gostei.”

Mas não é que eu não tenha sido bom, que não tenham me aplaudido e tudo mais.

Mas é porque eu esqueci determinada piada.

Porque meu timing foi errado, eu olhei pro momento errado, me distraí.

Então, é muito mais a performance que eu levo do meu ensaio.

E porque assim, as pessoas que estão me assistindo,

geralmente estão assistindo pela primeira vez.

E às vezes, eu conto o mesmo texto.

Então, a forma como eu conto varia.

Vão acontecendo pequenas mutações ali que vão aumentando o texto.

E isso vai deixando a história mais engraçada, mais encorpada.

Então, eu acho que o medo não é de não ser aplaudido,

mas de não entregar tudo o que você tem que entregar no palco.

Isso acaba me decepcionando, de fato.

Pode ser que o pessoal, que a plateia seja difícil na noite.

É realmente assim, essa-

Fazer uma performance, ter um desempenho bom

ali na frente de todo mundo sob pressão, né?

Porque basicamente, é uma situação interessante.

Geralmente, o pessoal pagou para estar ali ou está ali já incluindo tensão,

com a expectativa de ser divertido, né?

Então, existe a expectativa que você seja engraçado.

Então, acho que é uma coisa bem legal.

Eu tenho bastante respeito por comediantes de Stand-Up exatamente por isso,

porque eu acho que você tem que ter nervos de aço, né?

Você tem que ter bastante confiança em si próprio, saber que…

“Okay, eu sou capaz de fazer o pessoal rir, meu texto é legal, meu trabalho é-

Quero dizer, as minhas piadas são engraçadas e tudo mais.”

Quero dizer, ser capaz assim de ter um bom desempenho é algo bem legal.

Então, agora, vamos voltar para o aspecto de idiomas.

Então, minha pergunta vai ser-

Posso adicionar um comentário?

Assim, antes de você ser engraçado ou escrever uma piada, de fato-

Tem um olhar muito técnico, sabe?

Por exemplo, quando você chega num determinado local,

onde você é contratado por uma empresa,

você tem que entender que ninguém está ali para te ver.

Você foi contratado para o CEO ali, mas os outros não estão ali para te ver.

Então, o primeiro ponto é negar a atenção das pessoas.

Depois, a média de idade das pessoas importa muito,

porque a comédia é muito estratificada, né?

Então, para pessoas mais idosas, se você for falar de religião ou política,

não é um bom tema, acaba sendo um pouco difícil de trabalhar.

Você tem que pisar em ovos ali.

Então, tem algumas estratégias para você poder desviar dos “nooks and crannies,”

dos percalços ali da plateia para atingir um bom resultado.

Mas tem um olhar bem técnico.

Às vezes, você tem que pesquisar a plateia.

Às vezes, a plateia está suja e quer ouvir piadas de cunho sexual.

Às vezes, o que dá certo são algumas piadas um pouco mais pesadas, né?

Então, essa sensibilidade requer também um pouco de experiência e…

E é tudo bem bacana.

Sim, isso é muito interessante.

Porque um amigo de um amigo meu também faz Stand-Up em Vancouver.

E ele também estava me falando sobre um aspecto bem técnico,

que eu, por exemplo, desconheço, porque eu nunca trabalhei na área.

E que existem muitas fórmulas, muitas coisas-

Bom, basicamente, o que você descreveu.

Muitos fatores técnicos a serem considerados também.

Especialmente para, por exemplo, adaptar o seu trabalho e o seu conteúdo

para a plateia e tudo mais.

Porque afinal, como você falou,

se a idade média da plateia for 60 anos de idade,

não vai ser a mesma coisa que se for para uma plateia

com uma média de idade de 20 anos de idade.

Quero dizer, vai ser completamente diferente o conteúdo e tudo mais.

Eu acho que também depende até da situação, como você falou.

Tendo uma plateia que é basicamente “business people,” né?

Pessoas de negócio ali durante o trabalho, vai ser uma outra plateia,

uma plateia totalmente diferente do que, por exemplo,

um pessoal que pagou para ir num bar de noite.

Como, sei lá, um casal que está namorando

e quer ser divertido, que quer um entretenimento.

Então, é algo que é bem diferente, que tem que adaptar.

Então, acho isso uma coisa bem legal.

Então, me diz aí, Rogério.

Fala um pouco também agora sobre a sua história em relação

ao aprendizado de idiomas.

Você cursou até o meu curso de inglês.

Sim.

Eu vi o seu livro de progresso, o seu inglês é ótimo.

Então, dá muita satisfação ver que você é um aluno espetacular.

E que você também estava aprendendo alemão.

Exato.

Então, fala um pouco aí sobre sua experiência aprendendo idiomas.

Legal, então…

Eu sou- Eu não aprendi por formação.

E 70% do meu curso era completamente em inglês.

E na época da faculdade, eu não dominava o inglês.

Eu tinha aversão ao inglês.

Mais por causa das escolas do que pela língua em si.

E daí, eu comecei a fazer cursos dentro da faculdade e fora,

mas nunca cheguei ao nível que eu realmente quis,

porque infelizmente, aqui no Brasil e acho que na boa parte do mundo

que não é de língua inglesa, se criou a cultura de que você vai

para uma escola de idiomas e sai de lá sem o inglês que você tanto sonhou.

E está tudo bem, porque a única forma de aprender é,

de fato, você indo para fora do seu país e passando um tempo nos Estados Unidos

ou qualquer que seja o outro país.

E é um problema isso.

E daí, eu já tinha passado por uma escola de inglês,

tinha feito uma prova de proficiência, que é a de Cambridge,

que é a proficiência que eu tenho hoje, de nível B2 na época.

O que era um nível okay, mas estava muito longe do que eu queria.

#3 Do zero ao domínio de um idioma (nível C2)

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Bem-vindo ao Podcast do LingQ em português.

Hoje temos a Lud Fonseca, uma convidada muito especial

e vamos falar sobre motivação para aprender idiomas.

Por favor, deixe uma avaliação nos episódios que você gostar na Apple.

Também nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud.

E para quem ainda não conhece o LingQ e estiver aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio;

e texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas que você não conhece para ver a definição.

Mas agora então, vamos começar.

Olá Lud, tudo bem com você?

Oi querido, tudo bem? Obrigada pelo convite de estar aqui.

É sempre um grande prazer.

Além de super simpática, você tem um grande conhecimento linguístico,

então você é sempre uma pessoa que é-

É um prazer conversar com você.

E também, quando você compartilha um pouco da sua sabedoria, é algo muito especial.

Posso dizer que a recíproca é verdadeira.

Todas as vezes que a gente conversa, é muito bom, a gente nem vê o tempo passar.

– Exatamente. – Porque realmente…

A gente sempre tem ideia para trocar, tem sempre experiência para trocar.

É sempre maravilhoso e é sempre bom quando eu recebo um convite seu, obrigada.

De nada, é um grande prazer.

Podemos também fazer uma pequena introdução da Lud?

Ela é uma professora espetacular de alemão.

Em alguns segundos, ela vai falar um pouco sobre a história dela.

Então, hoje eu queria falar sobre um tema interessante,

que é relacionado à motivação de aprender idiomas.

E minha pergunta para ela vai ser primeiro:

O que te motivou a chegar a um nível tão alto em alemão?

E também, por que tantos alunos têm uma motivação que eventualmente cai?

E isso leva o aluno ou aluna a desistir de aprender o idioma?

Então, eu acho isso um tema bem interessante,

porque muita gente tem um interesse grande especialmente inicial pra aprender idiomas.

Logicamente que o ser humano…

Muitas vezes, assim como outras coisas também,

pode ser até para outros temas, por exemplo perder peso ou ir à academia,

ou aprender outra coisa, a gente começa com um grande ímpeto.

Porém, às vezes chegamos a um certo ponto que daí começa a desacelerar…

E deixa o nosso objetivo de lado.

Então Lud, conta um pouco por favor sobre a sua história,

o que te levou a chegar num nível tão alto em alemão.

E daí, a gente pode continuar com o nosso tema de hoje.

Tá.

Bom, a minha relação com o alemão- É bem estranha a forma como ela começou.

Porque eu nunca tive a intenção de aprender alemão assim como-

Eu nunca imaginei que chegaria até aqui com a língua alemã.

Muitas vezes, as pessoas têm histórias do tipo:

“Não, eu sabia onde eu queria chegar, então etc…”

No meu caso, com o alemão, não.

No meu caso, com o alemão, foi simplesmente…

Foi simplesmente por destino que eu comecei a estudar o alemão.

Foi muito o destino mesmo, porque eu fiz Letras e…

Na verdade, eu queria estudar português.

E na verdade, eu nem queria estudar Letras.

[risos]

Eu queria estudar outra coisa na faculdade.

Tá vendo, eu queria estudar Engenharia Química e tal…

E eu decidi fazer um ano sabático e estudar Línguas.

Eu falei, “Ah, já sei que quero estudar Engenharia,

mas quero fazer um ano mais tranquilo depois de um Ensino Médio puxado e tal.”

E resolvi fazer Letras, passei no vestibular e chegando lá…

A moça me falou, “Ah, se você está aqui, você pode estudar uma língua estrangeira.”

Eu falei…

“Mas moça, qual língua você tem aí?”

Aí, ela falou lá isso fazendo a matrícula.

Aí, ela listou e…

Inglês, eu já falava um pouco. Espanhol, eu já falava um pouco.

Francês, só tinha durante o dia e eu precisava trabalhar durante o dia.

Então, o que sobrou foi o alemão à noite.

“Então, tá. Me coloca aí no alemão.”

E foi assim que eu comecei a estudar o alemão.

Então, quando as pessoas me perguntam, “O que você fez para chegar tão longe?”

Eu já começo, “Um dos motivos pelos quais eu cheguei tão longe…”

Que é simplesmente a constância.

Então, eu não tinha nenhum grande motivo no início,

mas eu sou uma pessoa que não gosta de deixar nada pela metade.

Então, tudo o que eu comecei a fazer, eu fiz o máximo que eu podia.

Eu não gosto dessa história de deixar as coisas pela metade.

Então, eu ia para a aula e tal, curtia a aula.

Estudava um pouquinho todo dia, não estudava nem tanto, estudava…

Tantas coisas para fazer que eu tinha, eu tinha três empregos durante o dia.

Eu estudava à noite as matérias da faculdade.

É, mas assim, eu estudava lá meia-hora por dia, tinha aulas na faculdade daquilo.

E pronto, fui me envolvendo.

É engraçado que naquela época, eu não tinha a consciência que eu tenho hoje.

Eu não sabia que eu estava fazendo o certo, eu só fazia.

E eu acho que esse foi um dos grandes lances.

A primeira coisa é que eu não entrei muito empolgada.

E pode parecer que isso é uma coisa ruim, não entrar muito empolgada.

Mas no meu caso, foi bom, porque quando você entra assim, muito empolgada,

“Ah, vou aprender alemão, preciso aprender alemão para amanhã!”

Às vezes, é um fogo de palha, né?

Que é aquele negócio que tipo, você tá muito animado, você começa e tal…

Só que essa animação não é-

A sua animação do início não é o que vai fazer você ficar fluente.

– Sim, não é. – Não é.

Tipo, se você só tiver ela, você não vai ficar fluente.

Então, eu não tinha ela, então eu já não tinha essa expectativa.

E aí, não teve palha para queimar, digamos assim, porque não tinha palha.

Eu não estava querendo fazer isso da vida.

Então, esse foi o primeiro ponto forte que eu acho que me ajudou a ter essa sorte.

E depois, foi a constância, porque comecei a estudar na faculdade e não parei.

Eu sempre pegava matérias de alemão, eu acho que também foi um ponto essencial.

E devagar, eu fui descobrindo o valor do que aquilo poderia trazer para minha vida.

E esse também foi o terceiro grande ponto.

Porque na hora que eu entendi que aquele trem ia mudar, aquele trem mineiro…

Na hora em que eu entendi que aquilo ia mudar completamente a minha vida

e a minha perspectiva, que estudar alemão abriria um monte de portas para mim,

na hora em que eu finalmente entendi isso, aí acabou.

Aí, juntou tudo, todos os elementos que você precisa.

A gente vai falar com mais calma sobre isso.

E eu fui até terminar.

Porque é o C2, teoricamente, que é o que a gente termina quando a gente-

O C2 é o infinito, né? Que é o mais avançado de todos.

Que é o que quando você termina, você não termina nunca.

Porque aí, você tem sempre uma coisa nova para aprender.

Mas assim, o C2 é o mais avançado.

– Muito bom. – Foi assim a minha história.

Assim, resumidamente, porque depois, eu fui para a Alemanha, ganhei um monte de bolsas,

mas resumidamente, foi isso.

Espetacular. E o que…

Dois elementos que você mencionou me fascinam muito.

O primeiro é esse tema da constância.

Quer dizer, sempre que eu falo com alguém que está tendo ou já teve grande sucesso

com os idiomas, é impossível evitar de falar sobre a constância.

Sempre tem esse elemento forte em cima da constância.

Não tem jeito.

Quero dizer, porque se a gente quiser ter sucesso com os idiomas,

a constância é essencial.

E como você falou também,

nem precisa ser três ou quatro horas por dia todos os dias,

porque isso não existe também.

Quero dizer, pode ser assim, apenas…

Quando uma pessoa está bem ocupada, quinze minutos por dia.

Mas uma constância assim, ter um estudo diário do idioma.

Pode ser talvez assim, sei lá.

Talvez num final de semana, você pode ter um break.

Dar uma estudada no sábado ou no domingo, sei lá.

Mas a constância, é incrível como ela leva realmente ao sucesso.

O segundo elemento que eu adorei ouvir, realmente, que é algo espetacular,

é exatamente essa condição que você, ao começar, você nem tinha tanto interesse.

Eu acho isso realmente fascinante, porque muitas vezes, é o oposto.

No início, a pessoa está super animada, vai lá super motivada.

Depois de duas semanas, começa já a encarar a realidade

e perceber que, “Poxa, não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona!”

A pessoa, quando começa a perceber isso, de pouco em pouco perde a motivação.

Daí, o que acontece é que muitas vezes acaba despencando

e a pessoa eventualmente deixa de lado o aprendizado de idiomas.

Logicamente, todos nós temos outros objetivos na vida.

Também temos empregos, temos escola, temos família, temos amigos, vida social…

Temos outros objetivos, né? Então, quero dizer…

Não dá para só focar no estudo de idiomas dia e noite.

Mas essa questão, eu acho fascinante em relação à motivação.

Então, eu acho que agora, a gente pode explorar também a sua experiência,

especialmente de professora.

Como você vê os alunos?

O que você vê nos alunos em relação à motivação?

E como você consegue ajudá-los quando você percebe que a motivação caiu um pouco?

E quais seriam os seus conselhos? O que você geralmente faz quanto a isso?

Eu acho que o primeiro ponto-

Digo, eu tenho certeza que o primeiro ponto é como você começa o processo.

Como eu falei, essa ideia do, “Nossa, estou muito empolgado!”

Empolgação morre, é palha que queima fácil.

Então, quando a pessoa fala assim, “Nossa, eu estou morrendo de empolgação!”

Eu já desconfio, eu falo, “Pô, você já sabe aonde está entrando?”

Porque o processo é longo, né?

Você falou a questão da maratona, né?

Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona, então…

Tem muito mais sucesso quem entra para aprender língua com a expectativa correta.

Porque você entende quantas horas você vai ter que se dedicar.

Eu costumo falar com meus alunos, às vezes com alunos das minhas mentorias,

“Olha, para você fazer um A1 bem-feito, você precisa de 100 horas de estudo.”

Um A1, A2, esses são os níveis do quadro de referências europeu.

Para quem não sabe, que é o mais básico, iniciante, depois vai passando para frente.

Afinal, o iniciante é o A2, o intermediário é o B1, B2, etc.

E existe um número de horas médio que alguém precisa para chegar nesses níveis.

“Ah, mas isso é coisa do estudo tradicional, não é?”

Mas existe um número médio.

E na hora em que a gente coloca as coisas em números,

fica muito mais fácil para a pessoa ver o quanto ela vai ter que se dedicar.

Sim.

Se eu falo, “Olha, para terminar o básico do alemão,

você precisa de 200 horas geralmente de estudo bem-feito.”

Não é de um estudo qualquer, é de um estudo bem-feito, 200 horas.

“Então, faz o cálculo aí!”

“Se você estudar uma hora por dia de segunda a sexta, vai gastar um ano.”

Mais ou menos, né? Aí, a pessoa fala, “Nossa!”

Porque a pessoa, às vezes, não entende qual que a dedicação que ela precisa.

Então, em vez de entrar com empolgação, se a pessoa entrar com consciência,

– Já ajuda bastante. – Com certeza.

Porque essa consciência vai levar a uma empolgação pelo caminho

e não uma empolgação pelo resultado.

Porque às vezes, também tem a questão da ansiedade, a pessoa ver,

“Poxa, estou estudando há um mês e ainda não consigo-“

É direto que eu recebo isso lá no Insta.

“Nossa, Lud, estou estudando há um mês e ainda não entendo nada de um filme.”

Eu falo, “Bom, se você já vem estudando há um mês e já vem entendendo o filme,

então é ele que tá errado.” [risos]

Não dá para você estudar alemão por um mês e entender um conteúdo feito para nativos.

Então, você tem que focar no caminho, você não pode focar no resultado.

O filme não pode ser seu resultado, você deve focar no caminho,

porque você está aprendendo hoje.

Então, são pequenas dicas que parecem um balde de água fria na cabeça daquele aluno,

mas que na verdade, é uma organização das suas expectativas.

Porque na hora em que suas expectativas não são frustradas,

você tem mais chance de permanecer.

A frustração é o que faz com que você saia fora.

E essa frustração vem do quê?

De uma expectativa em que você não faz a menor ideia.

Muitas pessoas começam a estudar a língua sem a menor ideia da dedicação necessária.

Acham que em um mês, dois meses, vão estar com um resultado impossível.

Mesmo para pessoas experientes,

mesmo para você e para mim, que somos pessoas experientes em aprender línguas,

você já sabe: Se eu quero ter resultados com um mês de estudo,

eu tenho que estudar muitas horas por dia.

Com uma hora por dia, não dá para ter o resultado que eu estou esperando.

Dá para avançar.

Outra coisa que eu sempre falo também é o seguinte:

“Uns dois anos da sua vida ou um ano da sua vida,

eles vão passar com você estudando língua ou não.”

Porque às vezes, a pessoa fala assim,

“Nossa! Mas eu vou demorar um ano para chegar nesse nível do alemão?!”

Aí, eu faço o cálculo. “Olha, você vai estudar meia-hora por dia.”

“Então, vai ser mais ou menos um ano para você chegar no nível tal se estudar assim.”

Okay e a pessoa fala, “Mas eu vou precisar de um ano?!”

Eu falo, “Sim! Se você ficar enrolando enquanto isso, porque é um ano todo,

você vai precisar de dois, porque você não falar muito bem, né?”

[risos] Sim.

Então, eu acho que a questão mais central é realmente entender o processo

para você poder entrar com consciência ou nem entrar.

Porque às vezes, quando você entra sem essa consciência,

daqui a duas semanas, você vai simplesmente parar de estudar.

Quando você está correndo uma maratona, você tem técnica para correr essa maratona.

Você não vai dar toda a sua energia nos primeiros 10 metros, 100 metros, 1km.

E depois, você não vai conseguir chegar no final,

são muitos quilômetros para você chegar no final.

Então, você não vai queimar toda a sua energia no início.

E é o que os alunos fazem. Os alunos falam assim comigo,

“Nossa, Lud, eu vou estudar 7 horas por dia!”

Eu falo, “Isso faz sentido durante 6 meses?”

“Não, lógico que não. Então, não adianta você fazer isso.”

“Vai ficar muito melhor se você criar uma rotina de estudos real

que você consegue fazer por um ano, você vai ter muito mais resultado

do que inventar que você vai estudar 7 horas por dia todo dia durante um mês,

porque aquilo não vai trazer o mesmo resultado.”

A constância traz muito mais resultado que 10 horas por dia nos primeiros 10 dias.

Isso não vai trazer o mesmo resultado que o mesmo tanto de horas

dividido uma hora por dia.

Então, são conhecimentos mesmo que levam- Não é que você fica mais motivado.

É que você fica menos desmotivado, que é o grande lance.

Às vezes, as pessoas perguntam, “Como eu motivo o meu aluno?”

Eu falo, “Não tenta motivar ele-

Quero dizer, pode motivar um pouco, claro. Mas o mais importante é:

Tenta não deixar ele desmotivado, explica para ele o caminho.

Explica para ele qual vai ser o processo.”

Porque quando você entra sabendo do processo, você entra sabendo do tempo,

é muito mais fácil você já entrar preparado mentalmente para o que vem lá na frente.

Sim, espetacular.

Olha, aplausos por essa resposta.

E logicamente, tem muita gente que me pergunta também,

“Ah Gabriel, quanto tempo vou levar para chegar à fluência no inglês?” Por exemplo.

E logicamente que devido também a um marketing bizarro e agressivo demais,

especialmente no Brasil, mas isso também tem por todas as partes,

a gente acaba se deparando com promessas absolutamente esdrúxulas e ridículas sobre

“Aprenda inglês em sete dias, chegue à fluência em um mês!”

Coisas que são completamente impossíveis de serem feitas.

Quero dizer, é impossível chegar à fluência num idioma em um mês.

E eu sempre falo exatamente também, ofereço uma estimativa de horas de estudo.

Por exemplo, existe uma estimativa para chegar do zero ao B2,

que seria o primeiro nível de fluência, sendo o intermediário alto no idioma.

Dizem que para alguém chegar do zero ao B2 no inglês,

essa pessoa precisa geralmente de 720 horas de estudo.

– Isso. – Quero dizer, então é um número-

E como você falou também, não são quaisquer horas de estudo,

são boas horas de estudo, com um bom método e com grande dedicação.

Exatamente, não é qualquer hora vendo Friends ali sentado na cadeira,

tomando uma cerveja que vai te fazer falar alemão ou inglês.

Exatamente.

Então, eu geralmente falo- Quero dizer…

E se você colocar isso em perspectiva, são basicamente duas horas por dia

em média todos os dias por um ano.

Então, se a pessoa quiser chegar do zero ao B2 no inglês dentro de um ano,

ela vai ter que se dedicar em média duas horas por dia.

E logicamente, pode ser que, se a pessoa não tiver uma constância,

também não vai ser legal, por exemplo, se dedicar um dia-

Quero dizer, em uma semana, 14 horas em apenas um dia e zero horas nos outros dias.

– Não faz, não tem o mesmo efeito. – Não faz o mesmo efeito.

E como você falou também, eu acho que-

Algo que eu achei muito interessante e muito verdadeiro também é assim,

quando uma pessoa está super empolgada e tem tempo,

“Ah, então eu tenho seis horas por dia para dedicar ao inglês ou ao alemão…”

Ao francês, ao mandarim, seja o que for…

Qual vai ser a qualidade da terceira hora de estudo?

E depois, da quarta?

E da quinta? E da sexta hora de estudo?

Em que você está com o cérebro todo frito depois de tantas horas de estudo?

Então, a gente tem que realmente respeitar o nosso próprio cérebro,

a nossa própria mente, o processo de aprendizado.

É algo que leva tempo, consome nossa energia física e cerebral.

Quero dizer, se nós estivermos nos dedicando muito ao aprendizado de idiomas,

a gente vai cansar também.

A gente vai ter que se respeitar, ter um pequeno break,

ter uma pequena pausa para depois voltar.

Então, eu acho que isso é uma coisa muito importante.

Eu só vou interromper agora, porque senão, vai ficar muito longo o nosso episódio.

Mas com certeza, faremos mais no futuro, porque sua sabedoria é muito rica.

Especialmente para quem está aprendendo outros idiomas.

Então, é espetacular.

E logicamente, para qualquer idioma-

E sendo que o alemão é um idioma relativamente difícil,

é até mais impressionante.

Então, é uma gramática complexa que o alemão tem.

Um vocabulário extremamente rico.

Então, é isso aí. Muito obrigado, Lud.

Muito obrigada você e…

Fico muito feliz de ter podido falar aqui um pouquinho sobre a minha experiência,

dividir a minha experiência, para mim é sempre um prazer.

E realmente, é isso o que eu estava falando aí.

Às vezes, quando você aprende a estudar línguas,

independente da gramática ou das características específicas de cada língua,

fica muito mais fácil, porque você sempre entende

o que você precisa fazer no início do caminho, no meio do caminho.

Como eu falei, o início do caminho é entender que caminho é esse,

quantas horas você vai precisar estudar, como você vai fazer…

Então, fica a dica: Nunca entre para estudar uma língua com fogo de palha.

Sempre entre já fazendo um plano de estudos

e sabendo quantas horas você vai estudar por dia e que horário.

Não é que vai dar certo de primeira, mas se você já tiver isso em mente,

se você já entender onde você está enfiando a cabeça, o que você está fazendo,

vai ficar muito mais fácil você manter a motivação lá em cima.

Gabe, era só o que queria dizer, obrigada.

Muito obrigado pelas suas conclusões finais.

E sempre, como falei, é um grande prazer.

– Então, muito obrigado, pessoal. Tchau! – Tchau tchau, até a próxima!

Obrigado, Lud.

#2 A motivação para dominar vários idiomas

Study this video as a lesson on LingQ

Olá, meus amigos. Hoje, temos um convidado muito especial.

O Patrick é um poliglota muito fera,

ele fala vários idiomas, sempre está aprendendo novos idiomas.

Eu vou perguntar para ele, “O que te motiva a aprender um novo idioma?”

E se você estiver ouvindo o nosso podcast do LingQ,

por favor, deixe a sua avaliação na Apple, nos siga no Spotify,

também no Google Podcasts ou SoundCloud.

E claro, não deixe de clicar em “Curtir” nos episódios que você mais apreciou.

E para quem ainda não conhece o LingQ e estiver aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu uso o LingQ todos os dias, já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

Com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas que você não conhece para ver a definição.

Então, agora, vamos começar nosso bate-papo com nosso amigo, Patrick.

Boa noite, Patrick. Tudo bem com você?

Olá, boa noite. Obrigado por me receber. Tudo bem?

Tudo bem, um grande prazer. O prazer é todo nosso.

E você, Patrick, é um poliglota nascido.

Você gosta de aprender idiomas, você sempre está aprendendo novos idiomas,

aperfeiçoando os idiomas que você já fala também,

eu vi que você sempre está fazendo novas lições, então eu pensei,

“Por que não bater um papo legal hoje sobre, simplesmente, motivação?”

Então, o que te motiva a aprender idiomas, eu acho que é um papo bem legal,

especialmente- A gente nem precisa conversar,

tentando convencer as pessoas a aprenderem novos idiomas.

Realmente, só- Porque-

Bom, para mim, também, porque eu adoro aprender idiomas,

eu tenho uma alta motivação para aprender idiomas.

Mas a gente pode, realmente, falar das perspectivas para todo o público.

Porque geralmente, eu e você estamos nos comunicando com pessoas que

já têm um interesse em aprender idiomas.

Então, vai ser legal também dar uma perspectiva, até para quem realmente

não tem necessariamente o mesmo nível de motivação

ou talvez não tenha o mesmo nível de interesse.

Então, eis uma boa pergunta, “O que te motiva, Patrick?”

“Para aprender idiomas e também para melhorá-los e tudo mais?”

Essa é uma ótima pergunta, ela vai direto no centro da questão, na verdade.

Eu gosto muito de dizer que a sua motivação é a coisa mais importante.

Porque você pode ter um bom método, você pode ter uma boa rotina,

mas quando você começa a aprender um idioma novo, tudo é tão incrível.

Cada som novo que tem no idioma, você fala, “Nossa, isso é muito legal.”

Então, você pode começar a aprender o mandarim e você pode falar,

“Nossa, eles têm tons. Olha só.”

“Então, se eu troco aqui o tom dessa palavra, eu troco o significado.”

“Isso é muito legal, isso é incrível.”

Daqui a algum tempo, você não vai sentir mais que é tão incrível assim.

Porque você já sabe, não é mais uma novidade.

Quando você for estudar, você vai falar,

“Nossa, mas eu já estou tentando pronunciar isso corretamente há três meses e não sai.”

Se nesse momento, você tiver uma motivação que não é na verdade uma boa motivação

e sim uma curiosidade, a chance é que você vai falar,

“Não, eu dei uma estudada no mandarim, mas eu não segui adiante.”

Porque você tinha uma “motivação”, entre aspas, fraca.

Então, a sua motivação tem que ser forte o suficiente para que-

para que quando chegar esse dia, você vai falar,

“Nossa, eu não aguento mais estudar os casos do russo e continuar errando.”

“Porque”, não sei, “quando eu vi que tinha casos, eu adorei.”

“Mas agora, parece que toda frase que eu falo tem um erro, porque…”

É nesse momento que você vai ter que olhar para a sua motivação e falar,

“Eu estou estudando por isso.”

“Não, eu não posso esquecer que eu estou estudando por isso.”

E se não tiver isso, se você olhar para lá, “Eu não estou estudando por isso.”

“Isso, na verdade, é porque eu só estava um pouquinho curioso mesmo.”

“Ah, eu só estava um pouquinho curioso, está difícil para caramba, deixa para lá.”

Então, exatamente o que me motiva, isso varia de um idioma para outro.

Para cada idioma, vamos dizer assim, teve uma certa motivação.

E você pode até-

Se você mapeasse os meus idiomas, você iria falar,

“Nossa, o Patrick fala melhor esse idioma do que esse e esse do que esse.”

Tudo isso está ligado à motivação.

“Por que eu aprendi aquele idioma? Por que eu aprendi? Por que e como?”

Mas você vê que isso altera o resultado.

Então, se você não tem uma boa motivação, eu sugiro que você ache uma boa motivação

antes de começar, de fato, a aprender o idioma.

Você pode gastar bastante tempo nisso até.

“Ah, eu estou me perguntando, ‘Qual idioma eu vou aprender?’.”

Essa pergunta é muito importante.

Às vezes, eu vejo que as pessoas até terceirizam isso.

“Ah, você acha que eu devo aprender alemão ou russo?”

Não sei, cara. Porque a sua motivação vai fazer essa diferença.

Porque quando você estiver lá, naquele dia em que você vai falar,

“Não consigo pronunciar isso certo de jeito nenhum.”

“Não consigo manter esses casos corretamente de jeito nenhum.”

Não vai fazer diferença nenhuma o fato de eu ter te falado assim,

“Ah, está muito difícil, mas o Gabriel falou que era para eu estudar russo.”

Essa é uma pergunta- Realmente, eu-

Por exemplo, no meu canal, toda hora tem gente perguntando,

“Gabriel, qual é o próximo idioma que eu devo aprender?”

“Ah, eu devo aprender espanhol ou russo?” “Eu devo fazer isso ou aquilo?”

E sempre, eu basicamente falo o que você disse.

Realmente, primeiro, é uma coisa individual.

Quais são os motivos pelos quais você-

Então, não dá para terceirizar e eu falar, “Aprenda russo, porque eu gosto de russo.”

Para o brasileiro, em específico, no geral.

Se um brasileiro chegar para mim e falar,

“Gabriel, devo aprender inglês ou sueco?”

Geralmente, eu vou falar, “Bom…”

“No geral, no mundo, vai ser mais útil aprender inglês para o brasileiro.”

Agora, eu não sei se a pessoa vai ter uma motivação especial.

“Ah, eu tenho uma esposa sueca, então eu quero aprender o sueco.”

Daí, é uma questão pessoal de motivação.

Daí, é outra história.

Mas realmente, isso de terceirizar a escolha de um idioma

é algo realmente muito interessante. Acho que daí, também tem que se perguntar,

“Bom, se você quer realmente aprender, se você está com essa dúvida.”

Por exemplo, “Ah, agora estou com dúvida, devo aprender francês ou alemão?”

“E quero aprender francês, porque estou apaixonado pela língua e cultura francesa.”

“E alemão, porque tenho a opção de trabalhar na Alemanha no futuro.”

Eu acho que a questão, realmente, é se perguntar,

“Qual a importância dessa oportunidade de trabalho na Alemanha no futuro?”

“E será que- E ela sendo considerada em relação à sua paixão pelo francês?”

Como nesse exemplo bobinho que estou dando, você tem que considerar essas duas coisas.

O que eu fiz, por exemplo, quando eu cheguei no momento no qual-

O Patrick já deve conhecer um pouco dessa história.

Quando eu cheguei a um bom nível de inglês, e demorou muito muito tempo para eu chegar,

eu me deparei com essa questão.

Eu estava interessado em aprender francês e alemão

por motivos diferentes, mas parecidos. Eu tinha interesse em ambos os idiomas.

Então, pensei, “Poxa, será que eu aprendo alemão ou francês?”

E no final das contas, eu decidi aprender os dois ao mesmo tempo.

Então, foi uma escolha que eu fiz.

Mas isso é um papo legal que eu acho que a gente pode ter numa próxima vez.

Mas uma pergunta interessante também seria-

Mas claro que você, especialmente como poliglota, você fala vários idiomas.

Você está aprendendo sempre mais.

“No geral, o que te motiva?”

Eu acho que essa é uma questão interessante. E também,

“Qual foi o motivo pelo qual-“

“No início da sua jornada, quando você aprendeu o seu segundo idioma,

depois o terceiro e tudo mais.”

“Será que foi a mesma motivação geral para idiomas?”

“Ou foi apenas a motivação inicial do primeiro idioma?”

Bom, eu poderia dizer que a motivação geral está ligada a me comunicar com as pessoas.

E tem um exemplo legal que ilustra isso quando eu comecei a aprender hebraico.

Eu tinha a ideia de aprender o hebraico bíblico.

Mas não fluía.

Eu fazia um progresso muito pequeno, eu não me divertia muito,

porque o meu método sempre envolve language partners

e conversar com as pessoas, conversar muito, conversar e conversar.

Mas com o hebraico bíblico, eu não podia fazer isso.

Então, eu não estava evoluindo.

E no momento que eu fiz a troca, eu falei,

“Bom, então, eu não vou aprender hebraico bíblico, eu vou aprender hebraico moderno.”

Pronto, fluiu.

E eu fiz a mesmíssima coisa com o grego.

Eu falei, “Não, eu vou aprender grego koiné para ler o novo testamento.”

E eu tive o mesmo problema.

Eu fiz a mesma coisa e tive o mesmo resultado.

Então, eu não sei se eu conseguiria, por exemplo, falar-

Falar até é esquisito.

Eu não sei se eu conseguiria dominar 12 idiomas mortos.

Como línguas antigas, línguas-

Porque, não sei, isso anula tudo o que eu gosto de fazer.

Isso anula o que eu faço para aprender idiomas, que é conversar com as pessoas.

Então, essa é talvez uma das chaves do meu aprendizado.

E outra coisa interessante, você pode notar se você me acompanhar,

“Ah, quais são os idiomas que o Patrick fala e por quê?”

“E quais os que ele não fala mais?”

Os idiomas que eu abandonei,

eu abandonei os idiomas, porque não tinha pessoas com quem eu podia falar.

Então, isso já aconteceu.

Eu comecei a estudar um idioma, não encontrei language partners,

não tinha pessoas com quem eu pudesse falar.

Então, o idioma ficou de lado.

E os idiomas que eu falo dão uma performance melhor.

Você vai ver que eu tenho o mesmo language partner há anos.

Ou é um language partner com quem eu me identifico muito.

Então, talvez a motivação central seja me comunicar com as pessoas.

Como você gosta de dizer, “Languages connect people.”

“Languages connect people.” (Idiomas conectam as pessoas)

Sim, com certeza.

Eu acho que nós temos isso em comum.

Essa vontade de se comunicar com as pessoas.

De entender pessoas de outras culturas.

De ter essa conexão tão especial com as pessoas.

Então, você diria que essa é uma das suas maiores motivações para aprender um idioma?

Sim, inclusive agora que eu já me conheço melhor do que me conhecia quando comecei.

Essa é uma coisa curiosa.

Eu primeiro procuro um language partner, depois eu começo a estudar um idioma.

Então, muitas vezes, as pessoas acham até estranho.

As pessoas me respondem quando eu procuro. Quando eu abordo a pessoa, ela fala,

“É, mas você já fala alguma coisa?” “Não, nada, nenhuma palavra.”

“Mas você vai falar comigo?”

“Não, porque eu vou te ajudar, eu vou te ajudar no idioma que você quiser

e eu vou te ensinar, mas eu quero que você me ensine, eu quero conversar com você.”

E a pessoa fala, “Ué, mas você não fala nada, como a gente vai conversar?”

E eu falo, “Não, eu quero ter a certeza de que vou ter alguém para conversar.”

“Eu vou ter alguém para conversar?” “Sim.”

Só então, eu começo. Sem isso? Não.

Então, é sempre o meu primeiro passo agora.

“Ah, eu quero-“

Se amanhã, a gente entra num acordo,

“Eu combinei com o Gabriel que a gente vai estudar estoniano.”

Então, eu vou procurar um language partner de estoniano, é o primeiro que vou fazer.

Porque se eu não encontrar, eu não vou conseguir seguir em frente.

Esse talvez seja o downside do que me motiva.

Se eu não tiver com quem conversar, eu não estudo, eu não converso, eu não uso.

Como você tem sucesso achando as pessoas certas?

E eu vi no seu Instagram, por exemplo, que você tem um para cada idioma,

que você tem uma conexão forte com essas pessoas, que é algo muito legal.

Então, como você consegue achar essas pessoas?

Não tem uma fórmula que eu vá te dar.

“Olha, se você fizer assim, você não vai encontrar.”

Mas você tem razão, são-

Por isso, eu geralmente digo que tenho um language partner para cada idioma,

porque de certa maneira, aquela pessoa personifica aquele idioma.

Então, ela tem uma responsabilidade muito grande.

Se aquela pessoa falar, “Patrick, eu não vou mais conversar.”

“Eu não vou mais te ajudar, é isso aqui e acabou.”

Provavelmente, aquele idioma vai morrendo.

A não ser que seja um idioma com o qual eu já tenha muita experiência,

que eu já tenha ele muito forte na minha cabeça, então ele pode sobreviver.

Como o hebraico sobreviveu sem um language partner por muitos anos.

Mas se for um idioma mais recente? Não, ele vai morrer.

Então, aquelas pessoas têm muita responsabilidade.

Por isso, tem essa conexão, sim.

Mas é por tentativa e erro.

E também por tomar responsabilidade.

Muitas vezes, eu vejo as pessoas me perguntando,

“Patrick, mas como eu faço para a pessoa poder me ensinar?

“Como eu faço para a pessoa poder me ajudar?

Mas primeiro, você oferece para depois, você receber.

Então, todos os meus language exchange partners,

se você for perguntar a qualquer um deles, “Mas o Patrick já te ajudou? Como?”

Você vai sempre receber uma resposta positiva e uma explicação.

Não teve nenhum language partner que já falou,

“Ah não, o Patrick?” Não sei, “Ele nunca me ajudou em nada.”

“Ele nunca me explicou nada, ele nunca me ensinou,

mas eu ensinei meu idioma para ele.”

Então, muito se dá nisso.

Eu acho que é bem difícil se a pessoa-

Se você consegue manter uma…

Uma espécie de relacionamento de language exchange partners com uma pessoa,

e você doa realmente algo, se você se dedica naquele projeto,

é muito difícil que a pessoa veja que você realmente está se dedicando.

Aí, você vai falar, “É, ele é bem dedicado e eu estou evoluindo.”

“Caramba, eu estou evoluindo muito desde que comecei a conversar com ele.”

“Ah, mas eu não estou nem aí, não vou levar muito a sério, não.”

Sabe? É difícil.

Claro que se a pessoa talvez esteja mais ou menos

e a pessoa ver que você também está mais ou menos lá…

“Ah, hoje? Não. Hoje, está tudo bem.”

Por exemplo, foi essa semana-

Não, não foi essa semana, foi na última semana.

Eu estava doente e meu language partner da Finlândia também estava doente.

A gente fez uma chamada com as duas câmeras desligadas.

Porque eu falei, “Não, eu não vou pular a chamada, mas eu estou péssimo.”

Aí, ele falou, “Não, eu também estou doente.”

“Tá, mas então, a gente faz com a câmera desligada, mas vamos fazer a chamada.”

Estava ali e nenhum dos dois falou, “Ah não, hoje não precisa, porque…”

É uma coisa séria, eu coloco na minha agenda.

E meus language partners sabem disso.

Eles têm um espaço na agenda bloqueado para que eles possam falar naquele dia.

Então, nenhum language partner meu falou,

“Olha, vamos ver o dia em que a gente pode falar.”

“Você me manda mensagem, eu te mando outra, a gente vê se vai combinar horário.”

Não, eles têm um horário bloqueado na agenda.

Então, eu não preciso mandar mensagem para eles dizendo,

“Vamos falar terça-feira?” “Não, a gente já tem horário.”

“Eu só vou chegar terça-feira e falar, ‘Tudo bem? Está aqui o link.

“Pode entrar na sala do Zoom’.”

Então, eu costumo brincar que, “É você quem tem que dar o tom.”

Se você está buscando uma pessoa séria, você tem que mostrar.

Saber desde o início que você tem metas, que você tem objetivos,

que você leva a sério, eu acho que é muito importante.

Então, eu acho que agora, para complementar e talvez

terminar o nosso bate-papo de hoje, que já está sendo muito legal,

mais uma pergunta…

Para as pessoas, para quem está considerando aprender outros idiomas,

talvez até para pessoas que nem têm tanto interesse.

Patrick, qual seria o motivo pelo qual-

Ou existiria algum motivo pelo qual você diria assim,

“Olha, vale a pena.”

“Vale a pena e”, sei lá, “mudou minha vida e pode mudar a sua também.”

O que você diria para quem talvez tenha um pouco de interesse?

Que possa ajudar à pessoa realmente a dar o primeiro passo?

Olha, essa é uma pergunta difícil.

Essa é uma pergunta bem difícil.

Mas assim, muda completamente-

É até difícil imaginar-

Hoje, é difícil imaginar uma vida totalmente em português.

Onde eu uso só o português e falo só em português.

Então, quando você aprende um idioma novo-

E eu não digo que todo mundo precisa dedicar sua vida a aprender vários idiomas

e ser poliglota, e falar mais de dez, doze, vinte idiomas.

Mas você precisa se dar a chance de-

Se dar a chance de se comunicar com os idiomas mais importantes do mundo.

Porque quando você não faz isso, você está de certa forma confinado.

É que é um confinamento que você não percebe.

Mas você está confinado.

Você está confinado em termos de conteúdo, você está confinado a-

Você pode pegar uma área simples do conhecimento,

“simples” entre aspas, mas por exemplo…

Motivação e toda essa galera que fala sobre motivação no Brasil…

90% dos conteúdos já existiam lá fora há alguns anos antes,

mas você não conseguia consumir direto da fonte.

E isso acontece com várias, várias e várias áreas do conhecimento.

Você precisa esperar que alguém vá direto na fonte, porque ela está em outro idioma,

e alguém beba dessa fonte primeiro

e depois recrie isso de uma outra maneira para que você possa consumir esse conteúdo.

Então, você está confinado de certa forma quando você se limita a só o seu idioma.

Você não tem acesso às melhores oportunidades,

aos melhores conteúdos, às melhores informações.

Porque as melhores informações dificilmente vão estar no seu idioma materno.

E mesmo se-

Para quem está ouvindo esse podcast, provavelmente ou está aprendendo português

ou é brasileiro mesmo ou tem português como língua materna.

Então, você está confinado de certa forma quando você faz isso.

E é uma experiência que…

Sabe? É até difícil descrever o quanto vale a pena.

Mas depois que você descobre e depois que você transforma, você vê,

“Caramba, realmente, eu estava confinado. Olha o que eu consigo fazer agora.”

“Não resta dúvida.”

Eu já vi gente que fala assim,

“Não, eu não sei se valeria a pena aprender um segundo idioma ou não.”

Mas eu nunca vi ninguém falando assim,

“Aprendi um segundo idioma, mas não valeu a pena.”

– Eu nunca vi ninguém falar isso. – É verdade.

– “Aprendi, mas não valeu a pena.” – Com certeza.

Você está certo, Patrick.

Este foi um bate-papo muito legal.

Continuaremos este bate-papo algum dia, com certeza.

Para o pessoal que está ouvindo o podcast, muito obrigado também por ouvir.

Um grande prazer, Patrick. E com certeza-

Ah, e para o pessoal também, sigam o Patrick nas redes sociais.

Vamos deixar os links aqui também.

Ele é um convidado muito ilustre, então quem sabe o teremos novamente no futuro.

Muito obrigado pelo convite, é sempre um prazer.

E um grande abraço.

Um grande abraço.

#1 Morando no Exterior: Desafios e Idiomas

Study this video as a lesson on LingQ

Bom dia, meus amigos!

Hoje, vamos falar com um convidado muito especial,

o nome dele é Thiago, ele mora na Itália.

Ele nasceu e cresceu no Brasil, mas depois morou em Dublin também na Irlanda

e acabou se mudando para a Itália, e ainda mora lá.

Vamos falar sobre morar no exterior, sobre se mudar para o exterior,

sobre a cultura local e também sobre idiomas.

Vai ser um bate-papo muito legal e enriquecedor,

especialmente para o pessoal que está querendo, talvez,

se mudar para um outro país no futuro.

E se você estiver ouvindo o nosso podcast do LingQ,

por favor, deixe a sua avaliação na Apple,

nos siga no Spotify, Google Podcasts ou SoundCloud, e claro,

não deixe de clicar em “Curtir” nos episódios que você mais apreciou.

E para quem ainda não conhece o LingQ e está aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu pessoalmente uso o LingQ todos os dias,

já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

Porque você pode escolher o tema que você quer estudar.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas palavras que você não conhece

para ver a definição e, assim, aprender.

Então, sem mais delongas, vamos falar com o nosso convidado de hoje.

Antes de começar, bom dia, Thiago. Tudo bem com você?

Prazer, prazer.

Eu vou me apresentar, me chamo Thiago Turibio.

Eu moro na Itália já tem um tempinho, desde setembro de 2012 que eu moro aqui.

– Ah, okay. Nove anos? – Já tem um tempinho.

Sim, nove anos.

Vim para cá, com a cara e a coragem, fiz faculdade.

E hoje em dia, ensino italiano na internet para brasileiros.

– Muito bom. – É só um resuminho aí.

Show de bola.

Então, você se mudou para a Itália para fazer a faculdade lá?

Exato, vou contar a história verdadeira.

Essa é a história que eu coloco no currículo, né?

A história real é que antes de vir para a Itália, eu morei em Dublin na Irlanda,

onde eu conheci uma pessoa,

uma menina italiana, que está comigo até hoje, inclusive.

Wow, que legal. Parabéns!

E foi por causa dela que eu vim para a Itália.

Foi por amor, né? Eu vim para a Itália por amor.

Só que eu não queria vir-

Uma história romântica para os nossos ouvintes.

Exato.

Eu não queria vir por vir aqui, eu queria vir-

Claro, ela era a razão principal,

mas eu queria unir o útil e o agradável.

Já que eu queria vir para a Itália para procurar fazer alguma coisa

que agregue algo na minha vida.

Então, eu fui buscar informações sobre como fazer faculdade aqui. Aí… né?

É um processo longo.

Eu comecei a faculdade aqui e tudo mais, aí fui embora, né?

Muito bom, mas o seu sobrenome é italiano. Então, você é descendente?

– Não tenho descendência. – Não?

Não tenho descendência italiana.

Apesar que “Turibio” pode ser que tenha alguma coisa ligada a origens italianas,

só que ninguém da minha família correu atrás.

Tipo assim, eu vim para a Itália não por buscar, por ter descendentes

ou por buscar cidadania, porque a maioria dos brasileiros que vêm para cá

é por causa disso, né? Porque têm descendentes italianos,

então eles vêm para cá para conseguir a cidadania.

No meu caso, foi simplesmente mesmo porque conheci a Kiara, me apaixonei e vim pra cá.

Se ela fosse espanhola, eu teria ido para a Espanha.

Se ela fosse chinesa, eu teria ido para a China.

É isso aí.

Acabou que o destino quis que ela fosse italiana e cá estou eu.

Só que eu não tenho cidadania e nada.

Eu sempre tive visto, visto de estudo nos primeiros cinco anos,

foram cinco vistos de estudos, porque tem que renovar todo ano.

E depois que eu terminei a faculdade, visto de trabalho.

E depois, quando acabou o visto de trabalho, eu peguei uma-

Tipo, é como se fosse uma “cidadania” para uma pessoa que mora aqui há muito tempo já,

para um estrangeiro que mora aqui há muito tempo já.

É uma “carta di soggiorno”.

É como se fosse uma cidadania italiana, mas para uma pessoa que não tem direito

para uma cidadania por sangue, mas tem por tempo de residência,

por tempo de contribuição e tal.

Ah, legal. E aqui na França, é “carte de séjour”.

– Então, é bem parecido. – “Carte de séjour?”

Essas línguas latinas.

Logo antes de começarmos o nosso podcast, batemos um papinho rápido sobre esse tema,

que é super interessante. Porque afinal, como todo mundo sabe,

logicamente, muitos amigos brasileiros querem morar no exterior

e começam a escolher um país, né?

Às vezes, vai ser para os Estados Unidos, vai ser para a Europa.

Logicamente, quem tem uma ascendência de um país europeu pode também batalhar,

buscar a cidadania portuguesa, italiana, espanhola, ou seja lá qual for.

E daí, vem sempre, logicamente, também a questão do idioma.

E isso é uma questão que realmente me fascina,

porque tem muita gente que toma decisões meio interessantes em relação ao idioma,

porque pensa assim,

“Ah não, eu acho que eu vou com a cara e a coragem, aprendo lá mesmo.”

Especialmente o italiano, sendo- Por exemplo, nesse nosso exemplo aqui.

Se você quiser morar na Itália ou Espanha, ou sei lá, talvez na França,

“É um idioma latino, vou mandar ver.”

Eu me mudei para o Canadá com 17 anos, já tinha feito curso de inglês por 6 anos.

Para quem já conhece a minha história, basicamente, eu vim aqui e apanhei ainda

para chegar num nível conversacional, assim, muito bom.

Daí, essa é outra história, mas-

Deixa eu só te interromper um pouquinho, Gabriel.

Essa questão de que você estudou seis anos o inglês antes de ir para o Canadá.

Isso foi a mesma coisa que aconteceu comigo quando eu fui para a Irlanda.

Eu sempre estudei inglês na minha vida, e quando fui para a Irlanda, tinha 18 anos.

Desde pequeno, eu estudei inglês nessas escolas convencionais, né?

Escolas de idiomas.

Eu cheguei lá e sofri, eu não conseguia me comunicar direito.

Eu não conseguia me comunicar.

Já entender o irlandês é difícil, porque eles têm 3 batatas na boca quando falam.

Sim, o sotaque é interessante mesmo.

Mas eu entendia uma coisa ou outra ali, eu entendia o contexto.

Mas responder? Nossa senhora. Travado, travado total.

Eu fui aprender lá, eu aprendi lá.

Sim, exatamente.

Comigo foi a mesma coisa. Então, eu cheguei aqui-

Basicamente, de uma maneira relativa,

por exemplo, eu estava num nível mais alto que os outros brasileiros que vieram.

Isso era inegável, porque, por exemplo, eu já tinha completado o curso e tudo mais.

Até a minha leitura e gramática eram boas,

porque afinal, eu já tinha me dedicado bastante na escola e tudo mais.

Mas na hora de comunicar, para entender o inglês falado?

Nossa, como eu apanhava.

Não quero parecer também que a gente está tentando convencer a todos os brasileiros a

necessariamente aprender o idioma se quiser morar num outro país.

– É muito de cada um, isso. É pessoal. – Muito de cada um, exatamente.

É pessoal, realmente.

Mas eu diria que, inevitavelmente, vale a pena.

E tendo uma grande exposição, é isso o que acontece.

Você vai de pouco em pouco, quase por osmose, absorvendo o idioma.

E é uma coisa tão rica, tão interessante, tão bacana.

Você pega, escuta, aprende aquilo.

Depois de umas três vezes que você escutou, você já sabe usar.

E é um processo tão natural, tão bonito, de aprender o idioma e entrar na cultura.

Thiago, você tem alguma história engraçada sobre-

– Da língua italiana? – Sobre o italiano?

Tenho, tenho algumas.

Mas tipo assim, quando eu cheguei aqui bem no início mesmo,

acho que era a primeira semana, eu arrumei um biquinho em uma cafeteria.

Aí, eu estava conversando com o dono da cafeteria.

Aí, ele me pediu para ir no supermercado comprar “patatine.”

Ele me falou, “Vá no mercado comprar ‘patatine’.”

Depois, eu vou falar o que significa “patatine.”

Eu pensei, “Caramba, ‘patatine’?”

“Sei que ‘batata’ em italiano é ‘patata’, mas por que ele falou ‘patatine’?”

Associei “patatine” com a palavra “patata”, que eu já conhecia como “batata”,

porque só muda uma letra para o português.

Aí, o que eu fiz? “Nossa, meu.”

“É uma cafeteria, ele não vai querer batata para servir pros clientes, né?”

Fui no mercado já meio, “O que deve ser esse negócio?”

Aí, rodei o mercado todinho até achar. “Meu, vou achar o nome escrito, patatine.”

Porque o legal da língua italiana é que eles falam realmente como escreve, né?

– Eles falam cada sílaba. – Sim, é que nem o Francês.

Exato.

Então, se você está numa dúvida, você consegue se você lembrar o sonzinho,

se você souber o sonzinho de todas as sílabas em italiano,

você consegue meio que imaginar como a palavra é escrita.

Então, fui no mercado e fui procurando essa palavra.

Fui procurando a palavra ‘patatine’ em todos os repartes do supermercado.

Até que me deparei no reparte de…

“Salgadinhos.”

Eu pensei, “Pelo amor de Deus. ‘Patatine’ é ‘salgadinhos’ em italiano.”

Eu não sabia, nunca mais esqueci.

Muito bom.

Bem, na minha cabeça, veio “batatinha.” Né? Porque ‘patatine’ é-

É, ‘patatine’ seria-

É, eu imaginei, “Não é uma batata pequena?”

Porque em ‘patatine’, o sufixo ‘ine’ é diminutivo em italiano,

seria “inho” ou inha.”

Só que no caso, não era. Era “salgadinho”, né?

Era “salgadinho”, não era uma “batatinha pequena.”

Muito bom, muito bom.

Mas você tem alguma história, por exemplo, de um momento mais constrangedor

por não saber o idioma ou algo assim?

Porque também tem muita gente que fala-

Uma pergunta que me fazem com frequência, especialmente para o brasileiro

que quer sair, que quer morar no exterior,

“Você já teve um momento constrangedor quando falava o idioma?”

Bom, já que eu falava, mesmo que apanhando um pouco para me comunicar e tudo mais,

eu não lembro de ter tido muitos momentos tão constrangedores.

Tive sorte de também nunca me sentir, por exemplo, discriminado aqui no Canadá.

O canadense é geralmente bem tranquilo, tranquilão assim, sabe?

Especialmente porque fiz amizades aqui.

Então, tem muita gente que me pergunta,

“Gabriel, você já teve situações constrangedoras?”

“Você já sentiu discriminação?”

– E com você, Thiago? – Em relação a discriminação, nunca.

Nem na Irlanda, nem na Itália.

Graças a Deus, até porque eu não saberia qual seria a minha reação.

Mas nunca aconteceu, menos mal.

– Menos mal, com certeza. – Exato.

Mas em relação de uma situação constrangedora, aconteceu já.

Tipo, na faculdade.

Aqui na Itália, a gente faz prova escrita e depois uma prova oral da mesma matéria.

E o que acontece aqui? Eu fazia as provas escritas e tal,

e quando chegava na prova oral, eu tinha que falar tête-à-tête com o professor.

Só que quando falamos com um professor, com uma pessoa idosa, com o seu chefe,

a gente tem que usar o italiano formal.

E eu não sabia usar o italiano formal.

Então, eu falava de uma maneira informal com os meus professores.

Alguns deixaram passar, porque viam que eu era estrangeiro.

Mas teve um que chamou a minha atenção na frente de todo mundo

e foi bem constrangedor.

Teve um que chamou a minha atenção, ele falou algo assim,

“Com um professor, se usa o italiano formal.”

Ele falou assim, “[???] a um professor.”

“Mi scusi! Mi scusi!”

Foi bem constrangedor. E depois dessa-

Porque na minha cabeça,

“Ah, eu já sei falar italiano aqui com meus amigos e tal, já estou mandando bem.”

Só que também, faltava uma coisinha.

Se fosse para viver, para o dia-a-dia, para o cotidiano, okay.

Mas num contexto mais sério, como numa faculdade, não estava okay.

Precisava de mais, não estava okay o que eu já sabia.

Foi aí que acendeu a luzinha,

“É, eu acho que vou ter que aprender a usar esse formal,

porque senão, não vou sair dessa faculdade.”

Não, com certeza.

Mas por exemplo, no francês- Na França, quero dizer, é a mesma coisa.

Mas eu acho que provavelmente é mais intenso, digamos.

Porque na França, se tem alguém que você não conhece, você tem que usar o-

Seria o “Lei”, né? Então-

– Formal. – O formal.

E na verdade, a tendência do francês, especialmente com-

Para lidar com pessoas que você não conhece, seja no mercado,

seja em qualquer situação, eles têm uma linguagem super formal

e super elegante para falar com as pessoas.

E eles usam, eles falam “[???]” Quero dizer, eles usam o “vous.”

E logicamente, se você está num bar ou está com amigos, você usa o “tu”

que é o informal.

E daí, logicamente, tem um francês bem informalzão também,

com bastantes gírias e tudo mais que você pode usar com seus amigos.

Mas em qualquer situação, e não precisaria ser numa situação tão-

Tipo, numa universidade, não precisaria nem ser necessariamente assim.

Mas, mesmo na rua ali, se você estiver-

Por exemplo, se você falar ali numa padaria e se você usar o “tu”, vão falar assim,

“[???]”

– É tipo assim, é algo mais intenso. – Não, mas é assim aqui também.

Aqui, se você for no supermercado, eles usam o “Lei”,

que é a estrutura do italiano formal.

Se você for no caixa do mercado, vão falar com a pessoa no italiano formal.

Eu não falava, porque eu não via necessidade.

Na minha cabeça, “Por que tenho que falar ‘o senhor’ ou ‘a senhora’? Falo ‘você’.”

“Eu falo ‘você’.” Na minha cabeça, não era desrespeitoso.

Mas na cabeça deles, sim. Aí, é que está a questão de entender a cultura deles.

Para essa questão, eu pequei. Eu tive que ter sido chamado a atenção para entender,

“Opa, isso aqui não está legal. Esse meu lado não está legal, tenho que melhorar.”

E foi aí que eu peguei para-

Aí, eu comecei a usar o italiano formal com os meus amigos e eles rachavam o bico.

Nossa senhora.

Dentre o bullying, né?

Eles davam risada para caramba, porque eu falava formal com eles para treinar, né?

Eu só tive amigos italianos, eu só tenho amigos italianos até hoje.

Eu usava a amizade deles para treinar.

“Ehi, signore!”

Usava, era mais ou menos assim.

Não sei, não todo o tempo, mas meio que umas duas horinhas por dia,

eu enchia o saco deles usando o italiano formal.

– Muito bom. – Mas serviu, foi útil.

Não, faz sentido.

É a amizade que- Assim, na maioria dos países da Europa, eu acho-

Agora, fora a Inglaterra. O pessoal geralmente é-

Assim, você pode usar uma linguagem bem informal.

No caso, por exemplo, até no Norte, eles falam muito assim,

“Oh, how are you, love?” (Oh, como vai, querido?)

– Assim, são bem mais informais. – São bem informais.

E não tem o-

“You” é “you.” Não tem o “you” formal e o “you” informal.

Mas para o Alemão, por exemplo, também tem o “sie.”

Então, quero dizer-

E logicamente, como na Itália e como na França, você também tem que usar o “sie”

numa situação com alguém que você não conhece.

– E o “tu”, que é “você.” – [???]

Exatamente, você pode usar só com amigos mesmo e pessoas que você já conhece.

É, para o nosso português, seria “o senhor” ou “a senhora.”

A nossa forma de falar o “você” de uma maneira formal

é encaixando esse “o senhor” ou “a senhora.”

Sim, exatamente. “O senhor” que é-

“O senhor poderia me informar sobre alguma coisa?”

Exatamente.

Só que no português, é mais fácil, porque é só você colocar

“o senhor” ou “a senhora”, o verbo não muda.

“Você quer” ou “o senhor quer”, o verbo “querer” fica igual.

No italiano, já muda a conjugação também.

É um pouquinho complicado.

Serve um pouquinho de estudo, de tempo, para você pegar.

Mas quando pega também, já vai no automático.

Com certeza.

Então, essa questão da cultura-

Não é só a linguística, é da cultura do país, é algo-

Acho que é muito importante também para a gente,

mesmo só viajando, não necessariamente mudando para o país, é importante ter

uma noção legal da cultura, de como funcionam as coisas, do que deve ser feito,

das palavras que temos que usar com as outras pessoas, quero dizer.

Porque são tantas coisas, considerações muito importantes.

– Thiago, muito obrigado pela participação. – Obrigado.

Esse papo foi enriquecedor, foi um bate-papo muito legal.

Obrigado a você, Gabriel.

Show de bola.

E no futuro, quem sabe, podemos fazer mais bate-papos legais como este.

Muito obrigado por participar do podcast do LingQ.

Obrigado a você, eu te agradeço,

também ao pessoal que está assistindo à gente.

E boa sorte nesse novo projeto seu.

Muito obrigado, Thiago. E também vou deixar-

Pessoal, para seguir o Thiago, para quem quiser simplesmente bater papo com ele

ou também para aprender italiano, vou deixar aqui o link dele.

Todos os links. Do YouTube, do Instagram e tudo mais.

Beleza?

– Então, grande abraço, Thiago. – Grazie, Gabriel.

Setúbal

Want to study this episode as a lesson on LingQ? Give it a try!

Susana speaks with Andreia, a fellow student in a multimedia course, about the city of Setúbal. After finishing a project, they continue their conversation and Andreia speaks about the neighbourhood in which she grew up;a neighbourhood of fishermen on a river. (A Andreia é colega da Susana num curso multimédia que estão ambas a fazer sobre a cidade de Setúbal. Depois de um projecto continuaram a conversar e a Andreia falou do bairro onde nasceu e onde passou a sua infância: um bairro de pescadores, junto ao rio).

Susana: Olá bem vindos a mais um podcast do LingQ. Eu, há alguns dias, estive a falar com uma colega minha chamada Andreia acerca da sua cidade, acerca de Setúbal. E nós estivemos a conversar, mas como só tínhamos um microfone e ela é que o tinha, a minha voz ficou-se a ouvir mesmo muito ao fundo, e era mesmo difícil compreender aquilo que eu dizia, por isso…. E eu só reparei, acabei por só reparar nisso quando cheguei a casa e depois tive a ouvir aquilo que tínhamos gravado.

Por isso aquilo que vou fazer neste podcast é repetir por cima, e agora gravando em casa, por isso não reparem quando não ouvirem o barulho de fundo, porque eu gravei com a Andreia nos jardins da Gulbenkian, que são em Lisboa e é um jardim no meio da cidade que tem muito espaço e muitos pássaros, e muito barulho envolvente.

É ao pé do museu de arte moderna, do museu de arte contemporânea, e de vez em quando até passavam aviões, por isso… Agora em casa, é noite, ninguém está a fazer barulho, por isso não estranhem a diferença de sons.

Bem, eu agora vou introduzir-vos um bocado na conversa, como fiz na altura.

A minha colega Andreia vive em Setúbal, ela é minha colega de um curso multimédia de jornalismo que eu estou a fazer para complementar a minha licenciatura. Eu estou a acabar a minha licenciatura em jornalismo. E esse curso que estamos a fazer, esse curso multimédia, tem como objectivo a produção de um site com conteúdos sobre Setúbal. Então uma das ideias que a gente teve foi fazer uma espécie de sete maravilhas de Setúbal. Escolhemos sete lugares de Setúbal, depois fizemos uma peça com áudio e com fotografias acerca desses sítios que tínhamos escolhido. Um deles foi as Fontaínhas, que é um bairro, um bairro de pescadores. Porque Setúbal é uma cidade à beira-rio, e o rio e a pesca sempre foram actividades que tiveram sempre muito presentes na vida dos setubalenses.

Por isso pensámos que esse bairro típico era uma boa ideia para a gente fazer um trabalho. A Andreia viveu lá em pequena e foi acerca da sua vida lá em pequena que nós estivemos a conversar. Andreia : Então queres que eu fale do bairro onde vivi.

Quando eu era miúda viviam muitas crianças no bairro das Fontainhas. A escola era relativamente perto, nós íamos a pé, íamos sempre em grupo: cinco, seis, sete, dependendo. O que acontecia é que a Andreia saia de casa, da casa da ama, sozinha, subia aquela rua, subia até à porta do primeiro colega que fazia companhia até à porta do segundo colega, e assim íamos todos em grupo para a escola, o que era muito engraçado porque acabámos por crescer todos juntos. Éramos da mesma turma.

Íamos e vínhamos da escola (SPEAKING ERROR: the verb IR asks for the preposition PARA and the verb VIR ask for the preposition DE. So the correct way is: Íamos para a escola e vínhamos da escola or íamos para a escola e vínhamos de lá) uns com os outros… esta parte não ficou muito bem, mas tu percebeste. Ninguém nos fazia mal, éramos muito unidos. E o caminho para a escola era sempre recheado de brincadeiras e malandrices: coisas de miúdos!

Então esse bairro foi o bairro onde a minha família se formou, onde se começou a construir, porque a minha mãe nasceu no número oito, eu acho que foi… vou dizer, no número oito do largo das machadas, que é perto de onde para mais tarde foi morar e na altura era um sitio que, como ficava muito perto do rio, era onde os pescadores da altura moravam, porque era muito fácil saírem de casa… era muito fácil, não era fácil, não era uma vida fácil, mas era fácil saírem de casa para ver se o barco estava bem amarrado, para ver se as redes estavam prontas para ir para o mar, para se certificarem de que estava tudo certo. Porque é o ganha-pão e foi durante muitos anos o ganha-pão daquela gente.

O que havia para comer, o que havia para gastar era o que o mar dava. E muitas vezes o mar não era generoso. Susana: Pois. É que Setúbal é uma cidade à beira rio, à beira do rio Sado. E apesar de ser uma cidade que está na margem sul do rio Tejo, portanto a trinta, quarenta quilómetros de Lisboa, Setúbal é uma cidade que está à beira do rio Sado. É uma cidade bonita, que em tempos foi muito pobre, onde só moravam pescadores e operários. E é mesmo isso que a Andreia disse, a verdade é que o mar tanto podia ser muito generoso, como ser muito pouco generoso. E aquilo que as pessoas comiam e o dinheiro que as pessoas tinham vinha do mar.

E o bairro das Fontainhas é um bairro no cimo de Setúbal, numa zona alta da cidade, e as casas eram simples e modestas com um, dois andares, mas com dois ou três quartos e ai viviam famílias muito grandes e em condições humildes porque o dinheiro que vinha do mar não era muito e muitas vezes nem dava para viver só com o dinheiro que vinha do mar. Andreia: No bairro das Fontainhas temos hoje o museu do trabalho que foi há muitos anos uma fábrica de conservas. A indústria conserveira foi o ganha-pão de muita gente, deu trabalho a muita gente, inclusive algumas tias minhas, também tive tias que trabalharam na indústria conserveira, tias-avós, na altura ganhavam muito pouco, mas era o trabalho que havia.

E não era um trabalho nada fácil: porque meter a mão no peixe e nas escamas e nas espinhas e o peixe muitas vezes ainda vinha gelado, vinha fresco, vinha directamente do rio… E alguém tinha de fazer esse trabalho, salgá-lo, primeiro amanhá-lo, depois salgá-lo, colocá-lo nos sítios certos para depois ser embalado, ser conservado. Susana: Bem, a conversa com a Andreia demorou mais alguns minutos, mas eu vou deixar o resto da conversa para um segundo podcast que hei-de postar mais ou menos ao mesmo tempo que este. A verdade é que é importante perceber que Setúbal (em especial o bairro das Fontainhas) foi uma cidade que há cerca de trinta, quarenta anos vivia muito do peixe, mas hoje já não vive tanto dele.

É uma cidade onde já há muito imigrantes, brasileiros, ucranianos, pessoas vindas de leste, e que começaram a ocupar as casas desses pescadores e que as conseguem recuperar e estimar. E pronto acerca dessas actividades: as pessoas continuam a ter um grande respeito e um grande orgulho por quem viveu do rio e do mar, porque se sabe que foram actividades bastante difíceis. No próximo podcast com a Andreia vamos ainda falar acerca do miradouro, das vizinhas que são… todos nós temos vizinhas, não é?

Mas as vizinhas portuguesas têm uma característica, não são só as de Setúbal, as vizinhas portuguesas têm uma característica que eu não sei se há em todo o lado. E vamos também falar de roupa estendida, roupa estendida nas varandas – o que não se vê só em Lisboa. Talvez também seja uma característica especial dos portugueses.

Não percam o próximo podcast em http://www.portugueselingq.com Até lá!

Luis & Pedro – Cultural Heritage

Study this episode and any others from the LingQ Portuguese Podcast on LingQ! Check it out.

Luis has to write an essay about Portuguese cultural heritage, so he asks for Pedro’s advice on what to write about.(Luis tem de escrever um trabalho acerca do património cultural português, e pede conselhos ao Pedro acerca dos conteúdos a explorar.) 

Luis: Sabes, eu a semana passada estava na faculdade, e foi-me pedido para fazer um trabalho acerca do património cultural em Portugal.

Das várias cidades e os vários… as várias atracções culturais que nós temos em Portugal, sítios de interesse.

Gostavas de me ajudar?

Pedro: Sim, penso que não é muito difícil tentar fazer aí umas sugestões para que tu possas fazer um bom trabalho.

Luis: Ah, obrigado.

Eu estava a pensar assim nas minhas experiências em Portugal, e bem, as mais recentes, vou começar por… não sei se conheces a Vila de Óbidos.

Pedro: Por acaso não conheço a Vila de Óbidos, sei que é para os lados de Lisboa, acho eu…

Luis: A Vila de Óbidos é um sítio extremamente bonito, que eu já lá fui umas quantas vezes, e gosto de ir pelo menos uma vez por ano.

Fica ao pé das Caldas da Rainha.

Pedro: Ah, então quer dizer que estou completamente a leste…

Luís: Não não, é cerca de quarenta e cinco minutos a norte de Lisboa, de carro, não é assim muito longe de Lisboa.

E eu normalmente costumo ir lá, não sei se já viste alguma imagem de Óbidos…

Pedro: Não, nunca vi, nunca vi.

Luis: …aquilo básicamente é uma vila medieval.

Ou seja, é uma vila que tem uma muralha à volta, foi… já tem muitos anos, não sei ao certo a idade daquela construção, mas é da altura da Idade Média.

E é uma cidade… uma vila, peço desculpa, construida num grande alto, numa escarpa com uma inclinação muito forte, o que é curioso, porque se fores a andar pela vila a pé – e o acesso aos carros ali é muito limitado – tu para andares cem metros cansas-te bastante porque tens de subir muito.

Pedro: Ai sim?

Luis: Exactamente.

Pedro: Curioso, faz-me lembrar um pouco Coimbra que também é uma cidade que é aos altos e baixos…

Luis: Exacto.

Pedro: Em que temos que andar muito.

Luis: Pronto, mas Coimbra também tem um valor cultural muito grande, mas tem muito mais desenvolvimento.

Pedro: Sim, é uma cidade, não é uma vila.

Luis: Óbidos é uma vila que eles tentaram perservar quase parado no tempo.

Claro que há muitos interesses turísticos também aí em jogo não é?

Não foi por acaso que eles decidiram não modernizar muito aquela vila, foi por uma questão de interesse turístico.

Mas penso que foi uma boa opção porque conseguiram manter a beleza histórica da própria vila, e tu passeias-te por aquela vila à noite, com aquelas luzes todas, a muralha, penso que até tem… não é bem um castelo nem bem um forte, onde há uma pousada inserida nesse forte, mas conseguiram manter as construções intactas, e as construções turísticas que acrescentaram foi sempre tendo em atenção a manutenção do que já lá estava.

Portanto, eu penso que é uma vila que é Património Mundial, e eu estava a pensar incluir esta experiência no meu trabalho, claro que vou ter de investigar melhor as origens, mas recomendo.

Acho que se não conheces era uma cidade… uma vila, peço desculpa, uma vila que era bastante importante conheceres tanto a nível de experiência pessoal, penso que ías gostar bastante.

Mas é um sítio imperdível, principalmente para quem vive em Portugal.

Pedro: Olha, a meu ver acho que realmente tens razão.

Eu não conheço Óbidos, nunca fui lá, mas pelo que tu acabaste de me contar, acho que sim, que é um ponto realmente interessante para baseares o teu trabalho, e acho que este tipo de vilas e de locais que são preservados para fins turísticos e não só, e também preservados na intenção de manter um pouco viva e perene a história do nosso país, são locais que devem-se manter, porque lá está, têm bastante história do nosso país, e se vamos estar a alterá-los vamos estar a perder um pouco dessa história do nosso país.

Não é que não deva haver inovação, acho que sim, as cidades são prova disso, são prova que o nosso país se tem vindo a desenvolver ao longo dos tempos.

Mas pronto, há que manter um pouco a nostalgia do que foi esta nação, para também nos apercebermos do quanto é que evoluimos.

E não só, acho que a meu ver, um também dos outros pontos interessantes desse tipo de locais que se mantém, digamos como tu falaste à bocado, parados no tempo, é a de nós realmente deixarmos um pouco para trás a realidade que nos rodeia no dia-a-dia, e entrarmos numa realidade nova que para além de servir de ponto de aprendizagem também é um ponto, vá lá, de descompressão do nosso quotidiano e é uma forma interessante, lá está como tu disseste, de passar bons momentos de lazer e também incluir nesses momentos de lazer, aprendizagem.

Portanto, por aí acho que tens realmente uma maneira interessante de abordares esse teu trabalho.

Ao falares-me de Óbidos e da sua intemporalidade que foi submetida para manter essa noção do que é que era o nosso país acerca de alguns séculos atrás, fizeste-me lembrar um pouco de Sintra.

Sintra, como tu sabes, já lá foste?

Luis: Já, já lá fui.

Pedro: Já lá foste a Sintra.

Eu só lá fui uma vez, que foi numa viagem de estudo quando andava na escola secundária, e realmente adorei Sintra.

Faz-me lembrar um pouco o que tu contaste sobre Óbidos porque também tem muita coisa que está preservada e que se tenta manter, não só como forma de atrair turistas, porque é necessário, um dos sectores da economia do nosso país, é o turismo…

Luis: Sim, é um dos principais… uma das principais fontes de rendimento do nosso país.

Pedro: Ora aí está.

E turismo em Portugal não pode ser só referenciado como o turismo das praias, porque nós temos uma costa enorme, portanto temos muitas praias, temos o Algarve pronto, mas também realmente este turismo cultural.

Sintra tem realmente essa intemporalidade, e também está envolta em outros aspectos, em factos históricos que são marcantes, e como tal acresce o seu valor cultural.

Pronto, dou também a sugestão de Sintra.

Agora, há também outras coisas interessantespara focares…

Luis: Sim, claro.

Quando me propuseram este trabalho eu pensei imediatamente – como penso que quase qualquer português – pensei naqueles simbolos históricos mais marcantes do nosso país, e que provavelmente todos os turistas que vêm fazer turismo mais virado para a cultura em Portugal, reconhecem mais facilmente, que é basicamente tudo o que está centrado em Lisboa.

Pedro: Ora aí está, eu estava a pensar nisso.

Luis: Exacto.

É óbvio que para mim seria muito mais… teria um trabalho muito mais simplificado se pegasse nesses marcos mais conhecidos de Portugal, tudo o que está centrado na nossa história de navegação marítima e da descoberta dos novos mundos.

Mas eu penso que o valor de Portugal também está em sítios muito menos conhecidos da população em geral.

Se calhar esse teu exemplo de Sintra, o que eu falei há pouco acerca de Óbidos, e outras terras que têm menos divulgação, eu penso que é muito mais importante se calhar para mim estar a fazer um trabalho acerca desses sítios, porque não estou a seguir aquela corrente de pensamento, de quando se pensa em cultura em Portugal é aqueles grandes feitos, aquelas coisas com grande magnitude… Penso que me interessa mais fazer acerca de culturas menos exploradas mediáticamente.

Pero: Olha, eu acho que tens toda a razão.

A prova disso é que eu não conheço Óbidos como já te disse anteriormente.

E também acho que se pegares por aí és capaz de vir a ter uma melhor nota.

Acho eu!

Luis: Eu espero que sim!

Pedro: É ou não é verdade?

Inês & Luis – Study and Erasmus

Want to study this episode as a lesson on LingQ? Give it a try!

Inês and Luis talk about their studies, and share their ideas on the Erasmus program.(Inês e Luís falam acerca dos seus estudos, e partilham as suas ideias acerca do programa Erasmus.) 

Luís: Olá Inês.

Inês: Olá Luís.

Luís: Então, está tudo bem contigo?

Inês: Está e contigo?

Luís: Olha, está tudo bem, o mesmo de sempre.

Inês: É?

Então?

Luís: Olha, é acordar, ir pra escola, pra faculdade ter as aulas, voltar pra casa…pronto é uma rotina.

Inês: Pois, é como eu…

Luís: Tu estás a estudar agora?

Inês: Sim.

Luís: E estás a estudar o quê?

Inês: Promoção artística e Património.

Conheces?

Luís: Olha por acaso já tinha ouvido falar desse curso mas ainda não sei muito bem do que é que trata…

Inês: A sério?

Pois é natural, este curso tem para aí cinco anos.

Luís: Ah…!

É um curso recente então…

Inês: É. É recente.

Luís: Ok, então e ‘tás a gostar?

Inês: Pá, até agora sim.

Luís: Hm.

Que tipo de disciplinas é que tu tens nesse curso?

Inês: Então Luís, tenho História de Arte, Património Literário, Fotografia, Design…é muito interessante.

Luís: Sim, parece-me bastante interessante.

Isso realmente é um curso que…

Inês: …com muita diversidade sim…

Luís: Sim pelo que tu me estás a dizer parece-me bastante completo…dentro da área da cultura, pronto dentro desses tópicos que tu acabaste de dizer.

Inês: Sim.

Então e tu ‘tás a estudar o quê?

Luís: Olha eu estou na escola de Ciências Empresariais, que penso que é ao pé da escola onde tu estudas também…

Inês: Sim sim.

Luís: … e estou a estudar Marketing.

Inês: Ah…e estás a gostar?

Luís: Olha, até agora não é um curso assim daqueles muito dificeis, como Medicinas e esses tipos de cursos que têm bastante que estudar, mas pronto é um curso que se faz bem se tu estudares, e que tem disciplinas interessantes e outras assim mais aborrecidas.

Inês: Tipo quais?

Luís: Olha, tens disciplinas, pelo menos pronto, pessoalmente eu acho que são mais complicadas, para realmente teres um interesse muito grande nessas disciplinas…Contabilidade, Estatística, Economia…são áreas de estudo muito técnicas, com muitos números, e é facil uma pessoa perder o interesse se não se aplicar…

Inês: Pois, compreendo.

Luís: Mas no geral, o que me agrada no curso é mesmo a área de actuação do próprio curso, ou seja, acabo o curso e posso trabalhar em áreas que me interessam mais.

Inês: Quais é que são as saídas do teu curso?

Luís: Olha, passa muito pela gestão de produtos, pela planificação de técnicas do próprio marketing que têm a ver com comunicação de empresas, de marcas…são áreas que sempre me interessaram um pouco.

Inês: O teu curso também ‘tá relacionado com publicidade ou não?

Luís: O meu curso engloba também a parte da publicidade, que é bastante importante na a área da comunicação, e a comunicação é em primeiro lugar feita através do marketing e a publicidade é um instrumento.

Inês: Hm, hm.

Faz sentido…Então e ‘tás a pensar em fazer erasmus?

Luís: …Olha, eu este ano pensei em fazer erasmus, mas depois decidi que não estava preparado para deixar Portugal, mesmo durante um semestre, não me pareceu lá muito boa ideia.

O que não quer dizer que talvez no ano seguinte ou até mais tarde não possa fazê-lo…mas por agora não estou muito interessado em ir estudar pra fora.

Inês: Mas tu já estiveste a estudar fora não foi?

Luís: Já, já estive a estudar fora.

Inês: Era aonde exactamente?

Luís: Estive a estudar em Manchester, no Reino Unido.

Inês: Ah… mas não gostaste da experência?

Luís: Mais ou menos, teve pontos bons, teve pontos maus… mas é uma cidade muito fria e, … tanto a nível da temperatura, que é o nível mais lógico…mas também a nível da própria cidade muito cinzenta…uma cultura muito solitária, e nesse aspecto prefiro muito mais estar em Portugal, com pessoas mais calorosas e um tempo mais ameno.

Inês: Por isso é que agora ‘tás um bocadinho reticente…

Luís: Sim, é parte da minha falta de vontade de ir pra fora, é também essa experiência que não correu muito bem, e então agora prefiro estudar no meu país.

Inês: ‘Tá bem.

Luís: E tu nunca pensaste em ir fazer erasmus?

Inês: Olha, por acaso pensei ir pra Itália, tenho lá uma colega que já tá noutro curso , que ‘tá no terceiro ano e ´tá lá a fazer erasmus e disse-me que aquilo é muito giro… fiquei aliciada, mas não sei, ainda estou a pensar.

Luís: Então e apra além de Itália, tens assim outras ideias, algum país que gostavas de conhecer, alguma cultura em específico?

Inês: Olha gostava muito de ir a Barcelona, não necessariamente através da escola ou através do erasmus, mas era uma cidade que gostava muito de conhecer…pela cultura, pela arte que tem… Já lá foste?

Luís: Por acaso ía-te dizer agora mesmo, já estive em Barcelona e em termos culturais tens toda a razão, é uma cidade que tem uma riqueza imensa a nível das artes plásticas e mesmo a nível de museus a nível de monumentos.

É uma cidade bastante interesssante.

Inês: Ficaste lá quanto tempo?

Luís: Eu?

Olha já foi há uns anos e fui com família, eu penso que fiquei cerca de seis ou sete dias…

Inês: Achas que esses dias deu para ver o essencial?

Luís: A mim pareceu-me que vi tudo o que… assim mais conhecido.

Os museus mais famosos e, pronto a Sagrada Família, esses monumentos que são conhecidos no mundo inteiro, penso que os vi todos.

Agora, em termos de…a experiência que tu estavas a pensar de ires estudar pra lá ou de ir para lá uns tempos, penso que acabarias por conhecer muito melhor do que eu conheci em seis ou sete dias.

Inês: Hm, hm.

Luís: Mas acho que é uma excelente ideia.

Barcelona é uma cidade que com certeza tem uma identidade que vale a pena conhecer.

Inês: Olha, por acaso estive em Berlim há pouco tempo, não sei se já lá foste…

Luís: Não, por acaso nunca fui a Berlim.

Inês: … e também ‘tive lá cerca de sete dias, não foi muito mais e lá está, esses dias não foram suficientes para conseguir ver nem metade, nem um quarto do que a cidade tem pra te oferecer.

Vi muitos museus, as próprias ruas são muito diferentes de como é Portugal, e isso quase que constitui arte, que é uma coisa que tu cá não tens…as próprias pessoas são muito diferentes, a comida…Olha foi uma cidade que eu gostei muito, muito de conhecer.

Luís:E já pensaste em estudar em Berlim ou até trabalhar depois mais tarde quando acabares os teus estudos?

Inês: Primeiro precisava de aprender a língua, sabes…

Luís: Pois, o alemão é uma língua que é preciso muito tempo e dedicação para aprender.

Inês: Sim, eu quando estive lá falei sobretudo em Inglês.

Luís: …Voltando um pouco… estavas-me a falar do teu curso…

Inês: Sim…

Luís: … o que é que tu exactamente queres fazer quando acabares o teu curso?

Em termos de profissão em si, porque pronto…a área da cultura e do património, das artes, mas em termos de profissão específica, o que é que tens em mente?

Assim, pode não ser só uma mas, que tipo de profissões é que tu achavas ou que tu achas que te interessam?

Inês: Olha Luís, é uma boa pergunta.

Talvez seja melhor explicar-te um bocadinho primeiro quais é que são as saídas do curso.

Não sei se já te cheguei a dizer…

Luís: Não…

Inês: Pronto, as saídas do meu curso estão direccionadas para galerias de arte, museus, autarquias, parte de câmaras, etc.

Há muita coisa que eu posso fazer, eu penso é que a oferta no país onde estamos ‘tá muito escassa, é uma área que não tem tido grande prioridade nos últimos tempos.

O que é que eu gostava de fazer?…

Olha eu sinceramente ainda não sei, mas possivelmente iria direccionar-me mais para a área de programação de eventos, produção, porque o património está um bocadinho complicado.

Luís: Hm…compreendo.

Realmente há falta, muita falta de apoios nessa área no nosso país e compreendo o que estás a dizer.

Mas com certeza que durante o decorrer do curso hás-de perceber melhor a área em que te enquadras com mais paixão.

Inês: Pois, espero que sim.

Luís: Bem, olha Inês, gostei muito de falar contigo.

Inês: Eu também Luís.

Luís: ‘Tão vá, até à próxima.

Inês: Xau, beijinho.

Pedro & Luis – Christmas Traditions

This and all episodes of this podcast are available to study as a lesson on LingQ. Try it here.

Luis and Pedro share their views on what Christmas means in this day and age. They also describe to each other, how they usually spend this holy day.(Luis e Pedro partilham as suas visões acerca do que significa o Natal nos dias de hoje. Descrevem também como costumam passar este dia santo.) 

Luis: Olá Pedro.

Pedro: Olá Luis.

Luis: Tudo bem?

Pedro: ‘Tá tudo bem comigo.

E contigo?

Luis: Olha, ‘tá tudo.

Sabes, olha, eu aqui no outro dia estava a pensar que realmente o Natal está aí… está aí quase a chegar.

Pedro: É verdade.

Já estamos no início de Novembro, e realmente já estão a começar a haver preparativos para o Natal.

Luis: É verdade.

Isto, de ano para ano, cada vez começam mais cedo aí os anuncios e a propaganda toda do… desta festa super consumista, cada vez mais.

Pedro: Cada vez mais… cada vez mais o capitalismo está a dominar a quadra festiva do Natal, e cada vez mais começa mais cedo.

Eu às vezes até pergunto – pergunto-me a mim próprio – até que ponto é que esta coisa do capitalismo vai dominar tanto o Natal, sei lá, de em Agosto estarmos a falar já de Pai Natais e de “rendas” e de… de renas, queria eu dizer, desculpa; e de outros elementos festivos.

Luis: Tens toda a razão.

Então e já sabes como é que vais passar este teu Natal?

Pedro: Olha Luis, este Natal vai ser um pouco igual aos outros Natais.

Vai ser um Natal em família, na casa dos meus avós maternos, com os meus tios e com os meus primos.

Portanto, ainda somos bastantes.

Luis: Muito bem.

É bom teres um Natal assim em família.

Há aí tanta gente que eu conheço que não tem a possibilidade de passar o Natal junto da família, ou mesmo até, em situações ainda mais tristes, que não têm mesmo família.

Pedro: Sim, é verdade, é verdade.

Luís: Eu por acaso partilho d’uma experiência parecida com a tua.

Tenho também uma família até que posso considerar grande, e todos os anos, sem excepção, também nos juntamos todos na casa da minha tia, e passamos assim uma consoada cheia de comida e bebida e presentes.

É uma… é realmente uma ocasião muito feliz.

Pedro: Pois é, e olha lá uma coisa, a nível de comida, o que é que vocês costumam comer?

Luis: Olha, eu sei que, pronto, em Portugal temos várias tradições dependendo da zona, as pessoas comem coisas diferentes.

Normalmente na minha consoada, com a minha família, há o costume de comermos marisco…

Pedro: Marisco?

Luis: É verdade.

A minha família gosta muito de marisco, não é só no Natal; em quase todas as ocasiões que há festa, tem de haver marisco.

Pedro: Então, desculpa lá, quer dizer que não é uma tradição de… festiva, de uma época do ano, mas é uma tradição quase familiar, quando vocês se juntam, é isso?

Luis: Exactamente.

Posso dizer que a minha família, não tendo grandes ligações à religião católica… ao cristianismo, não é tanto uma celebração do nascimento de Cristo, como até eu penso que já pouca gente faz isso…

Pedro: Também acho que sim, também acho que sim.

Luis: …mas é mais uma ocasião p’ra estimar a família, e estar ao pé daqueles entes que te são queridos, e passares um bom tempo com eles.

Portanto, nós não ligamos tanto à parte formal daquela refeição específica que temos que comer, mas mais ao tipo de refeições que nós gostamos de fazer.

E, normalmente, andam à volta do marisco, e depois também temos um prato de carne: que pode ser cabrito assado, que pode ser lebre.

Variamos bastante com as carnes, normalmente sempre carnes assadas.

Pedro: Certo.

Então mas, já agora, gostava de saber uma coisa.

Estamos a falar da consoada…

Luis: Exactamente.

Pedro: Da consoada.

Luis: ‘Tamos a falar da refeição da consoada.

Pedro: Ora aí está.

É que é assim, no meu caso – na minha família – a gente, pronto, realmente seguimos o modelo mais popular e mais tradicional de Portugal, que é o bacalhau cozido com as couves cozidas, ou com as pencas: com as batatas, às vezes também tem grão cozido, ovos cozidos.

Pronto, quase tudo cozido, digamos, os componentes dessa refeição.

E, em relação às carnes, nós reunimo-nos no dia a seguir, no próprio dia vinte e cinco, também ao jantar – geralmente é ao jantar – e aí é que realmente comemos as carnes assadas.

Que como tu disseste, pode ser ou o cabrito, ou então também optamos, por vezes , pela carne… pelo lombo de porco assado.

Luis: Exacto.

Eu normalmente também, no dia vinte e cinco – no próprio dia de Natal – a maior refeição que nós fazemos em família não é o jantar, é o almoço, fazemos mesmo o almoço de Natal.

E aí, acaba por ir parar tanto… varia bastante, não temos também pratos fixos.

Pode ir parar novamente a carnes assadas, como pode ir parar a açordas, por exemplo.

Como temos uma tradição bastante alentejana, de raíz de família, as açordas são pratos que nós realmente apreciamos bastante.

Pedro: Certo.

Eu por acaso, ao ouvir-te falar das açordas, lembrei-me logo dessa tua costela alentejana.

E já agora gostava de ir um pouco por aí.

Então e que tipo de açorda é que vocês costumam consumir?

Luís: Eu basicamente… eu a única açorda que eu conheço realmente, e é o que… o que a minha família faz – e foi sempre o tipo de açorda que eu me alimentei – éa açorda que nós chamamos açorda à alentejana; que eu penso que se calhar há quem chame açorda de alho…

Pedro: Sim.

Luis: …que basicamente é feita com coentros, sal… coentros e sal e azeite, com ovo escalfado, e o bacalhau cozido.

Pedro: Certo, então…

Luís: E o pão molhado na sopa.

Pedro: Ora aí está.

Ou então como os alentejanos dizem, as sopas.

P’ro alentejano, as sopas, realmente, são as fatias de pão que ‘tão lá no molho, não é?

E não propriamente o molho em si… o molho não, o componente líquido, pronto.

Pronto, mas realmente é interessante, porque falaste-me que há bacalhau, e então também manténs a tradição, não é?

Luis: Nesse aspecto sim; no almoço de… do dia de Natal, normalmente há esse habito de normalmente haver até uma açorda.

Mas, não é fixo.

Pedro: Certo, como tu já disseste, pode ser uma coisa, como tanto pode ser outra coisa.

Luis: Exacto.

Pedro: Já agora gostava de saber uma coisa.

Tens crianças pequenas na tua família?

Luis: Desde… quer dizer, desde… quando eu era mais pequeno e tinha outros primos da mesma idade, éramos os pequeninos e éramos os que davam alegria à casa.

Pronto, agora já crescemos…

Pedro: Claro, claro.

Luis: …mas temos a sorte de nos últimos… no último ano, nos últimos dois anos, entraram novos membros na nossa família: filhos de primos meus, e mesmo do meu irmão mais velho; e então já há uma alegria diferente na casa.

É muito diferente quando fazes um… uma festa de Natal e tens crianças a partilhar aquele momento contigo, faz uma diferença muito grande.

Pedro: Eu partilho da mesma opinião, porque também recentemente – há cerca de três anos – a minha prima também teve uma filha que, pronto, por sua vez também é minha prima – pronto, é minha priminha -, e realmente dá outra cor.

Realmente, o Natal é mesmo a festa das crianças, e acho que são realmente as crianças que vivenciam toda a verdadeira experiência, e a beleza e o próprio espírito do Natal em si, pronto.

E, então, já agora gostava de te perguntar uma coisa.

O que é que tu notas de diferente desses Natais que tu passaste sem essas crianças pequenas, e agora estes em que realmente já passaste com essas… com estas crianças, com essas… esses novos familiares que tens agora?

Luis: Sim.

Olha, a maior diferença, e isto até é um assunto que por vezes é um pouco triste, mas realmente foi o que tem… é o que tem acontecido antes de chegarem estes novos membros da família: normalmente no Natal havia a tendência de recordar aqueles que já morreram.

Pedro: Sim, sim.

Luis: E então tornava-se uma ocasião um pouco… pesada, percebes?

As pessoas ficavam às vezes um pouco deprimidas naquela altura porque, é normal, no Natal tu pensas em família, e começas a pensar nas pessoas que já faleceram, e há uma nuvem de angústia que acaba por cobrir um bocado as celebrações.

Pedro: Sim, sim.

Luis: Quando tu tens crianças e bebés na tua família, esqueces um pouco essa parte porque tens ali uma fonte de alegria muito grande.

E acaba por… acabas por nem pensar tanto no que tu perdeste, mas acabas por pensar mais no que tu ganhaste.

Pedro: Olha, eu concordo perfeitamente com o que tu acabaste de dizer, e olha, estamos quase então a chegar ao Natal.

Desejo-te então um feliz Natal p’ra ti, p’rós teus familiares, e um grande beijinho para a tua família.

Pedro & Luis – Nursing

Study the transcript of this episode as a lesson on LingQ, saving the words and phrases you don’t know to your database. Here it is!

Pedro describes his job as a nurse to his friend Luis. They further explore the concept of emotional links created between nurse and patient.(Pedro descreve o seu trabalho de enfermeiro ao seu amigo Luis. Os dois exploram o conceito de ligações emocionais estabelecidas entre enfermeiro e paciente.)

Pedro: Então Luís.

Como é que foi o teu dia hoje?

Luís: Olha, eu hoje levantei-me de manhã, eram cerca de sete da manhã, e tomei um banho, é o que faço todos os dias…

Pedro: Acho que sim.

Luís: …e basicamente fui levar o meu irmão à escola, que ele tinha aulas às oito, e depois fui eu para a Universidade, tinha aulas às oito e meia.

Foi basicamente isso.

Depois, pronto, saí era um quarto para as duas, para almoçar, e tive de ir levar o meu carro à revisão por volta das duas e meia, três.

Então e tu, o que é que fizeste hoje Pedro?

Pedro: Bem Luís, eu hoje levantei-me cerca das seis e meia da manhã… não tomei banho porque já tinha tomado banho na noite anterior.

Pronto, lavei os dentes e a cara, e pronto, tomei o meu pequeno almoço em casa.

E saí, fui para o meu trabalho, fui para o hospital.

Cheguei ao hospital cerca das sete horas e cinquenta minutos, bebi um café, e recebi… e fui receber o turno.

Fui receber os doentes pelos quais eu estava responsável…

Luís: Pois é, tu és enfermeiro não é?

Pedro: Sim, sim, sou enfermeiro.

E pronto, e comecei o meu turno.

Foi um turno complicado, os doentes eram difíceis… doentes todos já com uma idade avançada.

E pronto olha, foi um turno bastante complicado, sempre a acelerar para fazer as coisas a tempo e a horas, mas consegui dar conta do recado, e pronto, olha, saí por volta das cinco horas.

Depois fui aos correios levantar uma encomenda…

Luís: Isso foi um dia… um dia em cheio!

Pedro: Foi um dia mesmo em cheio pá.

Um dia que nem deu tempo para pensar muito.

Luís: Exacto, mas hmm… por acaso já me tinham dito que tu eras enfermeiro, mas explica-me lá, mais ou menos, que tipo de tarefas é que tu tens de fazer como enfermeiro?

Eu às vezes penso em “enfermeiro”, penso, pronto naquelas… tem-se aquela ideia antiga das mulheres.

E às vezes até há preconceitos em ver homens na enfermagem, que eu por acaso pessoalmente acho parvo, mas explica-me lá basicamente o tipo de trabalho que tu fazes no hospital como enfermeiro.

Pedro: Bem, a enfermagem tem várias áreas de actuação.

O serviço onde eu trabalho, é um serviço de medicina interna.

Pronto, como já te disse, o turno de um enfermeiro começa na passagem de turno; nessa passagem de turno é onde nós ficamos a saber quais são os doentes que nos são atribuidos, e a partir daí, obtemos as informações desses doentes.

Quando acaba a passagem de turno, estabelecemos prioridades, para ver a qual dos doentes nos vamos dirigir primeiro.

E a partir daí, geralmente, se é um turno da manhã como foi hoje, começamos pelas higienes, caso os doentes sejam doentes dependentes; isto é, o enfermeiro e uma auxiliar de enfermagem começam, portanto, a dar o banho aos doentes…

Luís: Exacto…

Pedro: … e após as higienes, é dar-se os pequenos almoços, portanto, a alimentação dos doentes.

E posteriormente prepara-se a medicação, portanto, para o turno inteiro: a medicação que se toma após o pequeno almoço, a medicação que se toma a seguir ao almoço e a medicação que se toma à tarde, cerca das quinze horas.

Cerca das quinze horas, porque o turno acaba às dezasseis horas.

Às dezasseis horas há outra passagem de turno, desta vez são os enfermeiros da manhã a passar o que se passou, o que aconteceu de importante, para os enfermeiros que vão fazer a tarde.

Portanto, isto é mais ou menos no que consiste o meu trabalho.

Luís: Basicamente tu fazes, por exemplo, um turno da manhã, e para… tens de registar todos os acontecimentos relevantes que aconteceram com os doentes…

Pedro: Sim, sim.

Luís … que te foram atribuidos, para que os enfermeiro que vão retomar o turno depois, na parte da tarde, possam ‘tar… possam ‘tar cientes do que aconteceu com esses doentes.

Pedro: Sim, é isso mesmo.

É isso mesmo porque os cuidados de enfermagem, portanto, o cuidar em enfermagem é um processo que é contínuo, que não termina.

Luís: Exacto.

Pedro: E logo, tem que se informar sempre os outros colegas que vão dar seguimento à prestação dos cuidados, sobre o que se passou ao longo desse turno, de forma a eles poderem continuar, com base nessa informação, o processo de tratamento de cada doente.

Luís: ‘Tou a compreender sim.

Realmente é uma profissão que imagino que até é desgastante, e tem uma carga de trabalho, tens de estar sempre procupado com os diferentes doentes que te são atribuidos.

E já tiveste, já sentiste assim algum apêgo emocional com algum… algum doente que tenhas tido uma relação mais próxima, que te tenhas tornado até amigo, se calhar?

Pedro: Sim.

Há quem diga que, e há quem defenda que a pessoa assim que entra no hospital e no local de trabalho, deve por para trás das costas todos os problemas e todas as coisas que o influenciam.

Mas, isso é um pouco impossível, isso é algo impossível de fazer, porque ao pormos os nossos problemas p’ra trás das costas ‘tamos também, de certa forma, a por também p’ra trás as coisas que nos tornam, a nós próprios, pessoas.

E eu acho que isso é um bocado dificil, não me estou a referir tanto aos problemas, mas refiro-me, portanto, aos nossos traços de personalidade… que ao fim e ao cabo distinguem-nos uns dos outros, não é, como seres humanos, e permitem que um enfermeiro trate de determinada pessoa, através de uma maneira especial que seja dele próprio, da sua personalidade.

Daí advém, como é óbvio, certos vinculos com certos doentes, porque todos nós temos os nossos gostos pessoais, os nossos interesses, a nossa forma de reagir a determinadas situações, e essa forma, portanto, única de cada pessoa, acaba por fazer com que haja uma interacção entre enfermeiro e doente.

E é daí- pronto, para responder à tua pergunta- e é daí que por vezes surgem essas tais relações de afinidade com certos doentes.

Pessoas que têm histórias de vida interessantes, e que em mim despertam interesse, porque são da minha área de interesse e do meu leque de conhecimentos; ou então também, por vezes, por certas situações que nos despertam alguma emoção, e que também nos apelam à sensibilidade e que levam portanto, a que por vezes o doente não seja só um objecto para o qual nós viramos, portanto, as nossas intenções de trabalho, mas também uma pessoa no seu todo, com a qual acabamos por estabelecer relações que muitas vezes chegam a ser bastante íntimas- de amizade, de companheirismo- e que eu acho que por vezes são até relações que são bastante frutíferas, e bastante positivas no processo, portanto, no processo da própria evolução da doença do doente, no processo da cura do doente.

Luís: Exacto, então, a tua preocupação com o doente, não é, marca uma grande diferença na própria recuperação que ele tem, da doença que tem, ou do próprio tratamento a que está a ser submetido.

Se ele sentir que há apoio por parte de quem o está a tratar, e que há uma maior proximidade, essa proximidade torna-se quase um curativo.

Pedro: Sim é verdade.

É verdade, há vários teóricos da enfermagem, há várias pessoas de letras da enfermagem que realmente defendem isso; a isso chama-se o Holismo, que é ver a pessoa como um todo, e ao ver a pessoa como um todo estamos a incluir também o aspecto relacional que, pronto, que é algo único, e que faz parte de todas as nossas interacções do dia-a-dia; não ver só uma pessoa, um doente como o nosso objecto de trabalho, é ver a pessoa realmente como um todo.

É diferente de, por exemplo, eu ser contabilista ou ser um carteiro, em que o meu objecto de trabalho, no caso do carteiro é entregar cartas, e pronto, em relação às cartas poderá não ter assim uma grande relação de humanidade, digamos, com as cartas, porque são realmente, são objectos…

Luís: Claro, é um trabalho que se centra mais numa operação repetitiva, que é bastante técnica, que não há, não tem de haver um grande contacto humano.

Pedro: Não quer dizer que o próprio carteiro, depois não acabe por estabelecer relações humanas com as pessoas que recebem essas cartas, não é?

Luís: Claro.

Pedro: Mas, pronto, a nível da enfermagem é muito maior, portanto, essa relação, porque o próprio objecto de trabalho é, realmente, a pessoa.

Luís: ‘Tá bem.

Olha Pedro, eu gostei bastante de falar contigo…

Pedro: Eu também Luís.

Luís: … e, bem, a gente vê-se mais logo.

Pedro: Ok.

Tudo bem

Luís: Xau.

Pedro: Xau pá, fica bem.