Pedro & Luis – Pedro’s Trip

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Pedro is thinking of going on a trip, but he hasn’t decided where to go yet. He asks for advice from his friend Luis.(Pedro está a pensar fazer uma viagem, mas ainda não decidiu para onde. Decide então pedir conselhos ao seu amigo Luis.)

Pedro: Então Luís.

Estou a pensar em ir para o estrangeiro nas próximas férias.

Luis: Fazer uma viagem?

Pedro: Sim, fazer uma viagem

Luis: Mas, hmm, dentro da Europa?

Dentro do país?

Pedro: Bem, é assim, ao longo dos últimos anos estive a por de parte algum dinheiro p’ra fazer uma viagem, e agora não sei mesmo para onde é que hei de ir.

Portanto, como tu sabes, eu sem ser aqui em Portugal nunca fui a outros sítios, pronto, fui a Espanha.

Luis: É pertinho…

Pedro: É perto.

Luis: Ainda me lembro, foste… fomos uma vez a Bilbao, os dois…

Pedro: Pois foi.

Luis: …com o nosso amigo Billy.

Pedro: Pois fomos, é verdade.

Luis: E fomos num – como é que era – era um Renault Clio com quinze anos.

Pedro: Sim, quinze ou dezasseis anos, na altura…

Luis: Aguentou-se bem…

Pedro: Sim, o carro até se portou bem.

Para a idade que tinha, até fez bem os quilómetros todos.

Luis: E gostaste de Bilbao?

Pedro: Gostei muito, gostei muito de Bilbao, é uma cidade muito bonita.

Fez-me lembrar até, por outras imagens que já vi de França e de outros países do centro da Europa, como a Hungria e a Alemanha.

Fez-me lembrar esses países.

E tu, gostaste?

Luis: Gostei, em termos de… paisagísticos é uma cidade muito bonita: tens ali as regiões montanhosas, tens o mar que não é longe.

É uma cidade que ‘tá… que em termos de urbanismo ‘tá muito bem organizada, tem bons transportes públicos: tem o metro, tem… também tinha, penso eu, um eléctrico – não era – de superfície.

Pedro: Tinha, tinha um eléctrico de superfície.

Luis: Exacto, tinha.

E em termos culturais, epá, é uma cidade fantástica porque tens o… até fomos lá ver o Museu Guggenheim – não é – de Bilbao, e tem… que é um museu, tanto a nível estético, o próprio museu em si é muito original, tem aquelas formas muito bicudas; e em termos das exposições também gostei muito do que vi lá.

E também gostei de alguns museus de arte contemporânea, e outros de arte clássica, pintura e… acho que é uma cidade muito completa tanto a nível de… de museus, exposições, a própria cidade está bem estruturada, e também gostei bastante das zonas de comércio e de restauração.

Penso que é uma cidade mesmo, que qualquer pessoa devia ver, mesmo.

Mas tu ‘tás a pensar fazer uma viagem fora de… talvez mais longe não?

Pedro: Pois, já que já fui a Espanha, gostava de ir a outro sítio.

Estou é um pouco indeciso, não sei se fique pela Europa, ou se vá para outro continente, não é. Se ficar na Europa, sei que a minha viagem pode ser uma viagem mais dasafogada, porque posso ficar mais dias nesse país, porque o dinheiro assim o permite, não é?

Agora, se for por exemplo para outro continente, como por exemplo… o continente americano, ou para o… para o continente… para a Euro-ásia!

Não, Euro-ásia não, desculpa, estou-me a enganar, para a Oceanía, é isso mesmo.

Para…

Luis: Austrália…

Pedro: Austrália, Nova Zelândia.

Já sei que aí a viagem vai ser mais cara, e como tal, os dias que vou passar lá terão que ser menos.

Luis: Exacto.

Pedro: Porque não vou ter a possibilidade de estar tanto tempo aí, como estaria num país europeu.

Luís: É assim, eu… o que eu propunha é dependente também da quantidade de dinheiro que tu queres gastar, e do meio de transporte que tu queres utilizar, não é. Se for de avião, quer dizer… as diferenças em termos de preços de viagens, actualmente com as companhias low-cost, penso que não seja assim muito relevante.

Agora, se fores de carro ou de comboio ou de autocarro… eu penso que se realmente queres conhecer vários sítios, ou tens assim um tempo mais prolongado, penso que até um inter-rail era uma boa ideia.

Ou seja, ías de combóio, podias visitar vários sítios de uma área que tu escolhesses: norte da Europa, a Europa de leste, mesmo África, a parte de Marrocos e Gibraltar, essas zonas.

Penso que tem coisas interessantes.

Agora, em termos de cidades específicas mesmo, se quiseres uma opinião minha… eu acho que cidades que uma pessoa… pelo menos nós, que vivemos aqui em Portugal, temos sorte de ter até proximidade com cidades muito importante, mesmo da história do Mundo e da cultura: por exemplo Paris.

Paris é uma cidade, penso que, uma cidade que a um nível cultural não tem muito igual, não há muitas cidades que possam comparar.

Tens museus como o Louvre, tens igrejas e catedrais espectaculares… eu penso que seria uma boa opção.

Já pensaste em ir a Paris?

Pedro: Por acaso já pensei, já me tinham falado muito bem de Paris, mas… estava com vontade de ir antes a outros sítios.

Luis: Hmm… ‘tavas inclinado mais para que zona?

Pedro: É assim, se for a nível da Europa, gostava de ir primeiro a Londres, no Reino Unido.

Porque fora o Português que é a minha língua materna, a língua que eu domino melhor é o Inglês.

Isso não quer dizer que seja o motivo pelo qual eu estou a fazer esta escolha, não é. É porque realmente gostava de praticar o meu Inglês no meio das pessoas em que o Inglês, é a lingua, é a língua nativa.

Luis: Exacto.

Pedro: Pronto, tenho realmente essa curiosidade, e não só.

Porque Londres também é uma cidade… é uma cidade que tem uma grande variedade: tem uma grande variedade a nível de pessoas, a nível de edifícios, a nível de diversões, e eu gostava muito, realmente, de lá ir.

Claro que também, tenho uma boa opinião em relação a Paris – apesar de nunca ter ido lá -, mas não me parece que Paris ofereça tanta diversidade como… como Londres.

Acho que Londres, realmente, é uma cidade que é considerada um centro europeu – assim como Paris também é um centro europeu -, mas um centro europeu mais cosmopolita.

Luis: Estou a compreender o que ‘tás a dizer.

Eu, por acaso, já fui às duas cidades: já fui a Paris e já fui a Londres.

Pedro: E qual foi a que gostaste mais?

Luis: Pronto… pessoalmente tenho uma ligação maior com Paris, porque como tu deves saber, eu já… tenho lá família, em Paris, e então passei durante um período, cerca de dez /quinze anos, passei… pelo menos uma vez por ano eu ía a Paris.

E então, criei uma ligação emocional à cidade, como é óbvio.

Pedro: Compreendo.

Luis: Exacto.

Uma pessoa passa muito tempo num sítio, começa a habituar-se e a criar algumas… algumas ligações.

Em relação a Londres, também é uma cidade fantástica, que como tu dizes, é bastante cosmopolita, tem uma diversidade enorme tanto de pessoas: pessoas de todos os países que tu possas imaginar.

Em termos de cultura também é muito, muito bom: tem um dos museus mais conhecidos do Mundo, que é o Museu de História Natural – o Natural History Museum – para além de muitos outros.

Obviamente tens aqueles marcos históricos, que toda a gente conhece: o Big Ben, a Tower Bridge e o palácio de Buckingham, esse sítios mais, pronto mais,… turisticamente mais atraentes.

E depois tens uma vida nocturna bastante activa, e isso para pessoas jovens como nós penso que é uma mais-valia.

Tens um pequeno problema, mas isto é relativo à Inglaterra e à França, é a nível dos preços das coisas.

Todos os serviços e a… a estadia.

Todos esses gastos que estão envolvidos na tua viagem, vão ser sempre mais caros ao nível… comparando com o nível de preços que temos aqui em Portugal.

Pedro: Pois…

Luis: Portanto, se estás a pensar a nível de poupança económica, ires tanto a Londres ou a Paris, vai-te ficar caro.

Pedro: Ai quer dizer que não há assim uma grande diferença a nível de preços.

Luis: da minha experiência, que eu tive, penso que Londres e Paris têm um nível de vida mais caro do que nós estamos aqui habituados.

Portanto, uma pessoa acaba por gastar mais dinheiro.

Do que por exemplo a tua experiência com Espanha, que não há um grande desfasamento entre os preços que se praticam em Espanha e em Portugal.

Pedro: Sim, é verdade, é verdade.

Luis: Países como Alemanha, França, Inglaterra, já notas uma diferença maior no teu bolso.

Pedro: Claro, porque são países muito mais desenvolvidos do que o nosso país, não é?

Luis: Exacto.Mas eu penso que, se realmente tens uma… se estás mais inclinado para Londres, eu acho que é uma óptima ideia.

Pedro: Ok.

Então olha, vou pensar também em Paris, e mais tarde vou-te dizer então, qual das duas cidades irei visitar.

Luis: Ok

Pedro: Pronto, olha, gostei muito de falar contigo Luís.

Luis e Pedro: Xau!

Bernardo & Anita – Dream Destinations

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Over a coffee, Bernardo and Anita talk about where they are going on their holidays this summer. They also “travel” a little talking about their dream destinations.(Após um café, Bernardo e Anita conversam sobre onde irão nas suas férias de Verão. Eles também “viajam” pelos seus destinos de sonho durante a sua conversa.)

Bernardo – Nita deixa-me só pagar aqui os nossos cafés e já continuamos a nossa discussão.

Anita – Está bem, Bernardo.

Bernardo – Senhora empregada ficam aqui, portanto dois euros dos dois cafés e da água.

Obrigadíssima.

Até logo.

Adeus.

Boa tarde.

Então Anita?

Sobre as férias… Vamos lá combinar!

O que é que tu preferias fazer este ano?

Anita – Não sei.

Gostava de ir para um sítio diferente.

Não pensei muito bem, mas se calhar para a beira da praia, para a beira do mar.

Algo em que se um lugar onde se possa fazer praia, desfrutar um bocadinho da brisa do mar ao fim da tarde.

Bernardo – É. Com o Verão a apertar e com esta temperaturas altas, eu também estava a pensar nisso.

Estava a pensar no Alentejo.

O problema do Alentejo é que tem aquela parte interior um bocado mais seca, mas se formos para a costa, talvez nos divertíssemos e seja aceitável em termos de temperatura.

Sabes que eu sofro bastante com o calor.

Deve ser devido à minha ascendência um bocadinho albina, não muito, mas o calor é complicado, resisto mal.

Se não temos o Algarve.

O Algarve também é um sítio porreiro, onde podemos… Onde as temperaturas não são muito altas e são fáceis de aceitar devido à brisa.

Depois, cá para cima, cá em Portugal, em termos de costa, o tempo já é mais irregular, tanto podemos apanhar bom tempo como não, mesmo sendo Verão.

De Aveiro para cima, assusta-me um bocado.

Não sei.

O que tu achas?

Anita – Não sei.

Depende.

Tu também sofres um bocadinho de rinite alérgica, não sei qual é que são… Qual é o ambiente perfeito para não teres de sofrer, de puderes divertir-te e de puderes aproveitar o Verão ao máximo.

Mas se calhar para costa algarvia, desculpa, a costa alentejana.

Bernardo – O problema do Norte para mim é sempre a rinite, tudo o que tenha muitas árvores e, principalmente pinheiros e a costa norte, a costa litoral da parte norte, tem muitos pinhais e eu sofro bastante da rinite alérgica, o que faz com que depois passe sempre as férias, um bocadinho, agarrado ao nariz, o que é um bocado chato.

No Algarve já não.

Para o Algarve já não.

Mas este ano, não equacionas irmos para um parque natural, como a Serra da Malcata, Serra da Lousã, Gerês… Montanha, ou estás mesma a precisar de descanso e de ir para umas férias de praia…

Anita – Não, não.

Também estava a pensar ir para a montanha, fazer passeios pedestres, estar em contacto com a Natureza, também é muito tranquilizante em termos de férias.

Bernardo – Mas vais ter quantas semanas de férias este ano?

Anita – Não sei bem.

Se calhar duas ou três.

Bernardo – Pois é isso, porque eu também não sei, temos de ver isso.

Em princípio, também, me vai ser difícil tirar mais do que uma seguido, por isso te estava a perguntar isso, porque acho giro irmos uma semana de praia, porque é descanso total e, também, precisamos depois de um ano de trabalho.

Mas, por outro lado, acho que depois, também, precisávamos de umas férias assim um bocado diferentes.

A montanha para fazermos uns percursos pedestres ou fazer umas actividades outdoor.

São cansativas, mas também descansam o foro psicológico.

Por isso, quer dizer, também, são bastante tranquilizantes.

Depois, também, tive a pensar não sair do país, sair do país e irmos até às nossas ilhas, à Ilha da Madeira ou a Porto Santo.

A minha irmã vai para Porto Santo e até podíamos ir com ela um mês.

Mas tu, no outro dia, falaste-me que está complicado andar de avião, não é?

Estás com alguns medos.

Anita – É. Neste momento, andar de avião não é o que me fascine.

Depois do acidente que houve há duas semanas sensivelmente, acho eu, com aquele avião da Air France , não me está a apetecer muito viajar de avião.

Apetece-me mesmo ir de transportes terrestres.

Bernardo – Pois, é verdade.

Tipo eu também… É chato e depois, também, as televisões absorvem-nos completamente.

Não sei se reparaste, nessa semana passaram logo não sei quantos filmes de desastres de aviões, que englobassem desastres e tragédias de aviões.

Ou seja, os Media também causam este medo e conseguem coloca-lo mesmo dentro das pessoas.

Já não bastam os desastres.

Mas se formos a pensar na quantidade de voos que há por dia e nos carros que saem à rua por dia e fizermos o cálculo dos carros que saem à rua e dos aviões que saem para o ar e calcularmos a percentagem do número de acidentes, vamos ver que o carro é muito menos seguro que o avião.

Só que claro, o avião não podemos controlar, as pessoas, normalmente, o destino que têm, infelizmente, é a morte.

É muito difícil ser outro, quando têm um desastre e pronto.

Isso causa uns receios enormes.

Por isso, te estava a perguntar.

As viagens para a Madeira, este ano, e mesmo para os Açores que são ilhas lindíssimas portuguesas e que eu sei que tu não conheces, não é?

Eu conheço a Madeira e Porto Santo, mas sei que tu não conheces e gostava de te levar lá.

Mas realmente é esse o problema.

Este acidente com este avião, acho que veio complicar as viagens de avião para pessoas mais receosas como tu e como eu, este ano.

Talvez para o ano, quando nos esquecermos um bocadinho, talvez consigamos se calhar apanhar um avião e ir para algum lado.

Anita – Não acho que as pessoas se vão esquecer tão facilmente deste acidente trágico, devido à quantidade de mortos que existiram.

Mas, possivelmente, as pessoas irão a começar a adaptarem-se a esse medo, não é?

Em que o desejo de conhecer algo novo, de viajar, de conhecer culturas diferentes, de estar em espaços diferentes contribuam de alguma forma para contrair e para suprimir esse receio de andar de avião.

Claro que é complicado, não é?

Não é fácil, mas se calhar eu deduzo… Se calhar, eu prefiro ir para o Sul, para um descanso mais alargado, por assim dizer…

Bernardo – Pois, pois.

Anita – E se calhar no Norte para manter mais contacto com a Natureza.

Em espaços diferentes

Bernardo – Sim.

Anita – Em espaços temporais diferentes.

Bernardo – Pois.

Mas o que achas?

Fazemos primeiro umas férias de interior- Norte e depois umas de costa, no Algarve?

Ou na costa alentejana?

A ver as temperaturas que rondam para este ano… Ou ao contrário?

O que preferes?

Anita – Não sei, porque é assim… O Algarve nesta altura do ano é extremamente turístico, não é?

Não sei.

Se formos em Agosto, é quase impossível coabitar no Algarve.

Talvez…

Bernardo – Talvez, então optar por Agosto ficar no interior uma semana, e depois, talvez, em Setembro, irmos até ao Algarve?

Anita – Sim.

Acho que essa é a opção mais correcta.

Bernardo – Parece-te bem?

Mas, também, por outro lado, é como digo também podíamos… Pronto, também, agora tendo o receio do avião, mas podíamos ir de comboio ou mesmo de carro.

De carro, talvez, seja um bocado cansativo.

Mas de comboio podíamos, não estou a dizer fazer um inter rally, mas ir até ao centro da Europa.

Apanhamos o comboio no Porto, penso que temos uma ligação, portanto até à fronteira com a França, demora cerca de vinte e quatro horas, atravessamos Espanha, mais ou menos, em vinte e quatro horas.

E França é um país em que eu nunca estive.

É assim, se nós falássemos no United Kingdom, na Grã- Bretanha já temos o TGV ou a passagem de barco no Canal da Mancha, mas tabém já lá estive.

Mas França, eu gostava de atravessar a França e de ir lá em cima a Luxemburgo, ir à Irlanda, quem diria… Quem diz a Luxemburgo e Holanda, diz Suíça, diz Dinamarca, diz Alemanha.

Tantos países que estão ali na fronteira e que eu desconheço e que gostava imenso de conhecer a cultura deles, mas penso que para isso precisava de umas férias de vinte e dois dias completos e talvez fosse pouco, não é?

O que é que tu achas?

Anita – Acho que sim.

Acho que isso era, sei lá, uma selecção, opção, que teria de pensar em mais dias para pudermos usufruir realmente das férias e conhecer esses espaços que falas.

Bernardo – É. Mas para mim, era uma viagem de sonho.

Uma viagem assim… Uma viagem até assim… Uma viagem de sonho não eram vinte e dois dias, eram dois meses pela Europa toda, em que pudéssemos pegar e começar em França, Luxemburgo, Holanda e irmos à Dinamarca, descer e virmos à Alemanha e irmos à Itália talvez, não sei, mas depois podíamo-nos perder ou talvez podemos ir à Itália e passar de barco para a Croácia e da Croácia irmos à Áustria, irmos à Hungria, irmos à Eslovénia, que acho que é lindíssimo.

Bernardo & Anita – Politics

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Bernardo and Anita discuss politics, focusing on the recent European Parliament election.(Conversa sobre Política com especial foco nas Eleições para o Parlamento Europeu realizadas à dois dias atrás.)

Bernardo – Olá!

Olha, foste votar, este domingo, para o Parlamento Europeu?

Anita – Fui e tu?

Bernardo – Também.

Posso te perguntar em quem é que votaste?

Anita – Eu fui votar no Bloco de Esquerda.

Bernardo – Votaste Bloco de Esquerda?

Fizeste bem.

No Parlamento Europeu, o Bloco de Esquerda é das forças mais presentes, portanto na Europa.

No entanto, em Portugal, já não se passa o mesmo, apesar de terem crescido bastante nestas eleições, comparativamente com cinco anos atrás, o Bloco de Esquerda teve uma percentagem bastante elevada.

Penso que ficou entre os dois e os três deputados eleitos contra um deputado eleito há cinco anos atrás.

O que é bastante bom, para uma força política da dimensão e estrutura do Bloco de Esquerda.

Depois, Portugal, portanto, teve uma grande abstenção.

Comparativamente com os outros países da Europa, a abstenção nem foi grande, visto que foi 65%, o que ronda a média dos outros países da Europa.

Mas cresceu relativamente há cinco anos atrás.

Há cinco atrás, tivemos 61%, tivemos desta vez 65% contra 75% das sondagens, o que era assustador.

Mesmo assim, podemos dizer que em cada dez pessoas, 6, 5 não foram às urnas votar.

Há quem diga que isto é falta de civismo dos portugueses, no entanto eu penso que não.

Penso que a abstenção não é uma forma de civismo, falta de civismo, ela tem simbolismo.

Tem o seu simbolismo, na medida em que as pessoas estão descrentes com o Governo e estão descrentes, também, com o Governo Europeu.

E dai não irem às urnas, porque acham que qualquer que seja o Governo ou a força política que esteja, seja qual for a sua cor, com o poder, portanto será exactamente a mesma coisa para elas.

Daí a sua descrença relativamente a estas eleições.

Mas estas eleições tiveram resultados bastante engraçados.

Podemos falar do CDS-PP, Partido Popular, o partido mais à direita português com alguma relevância de votos, de percentagem de votos nas urnas, em que cresceu de 3% nas últimas eleições e de 3% nas sondagens até ao último dia, para 10% no final da votação.

Elegendo assim, dois deputados e foi uma grande vitória para eles.

Tal como a CDU, neste caso o Partido Comunista, não com uma subida tão grande com o CDS, mas também com uma subida, elegendo dois deputados, menos um que o Bloco de Esquerda, por uma percentagem mínima, fazendo assim, do Bloco de Esquerda, a terceira grande força política a nível nacional.

Depois, falando dos grandes partidos nacionais, portanto o Partido que faz governo em Portugal, o Partido Socialista, portanto um partido à esquerda e centro, como em princípio deveria de ser.

E, depois, o Partido Social Democrata, um partido à direita e ao centro.

Portanto, são dois partidos muito semelhantes.

O Partido Social Democrata há cinco atrás e nas eleições para o governo, teve um decréscimo enorme em Portugal.

Portanto, normalmente, era um partido que atingia sempre entre os 30 e os 40%, e que ou formava governo, ou que estava sempre muito perto de formar governo, teve cerca de 20% ou 15%, portanto nas últimas eleições e agora mostrou-se com 31%, ganhando estas eleições.

Ganhando estas eleições ao PS, mostrando assim que as pessoas estão descontentes com o Governo, ao qual deram maioria absoluta há poucos anos atrás, portanto, nas últimas eleições.

Penso que o PS é o maior derrotado nestas eleições, apenas só conseguiu atingir 26,6, quase 27%, portanto dos votos.

Portanto, foram menos 20% do que nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, o que faz do PS, o grande derrotado nestas eleições.

No PSD, temos uma grande surpresa, visto o Paulo Ragel ser uma pessoa em que ninguém acreditava, assim como a Manuela Ferreira Leite como líder do PSD, pensaram que o PSD ia continuar com as suas fracas votações das últimas eleições e o que aconteceu foi, precisamente, o contrário.

E conseguiram dar a volta por cima e vencer estas eleições.

E, depois, portanto temos aí à porta as eleições Autárquicas, o que vai ser bastante engraçado depois destas eleições, porque acredito, que o PS nem sequer possa pensar em repetir a maioria absoluta.

Penso que em termos de maioria absoluta, penso ser impensável repetir o mesmo feito das eleições passadas e único do Partido Socialista de conseguir uma maioria absoluta e de poder governar sem precisar de fazer coligação com ninguém.

No entanto, penso que a luta pelo poder, irá ser bastante engraçada, visto estarmos num momento de crise e os portugueses terem algum medo da mudança, neste momento.

Isto porque, foram muitas medidas políticas implementadas por este Governo Socialista, boas ou más, mas elas foram implementadas, foram eles que as estão a fazerem a correr.

Não sei se será boa altura para mudar de voto, eu próprio não sei o que vou fazer, mas será boa altura para mudarmos de cor política e de governo, visto a crise económica mundial nos estar a afectar bastante.

E, portanto, penso que, tal como eu, muitos portugueses vão pensar o mesmo e será esse pensamento de medo, de mudança que, dentro desta crise mundial, fará com que o PS possa ter a sua salvação, em termos de votos.

O PSD, por outro lado, as pessoas, também, do lado oposto de este medo de mudança, estão muito descontentes com a crise.

Estão muito descontentes com estas políticas económicas, portanto a pobreza tem abrangido o país por inteiro e o PSD pode ser uma boa salvação em termos de votos, portanto nestas próximas eleições.

Visto, os outros partidos em Portugal não terem estrutura, não terem estrutura para governar.

Não terem estrutura, porque se fomos a falar, por exemplo, do CDS-PP, o Partido Popular em Portugal, em outros países do Mundo e da Europa, o Partido Popular tem estrutura governativa, no nosso país não e um partido com essa dimensão, nem o Partido Socialista, nem o Partido Comunista.

Portanto, nem o Partido Socialista não, peço perdão, nem o Partido do Bloco de Esquerda, nem o Partido Comunista.

Por isso, penso que o voto para governo terá que se dividir entre o PSD e o PS.

Mesmo nas Câmaras, estes partidos, portanto o Bloco de Esquerda, como a CDU, como o CDS-PP têm alguma dificuldade em atrair o voto das pessoas, apesar de nas Câmaras votar mais nas pessoas e, muitas vezes, não se olhar à cor política, portanto olhar-se mais ao candidato, mesmo assim, às vezes, a falta de estrutura reflecte-se no voto final das pessoas.

Diz-me uma coisa, tu votas na Câmara do?

Anita – Do Porto.

E tu?

Bernardo – Eu, também.

Também voto na Câmara do Porto.

E este ano, estás a pensar votar em quem?

Anita – No PSD.

Bernardo – No PSD?

Pronto, então será manter o voto que se encontra no governo.

Portanto, o Rui Rio é PSD e encontra-se no seu segundo mandato e se ganhar estas eleições irá para o terceiro.

Terceiro e último, visto que em Portugal a lei, em termos de mandato, ter sido modificada, acerca de três ou quatro anos, para um limite de três mandatos para evitar corrupções, vícios, que se instalavam, muitas vezes, nas Câmaras Municipais e nas Juntas de Freguesia devido a um número ilimitado de mandatos que eram possíveis antigamente.

Penso que a lei assim, ficou bastante melhor, faz com que não sejam possíveis, portanto esses casos.

No entanto, também, não é possível, quando se encontra um real, extremamente bom autárquico, mantê-lo durante mais de doze anos, pelo menos, seguidos à frente do poder local.

Mas penso que a nossa conversa sobre política fica por aqui.

Bernardo & Anita – Meeting at the Park

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Bernardo and Anita meet at a park after having not seen each other for a long time. They talk about how life is going, work, politics, sports and music. Encontro entre dois amigos ( Bernardo e Anita ) que não se vêem à muito tempo. Eles falam sobre como corre a sua vida pessoal, trabalho, politica, desporto e música.

Anita – Olá Bernardo, o que é que fazes por aqui?

Bernardo – Olá Anita!

Já não te via há imenso tempo.

Aqui pelo parque?

Estou à espera de um amigo meu, porque vamos ver Jason Mraz e, então, combinamos nos encontrar aqui no parque por volta das três, que era para não nos atrasarmos e apanharmos um bom lugar no concerto.

Mas eu já não te vejo mesmo há imenso tempo.

Tu ainda vives aqui no Porto?

Anita – Não e tu?

Bernardo – Por acaso, vivo, mas não vivo é em casa dos meus pais.

Anita – Ai não?

Então para onde foste viver agora?

Bernardo – Agora vivo ali na zona de Ramalde, portanto comprei uma casa e estou a viver sozinho.

Anita – Ah!

Interessante.

Bernardo – É, visto já tido que ingressar no mundo do trabalho.

(Entretanto, a Anita ri-se e Bernardo responde).

Teve que ser.

Anita – E trabalhas em quê, já agora?

Bernardo – Estou a fazer um projecto de investigação para o Google há cerca de dois anos.

Além disso, ainda tenho um trabalho em full time para uma empresa do mercado financeiro.

É trabalho de secretária, portanto passo muitas horas ao computador, posso dizer.

Sou quase um “Nerd” como se diz na gíria.

E tu, já estás a trabalhar?

Anita – Estou, estou.

Bernardo – Ai é?

E o que estás a fazer?

Anita – Estou a fazer um trabalho de investigação nas escolas.

Bernardo – Em que ramo?

Nas escolas?

Então no âmbito da educação?

Anita – Exacto.

Bernardo – Mas escolas de que idade?

Anita – São escolas do 1º ciclo, que vai dos 6 aos 10 anos.

(Bernardo interrompe e coloca uma questão)

Bernardo – Com miúdos pequeninos?

Anita – Sim, sim.

Foi imposto umas novas actividades nas escolas, as chamadas actividades de enriquecimento curricular, em que as crianças têm um alargamento do horário, em que o projecto é chamado de “Escola a Tempo Inteiro”, acho que o nome já diz tudo.

E as actividades são em diversas áreas, actividade física e desportiva, expressão dramática, expressão plástica, música, inglês.

E eu estou a fazer um estudo para avaliar, por assim dizer, como estão a ser dinamizadas estas actividades, como é que estão a reagir as escolas, como é que estão a reagir as crianças, como é que estão a reagir os pais, enfim, toda a comunidade educativa.

Bernardo – Parece-me complexo, mas giro.

E o trabalho é cá no Porto?

Anita – Não, não.

A sede do trabalho é em Lisboa e, depois, o projecto é a nível nacional, porque foi encomendado, por assim dizer, pelo Ministério da Educação.

E, então, ando por várias regiões do país de Norte a Sul, das diferentes Direcções Regionais de Educação, a Direcção Regional do Norte, do Sul, do Alentejo, Lisboa.

Bernardo – Então viajas pelo país todo, pode se dizer?

Anita – Sim, sim, pode-se dizer.

Bernardo – Ah!

Então deve ser um trabalho interessante, apesar do colapso que existe na educação este ano.

Vê-se muitos professores a protestarem contra as políticas desta Ministra da Educação, nem sei.

E tu estás a fazer das políticas da Ministra da Educação ou elas não interferem, grandemente, contigo?

Anita – Comigo directamente não interferem.

Agora se estou de acordo?

Aí já não, porque acho que temos uma Ministra que deixou de pensar no papel da escola, enquanto meio de socialização das crianças e de formação primária das mesmas, a formação para a preparação para a vida, para passar a ser quase uma instituição familiar, em que as crianças passam grande tempo no espaço da escola, ou seja, vamos chegar a ter crianças que, após tantos anos na escola, a passarem oito horas diárias, vão se cansar da mesma, não é?

Bernardo – Pois, tens razão.

Eu, também, não achei que tivesses de acordo.

E, realmente, é inédito.

Nunca vi cento e vinte mil professores, em Portugal que é tão pequeno, em que só temos dez milhões de habitantes, na rua a protestar contra uma Ministra da Educação.

Isto, realmente, é algo inédito.

Anita – Sim, mas isso é outra questão.

É uma questão relacionada mais com o estatuto, em que os professores estão a perder, um bocado, o seu poder nas escolas, em que, apesar de já se terem formado há trinta anos, têm que ser avaliados, há uma avaliação de desempenho, em que se forem avaliados por “baixo” podem correr grande risco de serem excluídos da escola.

Portanto, como deves imaginar, isto não é fácil.

A escola é um meio fechado e os professores, após trinta anos de serviço, a serem avaliados, é como se os estivessem a pôr à prova, não é?

Ninguém gosta.

Bernardo – Pois, ninguém gosta.

Já com muitos anos de serviço, com alguns já perto da reforma e agora com novas políticas é complicado.

Mas olha, não te vou maçar mais com trabalho nem com estas coisas.

Já não te vejo há imenso tempo.

Olha, tu não queres ir connosco, vou agora com um amigo meu, agora à tarde, ver Jason Mraz, já temos bilhetes, secalhar pode ser que arranjes na bilheteira, mas tu queres ir ver connosco?

Anita – Eu gostava de ir convosco ver Jason.

Bernardo – Tu gostas de Jason?

Anita – Gosto, gosto.

É um cantor que eu aprecio muito, apesar de ter tido sucesso mais este ano, mas adoro as músicas dele, ele começou com “I’m Yours”, depois agora há outras, mas gostava de ir ver, apesar que eu gostava de ir ver outros concertos e temos de pensar um bocado qual deles hei-de escolher.

Bernardo – Pois, agora chega o Verão e chega o orçamento para ir ver os concertos e é complicado, porque nós temos tantos concertos em Portugal, tantos festivais e todos tão concentrados em um ou dois meses, o que faz ou que se junta dinheiro durante o ano todo para ir ver concertos nestes meses, ou é complicado ir vê-los todos, porque, desde o Ritual Tejo em Lisboa, ao Super Rock Super Bock, ou ao Sudoeste no Alentejo.

Depois, cá no Norte, Vilar de Mouros com trinta anos de história, com Paredes de Coura.

E, mesmo no Porto, com o Festival Marés Vivas, não sei se estás a par, é um festival que temos agora.

Anita – Sim, sim.

Bernardo – O Marés Vivas, também, é um festival de três dias, com vários concertos, olha que o Jason Mraz, também, volta cá novamente nesse festival.

Anita – Também, já houve, esteve cá uma cantora qualquer, agora não me recordo de quem em Lisboa, não foi?

Há pouco tempo?

Bernardo – Foi, foi.

Também, tivemos um concerto a semana passada, deves estar a falar da Beyonce, é?

Anita – Acho que sim.

Bernardo – Veio cá a Beyonce e depois vem cá a Kyle Minogue, que eu gostava, também, muito de ir.

Mas penso, também, que pensando na distância e em mais cinquenta euros pelo bilhete seja um bocado, portanto, exagerado para um só concerto, apesar de ser inédito e ser a primeira vez que ela cá vem.

Anita – Sabes que, em Portugal, tudo o que for eventos culturais são sempre um bocado…

(Bernardo interrompe)

Bernardo – Sabes que a cultura é sempre um bocado, a cultura, infelizmente, não está ao nível dos ordenados nacionais.

Mas, pronto, já voltamos nós, outra vez, ao trabalho e não pode ser, porque hoje é fim-de-semana e há que relaxar.

E diz-me uma coisa, ao Marés Vivas estás a pensar ir ou não?

Porque eu tenho uns amigos na organização, portanto, da organização faz parte a Arena de Matosinhos, que é uma empresa que organiza alguns eventos mais ligados aos desportos de combate, por isso é que eu os conheço e, portanto, arranjei uns bilhetes e, possivelmente, se tu quiseres ir, eu também te arranjo alguns.

Anita – Eu gostava de ir.

Gostava.

Bernardo – Gostavas?

Olha, vem Jason Mraz, vem Gabrielle Cilmi, depois tem um dia mais de metal , em que vem Prodigy, Metálica e outra banda, que agora não te sei dizer o nome.

E, depois, tem um dia aberto a bandas portuguesas, onde vão estar os Xutos, os UHF, os GNR.

Acho que é um festival engraçado, com três ou quatro anos, mas que está a dar as suas cartas e que se está, portanto, a entrar no panorama nacional de festivais de Verão e que está a ter todo o sucesso.

Se quiseres ir, eu tenho todo o gosto de te arranjar um bilhete para esse festival, que realmente, visto fazer algum trabalho de organização, portanto, tenho essa hipótese.

Anita – Mas essa organização?

Essa entidade que está a fazer a organização?

Conheces?

Bernardo – A Arena de Matosinhos?

Anita – Sim.

Conheces como?

Nunca ouvi falar.

Bernardo – Porque a Arena de Matosinhos faz alguns eventos de desportos de combate e eu como sou grande fã, portanto, já assisto aos eventos deles há muitos anos, e como sou, também, praticante de Sanda, por isso, não sei se sabes o que é Sanda?

Anita – Não.

Bernardo – Sanda é kickboxing chinês, portanto, é a arte de combate do Kung-fu, como tínhamos algumas coisas em comum, criamos uma amizade e, pronto, estamos a trabalhar juntos.

E, portanto, há algum trabalho de marketing e de publicidade que ele precisa da minha parte e eu faço, com muito gosto, para todos os eventos dele, ou seja, de desportos de combate e agora nesta aventura dele em festivais de Verão, também, estou cá para o ajudar.

E, pronto, e é essa parte da organização e é assim que os conheço.

E, já agora fazes algum desporto?

Anita – Não, não.

Neste momento, não faço.

Não tenho disponibilidade para.

E tu?

Bernardo – Pois é. Mas olha, desporto deves sempre arranjar disponibilidade para o fazer, limpa a mente.

Eu, além do Sanda, ainda faço Yôga.

Anita – São opostos, certo?

Bernardos – É. são completamente opostos.

Anita – E como é que geres essa situação de discrepância entre um desporto de combate, em que é agressivo e um desporto de meditação?

Bernardo – Essa pergunta fazem-me muitas vezes.

Mas eu acho que não é essa a questão.

Acho que é mesmo que é o simples facto de deixar o meu stress e as minhas energias negativas e no outro absorver as energias boas e a meditação, portanto que te faz andar mais calmo, penso

(Anita interrompe, questionando Bernardo)

Anita – Que se completam, certo?

Bernardo – Acho que a razão de eu praticar os dois.

Miguel?

Olá Miguel, então estás bom?

Anita – É este o teu amigo?

Bernardo – É. Não sei, acompanhas-nos no concerto?

Anita – Acompanho, acompanho.

Bernardo – Então vamos lá.

Anita – Vamos, vamos.

Flávio & Patrícia – What a Party!

Study this episode and any others from the LingQ Portuguese Podcast on LingQ! Check it out.

Flávio and Patrícia talk about the party they went on the night before, commenting on the music, food and quality of the party.(Flávio e Patrícia conversam sobre a festa que foram na noite anterior, comentando sobre a música, comida e qualidade da festa.) 

Anita – Olá Bernardo, o que é que fazes por aqui?

Bernardo – Olá Anita!

Já não te via há imenso tempo.

Aqui pelo parque?

Estou à espera de um amigo meu, porque vamos ver Jason Mraz e, então, combinamos nos encontrar aqui no parque por volta das três, que era para não nos atrasarmos e apanharmos um bom lugar no concerto.

Mas eu já não te vejo mesmo há imenso tempo.

Tu ainda vives aqui no Porto?

Anita – Não e tu?

Bernardo – Por acaso, vivo, mas não vivo é em casa dos meus pais.

Anita – Ai não?

Então para onde foste viver agora?

Bernardo – Agora vivo ali na zona de Ramalde, portanto comprei uma casa e estou a viver sozinho.

Anita – Ah!

Interessante.

Bernardo – É, visto já tido que ingressar no mundo do trabalho.

(Entretanto, a Anita ri-se e Bernardo responde).

Teve que ser.

Anita – E trabalhas em quê, já agora?

Bernardo – Estou a fazer um projecto de investigação para o Google há cerca de dois anos.

Além disso, ainda tenho um trabalho em full time para uma empresa do mercado financeiro.

É trabalho de secretária, portanto passo muitas horas ao computador, posso dizer.

Sou quase um “Nerd” como se diz na gíria.

E tu, já estás a trabalhar?

Anita – Estou, estou.

Bernardo – Ai é?

E o que estás a fazer?

Anita – Estou a fazer um trabalho de investigação nas escolas.

Bernardo – Em que ramo?

Nas escolas?

Então no âmbito da educação?

Anita – Exacto.

Bernardo – Mas escolas de que idade?

Anita – São escolas do 1º ciclo, que vai dos 6 aos 10 anos.

(Bernardo interrompe e coloca uma questão)

Bernardo – Com miúdos pequeninos?

Anita – Sim, sim.

Foi imposto umas novas actividades nas escolas, as chamadas actividades de enriquecimento curricular, em que as crianças têm um alargamento do horário, em que o projecto é chamado de “Escola a Tempo Inteiro”, acho que o nome já diz tudo.

E as actividades são em diversas áreas, actividade física e desportiva, expressão dramática, expressão plástica, música, inglês.

E eu estou a fazer um estudo para avaliar, por assim dizer, como estão a ser dinamizadas estas actividades, como é que estão a reagir as escolas, como é que estão a reagir as crianças, como é que estão a reagir os pais, enfim, toda a comunidade educativa.

Bernardo – Parece-me complexo, mas giro.

E o trabalho é cá no Porto?

Anita – Não, não.

A sede do trabalho é em Lisboa e, depois, o projecto é a nível nacional, porque foi encomendado, por assim dizer, pelo Ministério da Educação.

E, então, ando por várias regiões do país de Norte a Sul, das diferentes Direcções Regionais de Educação, a Direcção Regional do Norte, do Sul, do Alentejo, Lisboa.

Bernardo – Então viajas pelo país todo, pode se dizer?

Anita – Sim, sim, pode-se dizer.

Bernardo – Ah!

Então deve ser um trabalho interessante, apesar do colapso que existe na educação este ano.

Vê-se muitos professores a protestarem contra as políticas desta Ministra da Educação, nem sei.

E tu estás a fazer das políticas da Ministra da Educação ou elas não interferem, grandemente, contigo?

Anita – Comigo directamente não interferem.

Agora se estou de acordo?

Aí já não, porque acho que temos uma Ministra que deixou de pensar no papel da escola, enquanto meio de socialização das crianças e de formação primária das mesmas, a formação para a preparação para a vida, para passar a ser quase uma instituição familiar, em que as crianças passam grande tempo no espaço da escola, ou seja, vamos chegar a ter crianças que, após tantos anos na escola, a passarem oito horas diárias, vão se cansar da mesma, não é?

Bernardo – Pois, tens razão.

Eu, também, não achei que tivesses de acordo.

E, realmente, é inédito.

Nunca vi cento e vinte mil professores, em Portugal que é tão pequeno, em que só temos dez milhões de habitantes, na rua a protestar contra uma Ministra da Educação.

Isto, realmente, é algo inédito.

Anita – Sim, mas isso é outra questão.

É uma questão relacionada mais com o estatuto, em que os professores estão a perder, um bocado, o seu poder nas escolas, em que, apesar de já se terem formado há trinta anos, têm que ser avaliados, há uma avaliação de desempenho, em que se forem avaliados por “baixo” podem correr grande risco de serem excluídos da escola.

Portanto, como deves imaginar, isto não é fácil.

A escola é um meio fechado e os professores, após trinta anos de serviço, a serem avaliados, é como se os estivessem a pôr à prova, não é?

Ninguém gosta.

Bernardo – Pois, ninguém gosta.

Já com muitos anos de serviço, com alguns já perto da reforma e agora com novas políticas é complicado.

Mas olha, não te vou maçar mais com trabalho nem com estas coisas.

Já não te vejo há imenso tempo.

Olha, tu não queres ir connosco, vou agora com um amigo meu, agora à tarde, ver Jason Mraz, já temos bilhetes, secalhar pode ser que arranjes na bilheteira, mas tu queres ir ver connosco?

Anita – Eu gostava de ir convosco ver Jason.

Bernardo – Tu gostas de Jason?

Anita – Gosto, gosto.

É um cantor que eu aprecio muito, apesar de ter tido sucesso mais este ano, mas adoro as músicas dele, ele começou com “I’m Yours”, depois agora há outras, mas gostava de ir ver, apesar que eu gostava de ir ver outros concertos e temos de pensar um bocado qual deles hei-de escolher.

Bernardo – Pois, agora chega o Verão e chega o orçamento para ir ver os concertos e é complicado, porque nós temos tantos concertos em Portugal, tantos festivais e todos tão concentrados em um ou dois meses, o que faz ou que se junta dinheiro durante o ano todo para ir ver concertos nestes meses, ou é complicado ir vê-los todos, porque, desde o Ritual Tejo em Lisboa, ao Super Rock Super Bock, ou ao Sudoeste no Alentejo.

Depois, cá no Norte, Vilar de Mouros com trinta anos de história, com Paredes de Coura.

E, mesmo no Porto, com o Festival Marés Vivas, não sei se estás a par, é um festival que temos agora.

Anita – Sim, sim.

Bernardo – O Marés Vivas, também, é um festival de três dias, com vários concertos, olha que o Jason Mraz, também, volta cá novamente nesse festival.

Anita – Também, já houve, esteve cá uma cantora qualquer, agora não me recordo de quem em Lisboa, não foi?

Há pouco tempo?

Bernardo – Foi, foi.

Também, tivemos um concerto a semana passada, deves estar a falar da Beyonce, é?

Anita – Acho que sim.

Bernardo – Veio cá a Beyonce e depois vem cá a Kyle Minogue, que eu gostava, também, muito de ir.

Mas penso, também, que pensando na distância e em mais cinquenta euros pelo bilhete seja um bocado, portanto, exagerado para um só concerto, apesar de ser inédito e ser a primeira vez que ela cá vem.

Anita – Sabes que, em Portugal, tudo o que for eventos culturais são sempre um bocado…

(Bernardo interrompe)

Bernardo – Sabes que a cultura é sempre um bocado, a cultura, infelizmente, não está ao nível dos ordenados nacionais.

Mas, pronto, já voltamos nós, outra vez, ao trabalho e não pode ser, porque hoje é fim-de-semana e há que relaxar.

E diz-me uma coisa, ao Marés Vivas estás a pensar ir ou não?

Porque eu tenho uns amigos na organização, portanto, da organização faz parte a Arena de Matosinhos, que é uma empresa que organiza alguns eventos mais ligados aos desportos de combate, por isso é que eu os conheço e, portanto, arranjei uns bilhetes e, possivelmente, se tu quiseres ir, eu também te arranjo alguns.

Anita – Eu gostava de ir.

Gostava.

Bernardo – Gostavas?

Olha, vem Jason Mraz, vem Gabrielle Cilmi, depois tem um dia mais de metal , em que vem Prodigy, Metálica e outra banda, que agora não te sei dizer o nome.

E, depois, tem um dia aberto a bandas portuguesas, onde vão estar os Xutos, os UHF, os GNR.

Acho que é um festival engraçado, com três ou quatro anos, mas que está a dar as suas cartas e que se está, portanto, a entrar no panorama nacional de festivais de Verão e que está a ter todo o sucesso.

Se quiseres ir, eu tenho todo o gosto de te arranjar um bilhete para esse festival, que realmente, visto fazer algum trabalho de organização, portanto, tenho essa hipótese.

Anita – Mas essa organização?

Essa entidade que está a fazer a organização?

Conheces?

Bernardo – A Arena de Matosinhos?

Anita – Sim.

Conheces como?

Nunca ouvi falar.

Bernardo – Porque a Arena de Matosinhos faz alguns eventos de desportos de combate e eu como sou grande fã, portanto, já assisto aos eventos deles há muitos anos, e como sou, também, praticante de Sanda, por isso, não sei se sabes o que é Sanda?

Anita – Não.

Bernardo – Sanda é kickboxing chinês, portanto, é a arte de combate do Kung-fu, como tínhamos algumas coisas em comum, criamos uma amizade e, pronto, estamos a trabalhar juntos.

E, portanto, há algum trabalho de marketing e de publicidade que ele precisa da minha parte e eu faço, com muito gosto, para todos os eventos dele, ou seja, de desportos de combate e agora nesta aventura dele em festivais de Verão, também, estou cá para o ajudar.

E, pronto, e é essa parte da organização e é assim que os conheço.

E, já agora fazes algum desporto?

Anita – Não, não.

Neste momento, não faço.

Não tenho disponibilidade para.

E tu?

Bernardo – Pois é. Mas olha, desporto deves sempre arranjar disponibilidade para o fazer, limpa a mente.

Eu, além do Sanda, ainda faço Yôga.

Anita – São opostos, certo?

Bernardos – É. são completamente opostos.

Anita – E como é que geres essa situação de discrepância entre um desporto de combate, em que é agressivo e um desporto de meditação?

Bernardo – Essa pergunta fazem-me muitas vezes.

Mas eu acho que não é essa a questão.

Acho que é mesmo que é o simples facto de deixar o meu stress e as minhas energias negativas e no outro absorver as energias boas e a meditação, portanto que te faz andar mais calmo, penso

(Anita interrompe, questionando Bernardo)

Anita – Que se completam, certo?

Bernardo – Acho que a razão de eu praticar os dois.

Miguel?

Olá Miguel, então estás bom?

Anita – É este o teu amigo?

Bernardo – É. Não sei, acompanhas-nos no concerto?

Anita – Acompanho, acompanho.

Bernardo – Então vamos lá.

Anita – Vamos, vamos.

Paula & João – Looking for an Apartment

Want to study this episode as a lesson on LingQ? Give it a try!

Paula calls a real-state company looking for an apartment to rent. The employer João answer the call. (Paula telefona para uma imobiliária procurando apartamento para aluguel. Ela é atendida pelo funcionário João.) Image courtesy of me-2007.

F – Imobiliária Boa tarde.

P – Boa tarde, gostaria de uma informação.

F – Claro senhora, que informação deseja?

P – Eu gostaria de saber sobre o apartamento para alugar.

Vi um anúncio no jornal de ontem.

F – Colocamos alguns anúncios ontem.

Qual exatamente a senhora se interessou?

P – Me interessei por esse em Copacabana.

3 Quartos.

F – Ah ta, já sei qual é. O que a senhora gostaria de saber?

P – Em que rua de Copacabana ele fica?

F – Na rua Bulhões de Carvalho.

A senhora sabe onde fica essa rua?

P – Acho que sim.

É aquela no finalzinho de Copacabana quase em Ipanema?

F – Isso mesmo, essa rua.

P – Sei onde é sim.

É uma ótima rua!

Em que parte da rua fica o prédio?

F- Logo no início.

É o primeiro prédio da rua.

P – Sei… Ali é bem perto do morro que tem uma favela.

Não é perigoso?

F – Não é não… Nessa parte do morro a favela é menor e mais calma.

Além disso, o apartamento é de fundo virado para uma área livre, sossegada e que não dá pra ver o morro.

P – Entendi.

Acho que tenho que ver para ter uma idéia melhor.

F – Eu concordo.

A senhora gostaria de marcar uma visita para conhecer pessoalmente o local?

P – Gostaria, mas antes preciso de mais informações.

O apartamento é grande?

F – É sim.

São 3 quartos grande, dois banheiros, uma boa cozinha com área de serviço e a sala é dividida em dois ambientes.

P – Parece ser grande mesmo.

O apartamento tem armários?

F – Tem sim.

Cada quarto tem um armário e na cozinha também.

P -O prédio é muito antigo?

F- É antigo, mas sofreu uma grande reforma há uns 6 anos.

P – Ah que ótimo!

São quantos apartamentos por andar?

F – 4.

Dois na frente e dois nos fundos.

Com elevadores separados.

O prédio é bem tranqüilo.

P – Tem vaga na garagem?

F- Uma vaga.

P – O apartamento parece ser realmente o que eu estava procurando.

O senhor tem algum outro apartamento mais ou menos nesse estilo?

F – Eu tenho um outro bom apartamento em Ipanema.

Fica um pouco mais caro por ser em Ipanema.

Mas também é uma ótima opção para a senhora.

P – Adoro Ipanema.

Quero saber mais sobre esse apartamento também.

F- Fica na Rua Barão da Torre, próximo a praça Nossa Senhora da Paz.

A senhora sabe onde é?

P – Sei, claro!

Localização muito boa.

E pra mim é ainda melhor pois essa praça tem vários brinquedos para as crianças.

É um lugar ótimo para passear com elas.

São 3 quartos também?

F – Isso mesmo.

Três quartos, dois banheiros, sala, cozinha e área de serviço .

Também com uma vaga de garagem.

P – Tem armários?

F – Só no quarto principal e na cozinha.

P – Também é de fundos?

F – Não, esse apartamento é de frente e tem uma varandinha.

P – Que delícia!

Apartamento com varanda tem um charme especial.

Gostei.

E o senhor sabe se o sol bate direto no apartamento?

F – Bate um sol bem gostoso, só na parte da manhã.

P – Ah que bom!

Aqui no Rio de Janeiro no verão faz muito calor.

Apartamento que bate sol durante a tarde é impossível.

A noite o apartamento ainda está quente.

F – Isso é verdade.

Aqui no Rio isso faz muita diferença mesmo.

Temos maior dificuldade para alugar ou vender apartamentos que o sol bate o dia todo.

P – Imagino.

Outra coisa que eu gostaria de saber: O senhor sabe se é permitido animais nesses prédios?

F – Ih, essa informação eu vou ficar devendo para senhora.

Hoje em dia a maioria dos prédios permite animais, mas não posso garantir.

Posso me informar.

P – É porque temos um cachorrinho e essa informação é importante.

F – Sem problemas, eu vejo isso para a senhora.

Mais alguma informação?

P – Não, você já me passou bastante coisa por telefone.

Agora preciso ver os apartamentos ao vivo.

Vou querer ver os dois apartamentos.

Quando o senhor pode me mostrar?

F – Quando a senhora quiser.

Eu estou a disposição.

P – Desculpa, eu não perguntei o seu nome…

F – João.

E o da senhora?

P – O meu é Paula.

Bom então o senhor pode me mostrar o apartamento hoje no final da tarde?

F- Posso sim.

Às 17 horas está bom para a senhora?

P – Perfeito!

Está marcado.

F – Eu tenho uma outra pessoa interessada no apartamento de Ipanema às 16h, então espero a senhora lá e depois vamos até o apartamento de Copacabana.

Pode ser assim?

P – Pode, está ótimo.

Espero que a pessoa interessada não feche com você antes deu poder ver.

Acho que esse apartamento é exatamente o que eu estava procurando.

F- É muito difícil alguém fechar de primeira.

Normalmente as pessoas voltam uma segunda vez para conferir alguns pontos que não prestaram muita atenção na primeira visita e ai sim fecham.

Essa pessoa que estou levando lá é a primeira visita dela.

Então a senhora nnao precisa ficar muito preocupada.

Mas realmente o apartamento é bom e a localização é ótima.

P – Ai, que ótimo!

Estou muito interessada.

Os apartamentos já estão desocupados?

F – Desocupados e pintados.

Todos os dois.

Prontos para morar.

P – Ta ótimo.

Preciso apenas do endereço para poder ir te encontrar.

F – Ok, a senhora pode anotar?

P – Posso sim, pode falar.

F – Barão da Torre, prédio 434 , apartamento 401.

O outro fica na Bulhões de Carvalho, 633 – Apartamento 704.

P – Está anotado.

Eu encontro o senhor na portaria ou o senhor vai me aguardar direto no apartamento.

F – Devo aguardá-la no apartamento pois já estarei mostrando para outra pessoa às 16 horas.

Aguardo a senhra então.

P – Então até mais tarde Seu João.

F – Até logo, senhora.

*** Segundo Telefonema, após visitar os apartamentos *** *** Second Phone Call, after having visited the apartments ***

F – Imobiliária boa tarde.

P – Seu João?

É a Paula, o senhor me mostrou dois apartamentos ontem.

F – Oi Dona Paula, tudo bem com a senhora?

A senhora se decidiu por algum dos apartamentos.

P – Tudo ótimo João.

Eu gostei muito dos dois.

O apartamento de Copacabana é um pouco maior e está realmente pronto para morar.

Mas o de Ipanema a localização é muito melhor e o apartamento também é muito bom.

F- Realmente é uma escolha difícil.

P – É verdade, o senhor tinha razão: são duas ótimas opções.

Mas eu liguei decidida a marcar mais uma visita para o apartamento de Ipanema.

Acho que ele corresponde mais ao que estou buscando.

F – Ok Dona Paula.

A senhora que voltar hoje ao apartamento?

P – Sim, gostaria de mostrar o apartamento para o meu marido.

Pode ser na hora do almoço?

F- Pode ser sim.

1 da tarde esta bom para vocês?

P – Ta ótimo.

Seu João, gostaria de algumas informações da parte burocrática.

Se o meu marido gostar tanto quanto eu do apartamentos.

O que precisamos para fechar o negócio?

F – Para garantir o apartamento é preciso dar um sinal para reservar o imóvel.

P – E é grande esse sinal?

F – 30% do valor do aluguel.

P –E qual a documentação que precisamos providenciar?

F – Vocês vão precisar tirar cópia do documento de identidade, comprovante atual de residência e depois preencher o contrato de locação.

P – E por quanto tempo é o contrato de locação?

F- O contrato de locação geralmente é firmado em 36 meses.

Por que?

P – Não, por nada.

Tá ótimo.

Não pretendemos mudar novamente tão cedo.

Com criança então… é muita confusão.

F – É verdade.

E eu tenho certeza vocês vão gostar muito do apartamento, da vizinhança… não vão pensar mesmo em sair de lá tão cedo.

P – É verdade.

Eu dei uma volta a pé antes de encontrar o senhor e a região realmente tem tudo pertinho e o melhor é que posso ir a pé para a praia.

As crianças vão adorar.. Vamos ficar muito bem ali.

F- A senhora fez uma boa escolha.

Espero que o seu marido goste tanto quanto a senhora.

P – Ele vai gostar sim.

Ele já gostou só com o que contei para ele.

Ele já trabalhou ali perto e conhece bem a área.

Também adorou quando eu falei que o apartamento tem varanda.

Ele está bem animado também.

F – E tem a praia ali pertinho.

O seu marido gosta de praia?

P – Ihh, lá em casa todo mundo gosta de praia.

Como todo carioca.

F – É, vocês nascidos no Rio de Janeiro são fãs de praia.

P – O Senhor não é do Rio?

F – Sou de São Paulo, mas vim pro Rio quando era pequeno.

P – Bom, então por volta de 1 hora estamos lá.

F – Ok Dona Paula, até mais tarde.

P – Até mais tarde Seu João.

Patrícia & Flávio – Night at the Mall

Study the transcript of this episode as a lesson on LingQ, saving the words and phrases you don’t know to your database. Here it is!

Patrícia tells Flavio about her evening at the Mall shopping with a friend.(Patrícia conta para Flávio sobre sua noite no shopping com uma amiga.)

P – A gente subiu correndo as escadas.

Chegou lá na loja a grade já estava abaixada.

A Flávia também estava com muito desejo de comer o biscoito e eu queria trazer de surpresa pra você, então a gente ficou desconsolada.

F – Mas qual biscoito, o de chocolate?

P – É, aquela lojinha que te falei, no 4 andar.

Só que ela já tava praticamente fechada, não tinha mais nenhum biscoito pra vender quando chegamos.

F – Sério?

Porque lá no quarto andar fecha tarde.

É a última coisa a fechar, geralmente.

P – Não, a última coisa a fechar é a praça de alimentação.

Essa lojinha fica no 4 andar mas em outro lugar.

F – É verdade, é tipo um quiosque que fica assim no meio do corredor.

P – Pois é!

A grade já estava arriada.

Aí eu falei: Moço, pelo amor de deus, você já recolheu tudo ou acabou?

Ele falou: não, ainda tem alguns, a gente é que já recolheu.

Ele mostrou os biscoitos que estavam guardados e tinha quase todos os sabores ainda!

F – Que bom!

Então foi só um susto?

Conseguiu comprar os biscoitos.

P – Consegui!

E tinha o de chocolate que você pediu.

Só não tinha aquele que vem com cobertura.

F – Tudo bem, esse também é ótimo.

Acho que vou comer o meu agora.

P – Só esquenta ele um pouquinho antes porque a Flávia comeu o dela na hora e tava um pouco frio.

É só colocar no forno um minutinho que já fica bom.

F – Ta legal.

E vocês jantaram aonde?

P – Eu comi no McDonald’s mesmo, pra dá tempo de olhar as vitrines.

A Flávia comeu aquela batata recheada.

Mas foi bom porque um restaurante é do lado do outro, então foi tranqüilo.

F – E vocês foram fazer o que lá mesmo, além de olhar as vitrines?

P – Eu fui comprar umas roupas pra usar pra ir trabalhar, roupas pro dia-a-dia.

Uma coisa mais confortável e básica mesmo.

F – Aproveitou que recebeu o salário, né?

P – Pois é!

Primeiro eu fui logo na Zara, mas as calças lá estavam muito caras.

Então eu resolvi ir na Renner.

Foi ótimo porque eu encontrei uma calça lá bem parecida com a que eu ia comprar na Zara, só que tava pela metade do preço.

Eu ia parcelar a calça mais cara em duas vezes, acabei comprando duas na Renner e paguei a mesma coisa.

Comprei duas calças pelo preço de uma.

Valeu super a pena.

F – E a Flávia foi com você só pra fazer companhia?

P – Mais ou menos, ela queria também ver se achava uma calça jeans pra ela.

Ela foi em várias lojas mas não gostou de nenhuma calça.

Quando gostava não tinha um tamanho bom pra ela.

Mas ela acabou comprando umas blusinhas.

F – Pra não perder a viagem, né?

Já que estava no shopping, não pode sair de mãos abanando…

P – Não tem jeito.

Ainda mais com o salário no bolso, a gente sempre acaba achando alguma coisa que tava precisando.

F – Sei, vocês não são fáceis…

P – Ah, sabe aquele sapato que eu falei que vi quando sai com a Carol, que eu disse que era super confortável e com umas cores bonitas?

F – Sei.

P – Então, eu voltei nessa loja e não tinha quase mais nenhum pra vender.

Venderam praticamente todos!

Só ficaram uns com umas cores não tão legais, sabe?

F – Mas estava em promoção, ou algo assim pra vender tão rápido…

P – Não!

Nem tava.

Acho que é porque é novidade mesmo.

Vendeu quase tudo!

Eu até ia comprar mas agora vou esperar chegar mais, porque as cores que tinham ainda eu não gostei, eram meio esquisitas.

F – Entendi… e você falou que a Flávia está indo pra São Paulo, né?

Ela vai a trabalho ou só passear mesmo?

P – Ela vai encontrar com o namorado, o Conrado.

Ele é representante comercial e foi pra SP buscar alguns produtos novos.

Ela passou a semana inteira lá participando de uma Feira de Brindes, expondo os produtos que ele vende e fazendo contatos novos.

F – Que bom!

Essas feiras em SP são muito boas.

Mas então ele resolveu esticar a viagem e ficar o fim de semana lá?

P – É, na verdade ele ainda ter que fazer algumas visitas lá, ir em algumas lojas.

Aí ele resolveu chamar a Flávia pra lá, pra eles passarem o final de semana juntos lá.

Ele vai levar a Flávia na rua 25 de Março, que ela é louco pra conhecer.

F – Ela nunca foi, é?

Ela vai ficar maluca com tanta coisa vendendo e tudo muito barato.

P – E com ele é bom porque ele conhece tudo, né?

Lá é enorme, tem um milhão de lojas, é bom ir com quem já conhece senão você se perde no meio de tanta coisa.

F – Ele conhece bem a 25 de Março é?

Ele compra lá normalmente?

P – Compra à beça lá.

Ele vai sempre na 25 de Março.

Muitos produtos que ele vende, vem de lá.

F – Entendi.

Ele compra e traz pro rio e revende nessas lojas de brindes, tabacarias, papelarias,…

P – Principalmente para papelarias, porque são coisas pequenas, baratas e diferentes.

E na 25 de Março o que mais tem são esses tipos de produto.

E lá é tudo muito mais barato que em qualquer loja, porque também eles só vendem em quantidade.

Por isso tem que ir com alguém que conheça.

F – É, e tem a questão da segurança também, né?

Não pode ficar muito distraído olhando os produtos senão roubam o que você já comprou.

P – É, tem que ficar de olho.

Não pode deixar de prestar atenção na sacola senão quando você for olhar sua sacola está vazia, levaram tudo que tem dentro.

F – Apesar que eu ouvi que tinham colocado seguranças na 25 de Março e nas ruas em volta, mas mesmo assim, com a quantidade de gente que passa lá por dia, não pode bobear.

P – É… Mas então ela vai amanhã depois do trabalho, já combinou com a chefe dela e deve vai sair um pouco mais cedo.

F – Ela vai de ônibus ou de avião?

P – Vai de ônibus.

Ela vai do trabalho direto pra rodoviária, pega um ônibus e o Conrado vai buscá-la de carro na rodoviária de São Paulo.

F – Ah, ele foi de carro?

Achei que ele tivesse ido de avião.

P – Nada, foi de carro.

Eles vão voltar juntos no carro dele.

É bom que ele assim não precisa voltar sozinho

F – Que ótimo!

Tiveram uma boa idéia mesmo.

P – E olha que legal.

O Conrado, quando ele vai pra SP a trabalho, ele fica num hotel barato.

Só que a Flávia resolver olhar uns hotéis melhores pro fim de semana, pra eles curtirem juntos.

Você não vai acreditar: ela conseguiu um hotel muito bom e por um preço menor do que ele tava pagando.

F – Que isso, como é que ela conseguiu isso?

P – Ela falou com os hotéis que normalmente atendem a gente pela agência de viagem.

Ela conseguiu uma tarifa especial pelo fato do hotel ter alguns quartos vagos ainda e um desconto final no preço por ela trabalhar na agência.

E o hotel é muito bom!

Tem piscina, sauna, café-da-manhã incluído.

E a localização é muito boa também.

F – Que ótimo, hein!

Parece que vai ser bem divertido.

P – Ela tá toda animada, só falava disso no shopping.

F – E vem cá, estava muito cheio o shopping hoje?

P – Não, tava vazio, tava ótimo!

F – Estranho, né?

Normalmente quinta-feira já fica cheio.

P – É, mas tava vazio, não tinha quase ninguém.

F – É, eu voltei de metrô hoje e também tava vazio.

Normalmente nesse horário que eu peguei costuma ser bem mais cheio.

P – Que estranho… Hoje tá tendo jogo de futebol, né?

Do Fluminense.

F – Ah, pode ser isso.

Bem que eu vi que tinha um monte de gente com camisa do Fluminense no Centro.

P – É, e olha que coincidência.

Eu sei que está tendo jogo do Fluminense porque a gente encontrou com a Adriana no shopping.

Ela falou que o namorado dela tinha ido pro jogo.

Ela estava no shopping esperando por ele, eles iam jantar no Spoletto.

Flávio & Patricia – Small Talk and Weekend Planning

Study this episode and any others from the LingQ Portuguese Podcast on LingQ! Check it out.

Flávio and Patricia discuss possible alternatives for their weekend while having some small talk regarding work and friends. (Flávio e Patricia conversam sobre possíveis programas para o final de semana enquanto comentam sobre trabalho e amigos.) 

Patricia – Oi meu amor, tudo bem?

Como foi o seu dia no trabalho?

Flávio – Tudo bem.

Conseguimos finalmente entregar todos os pedidos do nosso cliente em São Paulo.

Patricia – Que bom, ele é um ótimo cliente para vocês.

Flávio – É verdade.

Estava todo mundo preocupado.

Hoje o clima no trabalho foi outro.

Muito melhor.

Você precisava ver.

E você, como foi no trabalho?

Patricia – Foi bom também.

Atendemos vários clientes e fechamos algumas vendas.

Quem comprou uma passagem hoje comigo foi a sua tia.

Ela vai visitar a Fernanda nas férias.

Flávio – É, ela me ligou.

Queria confirmar o endereço da agência.

Que bom que ela conseguiu comprar a passagem.

Ela vai quando?

Patricia – Mês que vem, dia 15.

Vai com seu tio e eles ficam duas semanas na casa da sua prima.

Vão fazer alguns passeios por lá aproveitando que sua prima vai estar de férias.

Por falar em passeio, o que vamos fazer nesse final de semana?

Flávio – Mas já?

Hoje ainda é quarta-feira!

Patricia – Pois é, mas quando a gente deixa pra cima da hora acabamos não fazendo nada.

Flávio – Não é bem assim.

Já fizemos programas legais sem ter planejado antes.

Mas está bem.

Vamos lá, o que você está com vontade de fazer nesse final de semana?

Patricia – Acho que vamos ter sol no sábado.

Podemos ir à praia bem cedo, levar um isopor com alguns sanduíches, biscoitos e bebidas.

O que você acha?

Flávio – Agora já estou gostando da idéia, apesar dessa parte de ter que acordar cedo em pleno sábado.

Patricia – Não precisa ser tão cedo, podemos sair de casa por volta de 9hs.

Flávio – Combinado.

9hs não está tão ruim assim.

Patricia – Você falou em isopor e eu lembrei de uma coisa: você viu que agora os supermercados estão vendendo café gelado?

Flávio – Café gelado?

Acho que isso não vai dar certo no Brasil não.

Patricia – Foi o que eu pensei também.

Brasileiro adora café, mas não sei se o povo vai gostar de beber café gelado.

Patricia – Mas vamos voltar ao nosso assunto: Vamos chamar o Rodrigo e a namorada nova dele para irem à praia com a gente?

Flávio – Acho melhor não, hein!

Eles já terminaram o namoro.

Patricia – Juta?

Mas tão depressa… O que aconteceu dessa vez?

Eles pareciam estar animados com o namoro.

Flávio – Não sei.

Ele não entrou em detalhes.

Apenas me falou que terminaram.

Mas podemos chamar o Rodrigo mesmo assim.

Patricia – Vamos chamar sim.

Ele é uma ótima companhia.

Bom, então a nossa programação está mantida, não é?

Flávio – Está mantida.

Se não chover nós estaremos cedinho na praia da Barra.

Patricia – Praia da Barra?

Mas essa praia é muito longe.

Achei que fossemos na praia de Copacabana.

Se nós vamos à praia na Barra acho que tempos que acordar um pouco mais cedo.

Flávio – Mais cedo não!

Vamos na praia de Copacabana então.

Você me convenceu.

Patricia – Oba!

Já faz um tempo que não consigo ir à praia.

Choveu em quase todos os finais de semana esse mês.

E quando fez sol, eu estava trabalhando.

Flávio – Mas fica tranquila.

Ontem eu li no jornal que a previsão para sábado é de céu azul, dia bonito, dia de sol.

Patricia – Que bom!

Tomara que eles acertem dessa vez!

Porque na semana passada a previsão também era de sol.

E você viu a chuva que caiu, né?

Flávio – Então vamos pensar numa segunda opção para sábado, caso chova de novo.

Patricia – Está bem.

Faz uma sugestão você agora.

Eu já escolhi a praia.

Flávio – O que você acha de irmos almoçar num restaurante legal e depois podemos ir ao cinema?

Patricia – A programação de filmes no cinema não está muito boa.

Só tem filme de suspense ou terror.

Mas gostei da idéia do Restaurante.

Flávio – Podemos ir naquele restaurante italiano que os seus pais recomendaram.

Aquele que tem um rodízio de pizza no forno à lenha, lembra?

Patricia – Lembro, meus pais foram lá na semana passada.

Disseram que é muito bom realmente.

E não é caro.

Uma boa idéia!

Flávio – Bom, bonito e barato.

Gostei do restaurante.

Então está combinado, almoçamos lá no sábado se chover.

Patricia – Mas calma aí.

Acho que o rodízio só funciona à noite.

Flávio – Ih, é mesmo!

Agora eu lembrei que seu pai me falou isso.

Patricia – Mas podemos ir jantar então ao invés de almoçarmos fora.

Assim nós podemos até mesmo ir à praia e depois pro restaurante, o que você acha?

Flávio – Pode ser!

Mas continuamos sem programação caso o tempo não esteja bom…

Patricia – É verdade.

Podemos ir visitar a Babi e conhecer a filha dela que acabou de nascer.

O que você acha?

Flávio – Boa idéia!

Vi as fotos que ela enviou por e-mail.

Eles vão ficar felizes com a nossa visita.

Qual é mesmo o nome que eles escolheram?

Patricia – Lia!

Flávio – Bonito nome.

Eu gosto.

Patricia – Bom, então está combinado.

Se não der para irmos a praia, vamos conhecer a Lia.

Amanhã vou aproveitar então pra comprar um presente para ela.

Já sei até o que vou comprar!

Flávio – O que é que você vai dar de presente?

Patricia – Um porta-retrato com o nome dela bordado.

Vi outro dia numa loja perto do meu trabalho.

Flávio – Bem legal!

Acho que ela vai gostar.

Patricia – Aliás, abriram duas lojas legais perto do meu trabalho.

Uma é essa de coisas para bebê e a outra só de instrumentos musicais.

Flávio – Que bacana!

Quero ir lá conhecer.

Você entrou na loja ou só passou pela porta?

Patricia – Só passei pela porta porque estava com pressa.

Mas a loja parece ser grande e com vários instrumentos.

Flávio – Semana que vem podemos combinar de voltarmos juntos do trabalho e assim eu passo na loja para conhecer.

Patricia – Legal!

Eu acho que você vai gostar muito dessa loja.

Ah!

Nem te contei como foi o meu passeio ontem com a Carol, minha afilhada.

Nossa, foi tão divertido!

Flávio – É mesmo, o que vocês fizeram?

Patricia – Ela foi me encontrar no trabalho e aproveitou para conhecer a minha sala os meus amigos de trabalho.

Depois nós fomos à feira Hippie.

Ela ficou maravilhada com tantas barracas vendendo coisas tão diferentes e interessantes.

Flávio – Ela conseguiu se controlar ou comprou muito coisa?

Patricia – Mais ou menos.

Até que ela não gastou tanto, mas ficamos quase quatro horas olhando anéis, colares, bolsas de tudo quanto é tipo…

Flávio – Imagino o trabalho que vocês deram pros vendedores, hein!…

Patricia – Até eu fiquei cansada.

E olha que eu adoro ir às compras.

Flávio – É, eu sei bem disso.

Patricia – Mas ela acabou comprando uma bolsa e um par de brincos.

Lindos!

Ela comprou também alguns presentes pra levar para as amigas dela na Suíça.

Flávio – E quando é que ela volta pra Suíça.

Patricia – Semana que vem!

Passou muito rápido, né?

Flávio – É. Mas pelo menos vocês conseguiram fazer vários programas.

Acho que ela aproveitou bastante as férias dessa vez.

Patricia – Sem dúvida!

Ela falou pra mim que foi uma das melhores viagens que ela fez.

Agora ela quer que a gente vá visitá-la nas próximas férias.

Eu achei uma ótima idéia.

Flávio – Pode contar comigo!

Patricia – Ela deu uma ótima sugestão: vamos para Suiça e ficamos alguns dias na casa dela.

Ela quer nos levar para conhecer o Centro de Zurich e experimentar os deliciosos chocolates feitos por lá.

Flávio – Que delícia!

Podemos reservar um final de semana para irmos esquiar nos alpes suíços.

Nada mal, não é?

Patricia – Adorei a idéia!

Por mim eu fazia as mala amanhã mesmo!

Mas voltando ao roteiro, da Suiça podemos ir de carro ou de trem até a França, ficamos alguns dias por lá e depois vamos para a Espanha.

Antes de voltarmos para o Brasil, podemos ficar mais alguns dias com ela na Suiça.

Amanhã no trabalho eu monto um roteiro para as nossas férias e faço uma estimativa do custo da viagem.

Tá bom?

Flávio – Tá ótimo.

Vamos jantar?

Patricia – Vamos sim, estou morrendo de fome.

Mairo and Ayla: Londrina

This and all episodes of this podcast are available to study as a lesson on LingQ. Try it here.

Susana speaks with Andreia, a fellow student in a multimedia course, about the city of Setúbal. After finishing a project, they continue their conversation and Andreia speaks about the neighbourhood in which she grew up;a neighbourhood of fishermen on a river. (A Andreia é colega da Susana num curso multimédia que estão ambas a fazer sobre a cidade de Setúbal. Depois de um projecto continuaram a conversar e a Andreia falou do bairro onde nasceu e onde passou a sua infância: um bairro de pescadores, junto ao rio).

Susana: Olá bem vindos a mais um podcast do LingQ.

Eu, há alguns dias, estive a falar com uma colega minha chamada Andreia acerca da sua cidade, acerca de Setúbal.

E nós estivemos a conversar, mas como só tínhamos um microfone e ela é que o tinha, a minha voz ficou-se a ouvir mesmo muito ao fundo, e era mesmo difícil compreender aquilo que eu dizia, por isso….

E eu só reparei, acabei por só reparar nisso quando cheguei a casa e depois tive a ouvir aquilo que tínhamos gravado.

Por isso aquilo que vou fazer neste podcast é repetir por cima, e agora gravando em casa, por isso não reparem quando não ouvirem o barulho de fundo, porque eu gravei com a Andreia nos jardins da Gulbenkian, que são em Lisboa e é um jardim no meio da cidade que tem muito espaço e muitos pássaros, e muito barulho envolvente.

É ao pé do museu de arte moderna, do museu de arte contemporânea, e de vez em quando até passavam aviões, por isso…

Agora em casa, é noite, ninguém está a fazer barulho, por isso não estranhem a diferença de sons.

Bem, eu agora vou introduzir-vos um bocado na conversa, como fiz na altura.

A minha colega Andreia vive em Setúbal, ela é minha colega de um curso multimédia de jornalismo que eu estou a fazer para complementar a minha licenciatura.

Eu estou a acabar a minha licenciatura em jornalismo.

E esse curso que estamos a fazer, esse curso multimédia, tem como objectivo a produção de um site com conteúdos sobre Setúbal.

Então uma das ideias que a gente teve foi fazer uma espécie de sete maravilhas de Setúbal.

Escolhemos sete lugares de Setúbal, depois fizemos uma peça com áudio e com fotografias acerca desses sítios que tínhamos escolhido.

Um deles foi as Fontaínhas, que é um bairro, um bairro de pescadores.

Porque Setúbal é uma cidade à beira-rio, e o rio e a pesca sempre foram actividades que tiveram sempre muito presentes na vida dos setubalenses.

Por isso pensámos que esse bairro típico era uma boa ideia para a gente fazer um trabalho.

A Andreia viveu lá em pequena e foi acerca da sua vida lá em pequena que nós estivemos a conversar.

Andreia : Então queres que eu fale do bairro onde vivi.

Quando eu era miúda viviam muitas crianças no bairro das Fontainhas.

A escola era relativamente perto, nós íamos a pé, íamos sempre em grupo: cinco, seis, sete, dependendo.

O que acontecia é que a Andreia saia de casa, da casa da ama, sozinha, subia aquela rua, subia até à porta do primeiro colega que fazia companhia até à porta do segundo colega, e assim íamos todos em grupo para a escola, o que era muito engraçado porque acabámos por crescer todos juntos.

Éramos da mesma turma.

Íamos e vínhamos da escola (SPEAKING ERROR: the verb IR asks for the preposition PARA and the verb VIR ask for the preposition DE.

So the correct way is: Íamos para a escola e vínhamos da escola or íamos para a escola e vínhamos de lá) uns com os outros… esta parte não ficou muito bem, mas tu percebeste.

Ninguém nos fazia mal, éramos muito unidos.

E o caminho para a escola era sempre recheado de brincadeiras e malandrices: coisas de miúdos!

Então esse bairro foi o bairro onde a minha família se formou, onde se começou a construir, porque a minha mãe nasceu no número oito, eu acho que foi… vou dizer, no número oito do largo das machadas, que é perto de onde para mais tarde foi morar e na altura era um sitio que, como ficava muito perto do rio, era onde os pescadores da altura moravam, porque era muito fácil saírem de casa… era muito fácil, não era fácil, não era uma vida fácil, mas era fácil saírem de casa para ver se o barco estava bem amarrado, para ver se as redes estavam prontas para ir para o mar, para se certificarem de que estava tudo certo.

Porque é o ganha-pão e foi durante muitos anos o ganha-pão daquela gente.

O que havia para comer, o que havia para gastar era o que o mar dava.

E muitas vezes o mar não era generoso.

Susana: Pois.

É que Setúbal é uma cidade à beira rio, à beira do rio Sado.

E apesar de ser uma cidade que está na margem sul do rio Tejo, portanto a trinta, quarenta quilómetros de Lisboa, Setúbal é uma cidade que está à beira do rio Sado.

É uma cidade bonita, que em tempos foi muito pobre, onde só moravam pescadores e operários.

E é mesmo isso que a Andreia disse, a verdade é que o mar tanto podia ser muito generoso, como ser muito pouco generoso.

E aquilo que as pessoas comiam e o dinheiro que as pessoas tinham vinha do mar.

E o bairro das Fontainhas é um bairro no cimo de Setúbal, numa zona alta da cidade, e as casas eram simples e modestas com um, dois andares, mas com dois ou três quartos e ai viviam famílias muito grandes e em condições humildes porque o dinheiro que vinha do mar não era muito e muitas vezes nem dava para viver só com o dinheiro que vinha do mar.

Andreia: No bairro das Fontainhas temos hoje o museu do trabalho que foi há muitos anos uma fábrica de conservas.

A indústria conserveira foi o ganha-pão de muita gente, deu trabalho a muita gente, inclusive algumas tias minhas, também tive tias que trabalharam na indústria conserveira, tias-avós, na altura ganhavam muito pouco, mas era o trabalho que havia.

E não era um trabalho nada fácil: porque meter a mão no peixe e nas escamas e nas espinhas e o peixe muitas vezes ainda vinha gelado, vinha fresco, vinha directamente do rio… E alguém tinha de fazer esse trabalho, salgá-lo, primeiro amanhá-lo, depois salgá-lo, colocá-lo nos sítios certos para depois ser embalado, ser conservado.

Susana: Bem, a conversa com a Andreia demorou mais alguns minutos, mas eu vou deixar o resto da conversa para um segundo podcast que hei-de postar mais ou menos ao mesmo tempo que este.

A verdade é que é importante perceber que Setúbal (em especial o bairro das Fontainhas) foi uma cidade que há cerca de trinta, quarenta anos vivia muito do peixe, mas hoje já não vive tanto dele.

É uma cidade onde já há muito imigrantes, brasileiros, ucranianos, pessoas vindas de leste, e que começaram a ocupar as casas desses pescadores e que as conseguem recuperar e estimar.

E pronto acerca dessas actividades: as pessoas continuam a ter um grande respeito e um grande orgulho por quem viveu do rio e do mar, porque se sabe que foram actividades bastante difíceis.

No próximo podcast com a Andreia vamos ainda falar acerca do miradouro, das vizinhas que são… todos nós temos vizinhas, não é?

Mas as vizinhas portuguesas têm uma característica, não são só as de Setúbal, as vizinhas portuguesas têm uma característica que eu não sei se há em todo o lado.

E vamos também falar de roupa estendida, roupa estendida nas varandas – o que não se vê só em Lisboa.

Talvez também seja uma característica especial dos portugueses.

Não percam o próximo podcast em http://www.portugueselingq.com

Até lá!

Differences Between Portuguese from Portugal and Portuguese from Brazil

This and all episodes of this podcast are available to study as a lesson on LingQ. Try it here.

In this podcast Susana talks about some differences between Portuguese from Portugal and Portuguese from Brazil. (Neste podcast, a Susana fala de algumas diferenças entre o Português de Portugal e o Português do Brasil).

Olá, bem-vindos a mais um podcast do LingQ.

Este podcast vai ser um pouco diferente.

Hoje não tenho ninguém comigo para conversar.

Ainda tentei falar com uma amiga brasileira, mas nesta altura os estudantes têm todos muito trabalho.

A verdade é que vou fazer monólogos para falar de gramática.

É mais simples.

Mas não se preocupem que os diálogos vão manter-se: especialmente para falar de temas relacionados com o quotidiano: férias, restaurantes, desporto, hábitos, etc.

Pois, o tema de hoje é as diferenças entre o português de Portugal e o português do Brasil.

Alguns dos alunos do LingQ têm demonstrado algumas dificuldades em perceber as diferenças e ficaram mesmo confusos acerca disso.

Mas a verdade é que as diferenças não são assim tantas e não é assim tão problemático.

Não façamos uma tempestade num copo de água.

Em primeiro lugar, a principal diferença entre o português de Portugal e o do Brasil é o sotaque.

Os brasileiros falam português talvez de uma forma um pouco mais alegre.

Abrem mais a boca e as sílabas são mais fáceis de perceber.

Eu vou dizer-vos alguns exemplos de como é que os brasileiros pronunciam as palavras.

Na transcrição está escrito como é que se lê, entre parêntesis.

O meu nome é Susana.

(O meu nomi é Susaná)

Eu moro em Portugal.

(eu móro em Portúgau)

Esta é a maneira como se lê em português do Brasil.

Em português de Portugal seria:

O meu nome é Susana

Eu moro em Portugal

Como podem ver, uma das características principais da pronúncia no português do Brasil é que quando as palavras acabam em “L” lêem-se “au”.

E agora vou dizer algumas palavras como os brasileiros: Portugal, legal, banal.

Em português de Portugal seria: Portugal, legal, banal.

Para além disso, também o “de“ se lê de maneira diferente.

Lê-se “dxi/dji”.

Alguns exemplos: saudade, dificuldade, verdade.

Estas diferenças de pronúncia não são importantes e quem está a aprender português não se deve preocupar com isso.

Mas alguns dos alunos do LingQ já deram este erro e este sim é grave.

“as” no fim de algumas palavras, em português do Brasil acrescenta o som de um “i”.

Por exemplo, mas.

Os brasileiros dizem “mas” (mais) e “mais”.

O problema aqui é, se quiser dizer “mas” (but) apesar de oralmente, no Brasil, se dizer “mais”, não pode escrever mais.

A maneira correcta de escrever but em português é “mas”.

“Mais” significa plus, more, etc.

Por isso, os brasileiros dizem: eu gosto de estudar, mas prefiro praia.

E os portugueses dizem: eu gosto de estudar, mas prefiro praia.

Aqui dá para ver que o português de Portugal é mais fechado, parece um pouco mais frio do que o do Brasil.

Outra diferença grande entre os dois tipos de português é o tratamento.

No Brasil, por norma, o outro é tratado por você – apesar de ser a forma formal de tratamento, é usada pelos brasileiros de forma indiscriminada.

No Brasil raramente se usa o “TU”, só em algumas regiões, como por exemplo no Rio Grande do Sul, como o Mairo explicou.

Em Portugal é normal e mais frequente as pessoas se tratarem por “tu”, sendo que o “você” é usado apenas formalmente – em todo o país.

No entanto, há um sítio no Brasil onde se usa a forma tu incorrectamente.

No rio de Janeiro é normal, principalmente entre os jovens, que se diga: “tu vai à praia, hoje?”.

Mas aqui há um erro grave e que não deve ser feito: usar a segunda pessoa do singular, “tu”, e conjugar o verbo na terceira, “vai”, que diz respeito ao ele/ela/você.

A forma correcta seria: “tu vais à praia, hoje?”.

Ou como os portugueses dizem: “tu vais à praia hoje?”

Outra questão que foi colocada nos fóruns do lingq foi a maneira de escrever entre os dois países.

Na verdade, o Brasil aboliu todas as consoantes mortas – que não são pronunciadas – e Portugal não.

A palavra “jacto” é escrita com o “c” antes do “t” em Portugal, mas no Brasil escreve-se sem “c”: “jato”.

O mesmo acontece com “óptimo”/”ótimo”, “exacto”/”exato” e por aí adiante.

Este não é um problema.

A solução é seguir uma ou outra maneira de escrever.

Se escolher escrever como em Portugal terá de o fazer em todas as palavras e não usar uma ou outra forma.

Esta questão deu lugar a uma grande discussão em Portugal e nos outros países de língua portuguesa, e está a ser estudado um acordo ortográfico entre os países.

Este acordo está em vias de ser aplicado e tem suscitado alguns problemas.

Uma das decisões tomadas é abolir, como o Brasil já fez, as consoantes mortas.

Mas esta decisão não é bem aceite pelas comunidades, principalmente em Portugal.

Os portugueses acham que a maneira brasileira não é a melhor e que a língua portuguesa assim vai ser transformada em brasileira.

Portanto ainda não se chegou a um acordo definitivo.

Na literatura, o estilo brasileiro e o português são diferentes em algumas alturas, mas ambos estão correctos (portuguese from Brazil: correto): é apenas uma questão de estilo.

Aconselho-vos a conhecerem as duas maneiras de falar português e que leiam literatura portuguesa oriunda de diversos países.

De Portugal aconselho a que leiam Miguel Sousa Tavares.

O “Equador” é um bom livro sobre as ligações entre Portugal e África.

Literatura portuguesa de Moçambique: aconselho-vos a lerem qualquer um dos livros do Mia Couto.

E autores brasileiros… acho que um bom livro é “o meu pé de laranja lima” do escritor José Mauro de Vasconcelos.

E pronto, espero que não se preocupem muito mais com as diferenças de português de Portugal e o do Brasil.

Se tiverem duvidas e so falarem comigo no fórum.

Eu volto para a semana com mais um podcast de língua portuguesa do LingQ

Tchau!