#1 Morando no Exterior: Desafios e Idiomas (1)

Morar no exterior é o sonho de muita gente, porém sempre existem desafios que podem nos pegar de surpresa – especialmente se não estivermos preparados. Nesta conversa, o Gabriel e o Thiago falam sobre a experiência de morar no exterior, incluindo a experiência de aprender um novo idioma.

Bom dia, meus amigos!

Hoje, vamos falar com um convidado muito especial,

o nome dele é Thiago, ele mora na Itália.

Ele nasceu e cresceu no Brasil, mas depois morou em Dublin também na Irlanda

e acabou se mudando para a Itália, e ainda mora lá.

Vamos falar sobre morar no exterior, sobre se mudar para o exterior,

sobre a cultura local e também sobre idiomas.

Vai ser um bate-papo muito legal e enriquecedor,

especialmente para o pessoal que está querendo, talvez,

se mudar para um outro país no futuro.

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E para quem ainda não conhece o LingQ e está aprendendo um novo idioma,

dê uma olhada, porque vale a pena.

Eu pessoalmente uso o LingQ todos os dias,

já que tem muito conteúdo legal de texto e áudio

ou texto e vídeo sobre vários temas interessantes.

Porque você pode escolher o tema que você quer estudar.

E com o LingQ, é fácil aprender novas palavras,

porque você pode apenas clicar naquelas palavras que você não conhece

para ver a definição e, assim, aprender.

Então, sem mais delongas, vamos falar com o nosso convidado de hoje.

Antes de começar, bom dia, Thiago. Tudo bem com você?

Prazer, prazer.

Eu vou me apresentar, me chamo Thiago Turibio.

Eu moro na Itália já tem um tempinho, desde setembro de 2012 que eu moro aqui.

– Ah, okay. Nove anos? – Já tem um tempinho.

Sim, nove anos.

Vim para cá, com a cara e a coragem, fiz faculdade.

E hoje em dia, ensino italiano na internet para brasileiros.

– Muito bom. – É só um resuminho aí.

Show de bola.

Então, você se mudou para a Itália para fazer a faculdade lá?

Exato, vou contar a história verdadeira.

Essa é a história que eu coloco no currículo, né?

A história real é que antes de vir para a Itália, eu morei em Dublin na Irlanda,

onde eu conheci uma pessoa,

uma menina italiana, que está comigo até hoje, inclusive.

Wow, que legal. Parabéns!

E foi por causa dela que eu vim para a Itália.

Foi por amor, né? Eu vim para a Itália por amor.

Só que eu não queria vir-

Uma história romântica para os nossos ouvintes.

Exato.

Eu não queria vir por vir aqui, eu queria vir-

Claro, ela era a razão principal,

mas eu queria unir o útil e o agradável.

Já que eu queria vir para a Itália para procurar fazer alguma coisa

que agregue algo na minha vida.

Então, eu fui buscar informações sobre como fazer faculdade aqui. Aí… né?

É um processo longo.

Eu comecei a faculdade aqui e tudo mais, aí fui embora, né?

Muito bom, mas o seu sobrenome é italiano. Então, você é descendente?

– Não tenho descendência. – Não?

Não tenho descendência italiana.

Apesar que “Turibio” pode ser que tenha alguma coisa ligada a origens italianas,

só que ninguém da minha família correu atrás.

Tipo assim, eu vim para a Itália não por buscar, por ter descendentes

ou por buscar cidadania, porque a maioria dos brasileiros que vêm para cá

é por causa disso, né? Porque têm descendentes italianos,

então eles vêm para cá para conseguir a cidadania.

No meu caso, foi simplesmente mesmo porque conheci a Kiara, me apaixonei e vim pra cá.

Se ela fosse espanhola, eu teria ido para a Espanha.

Se ela fosse chinesa, eu teria ido para a China.

É isso aí.

Acabou que o destino quis que ela fosse italiana e cá estou eu.

Só que eu não tenho cidadania e nada.

Eu sempre tive visto, visto de estudo nos primeiros cinco anos,

foram cinco vistos de estudos, porque tem que renovar todo ano.

E depois que eu terminei a faculdade, visto de trabalho.

E depois, quando acabou o visto de trabalho, eu peguei uma-

Tipo, é como se fosse uma “cidadania” para uma pessoa que mora aqui há muito tempo já,

para um estrangeiro que mora aqui há muito tempo já.

É uma “carta di soggiorno”.

É como se fosse uma cidadania italiana, mas para uma pessoa que não tem direito

para uma cidadania por sangue, mas tem por tempo de residência,

por tempo de contribuição e tal.

Ah, legal. E aqui na França, é “carte de séjour”.

– Então, é bem parecido. – “Carte de séjour?”

Essas línguas latinas.

Logo antes de começarmos o nosso podcast, batemos um papinho rápido sobre esse tema,

que é super interessante. Porque afinal, como todo mundo sabe,

logicamente, muitos amigos brasileiros querem morar no exterior

e começam a escolher um país, né?

Às vezes, vai ser para os Estados Unidos, vai ser para a Europa.

Logicamente, quem tem uma ascendência de um país europeu pode também batalhar,

buscar a cidadania portuguesa, italiana, espanhola, ou seja lá qual for.

E daí, vem sempre, logicamente, também a questão do idioma.

E isso é uma questão que realmente me fascina,

porque tem muita gente que toma decisões meio interessantes em relação ao idioma,

porque pensa assim,

“Ah não, eu acho que eu vou com a cara e a coragem, aprendo lá mesmo.”

Especialmente o italiano, sendo- Por exemplo, nesse nosso exemplo aqui.

Se você quiser morar na Itália ou Espanha, ou sei lá, talvez na França,

“É um idioma latino, vou mandar ver.”

Eu me mudei para o Canadá com 17 anos, já tinha feito curso de inglês por 6 anos.

Para quem já conhece a minha história, basicamente, eu vim aqui e apanhei ainda

para chegar num nível conversacional, assim, muito bom.

Daí, essa é outra história, mas-

Deixa eu só te interromper um pouquinho, Gabriel.

Essa questão de que você estudou seis anos o inglês antes de ir para o Canadá.

Isso foi a mesma coisa que aconteceu comigo quando eu fui para a Irlanda.

Eu sempre estudei inglês na minha vida, e quando fui para a Irlanda, tinha 18 anos.

Desde pequeno, eu estudei inglês nessas escolas convencionais, né?

Escolas de idiomas.

Eu cheguei lá e sofri, eu não conseguia me comunicar direito.

Eu não conseguia me comunicar.

Já entender o irlandês é difícil, porque eles têm 3 batatas na boca quando falam.

Sim, o sotaque é interessante mesmo.

Mas eu entendia uma coisa ou outra ali, eu entendia o contexto.

Mas responder? Nossa senhora. Travado, travado total.

Eu fui aprender lá, eu aprendi lá.

Sim, exatamente.

Comigo foi a mesma coisa. Então, eu cheguei aqui-

Basicamente, de uma maneira relativa,

por exemplo, eu estava num nível mais alto que os outros brasileiros que vieram.

Isso era inegável, porque, por exemplo, eu já tinha completado o curso e tudo mais.

Até a minha leitura e gramática eram boas,

porque afinal, eu já tinha me dedicado bastante na escola e tudo mais.

Mas na hora de comunicar, para entender o inglês falado?

Nossa, como eu apanhava.

Não quero parecer também que a gente está tentando convencer a todos os brasileiros a

necessariamente aprender o idioma se quiser morar num outro país.

– É muito de cada um, isso. É pessoal. – Muito de cada um, exatamente.

É pessoal, realmente.

Mas eu diria que, inevitavelmente, vale a pena.

E tendo uma grande exposição, é isso o que acontece.

Você vai de pouco em pouco, quase por osmose, absorvendo o idioma.

E é uma coisa tão rica, tão interessante, tão bacana.

Você pega, escuta, aprende aquilo.

Depois de umas três vezes que você escutou, você já sabe usar.

E é um processo tão natural, tão bonito, de aprender o idioma e entrar na cultura.

Thiago, você tem alguma história engraçada sobre-

– Da língua italiana? – Sobre o italiano?

Tenho, tenho algumas.

Mas tipo assim, quando eu cheguei aqui bem no início mesmo,

acho que era a primeira semana, eu arrumei um biquinho em uma cafeteria.

Aí, eu estava conversando com o dono da cafeteria.

Aí, ele me pediu para ir no supermercado comprar “patatine.”

Ele me falou, “Vá no mercado comprar ‘patatine’.”

Depois, eu vou falar o que significa “patatine.”

Eu pensei, “Caramba, ‘patatine’?”

“Sei que ‘batata’ em italiano é ‘patata’, mas por que ele falou ‘patatine’?”

Associei “patatine” com a palavra “patata”, que eu já conhecia como “batata”,

porque só muda uma letra para o português.

Aí, o que eu fiz? “Nossa, meu.”

“É uma cafeteria, ele não vai querer batata para servir pros clientes, né?”

Fui no mercado já meio, “O que deve ser esse negócio?”

Aí, rodei o mercado todinho até achar. “Meu, vou achar o nome escrito, patatine.”

Porque o legal da língua italiana é que eles falam realmente como escreve, né?

– Eles falam cada sílaba. – Sim, é que nem o Francês.

Exato.

Então, se você está numa dúvida, você consegue se você lembrar o sonzinho,

se você souber o sonzinho de todas as sílabas em italiano,

você consegue meio que imaginar como a palavra é escrita.

Então, fui no mercado e fui procurando essa palavra.

Fui procurando a palavra ‘patatine’ em todos os repartes do supermercado.

Até que me deparei no reparte de…

“Salgadinhos.”

Eu pensei, “Pelo amor de Deus. ‘Patatine’ é ‘salgadinhos’ em italiano.”

Eu não sabia, nunca mais esqueci.

Muito bom.

Bem, na minha cabeça, veio “batatinha.” Né? Porque ‘patatine’ é-

É, ‘patatine’ seria-

É, eu imaginei, “Não é uma batata pequena?”

Porque em ‘patatine’, o sufixo ‘ine’ é diminutivo em italiano,

seria “inho” ou inha.”

Só que no caso, não era. Era “salgadinho”, né?

Era “salgadinho”, não era uma “batatinha pequena.”

Muito bom, muito bom.

Mas você tem alguma história, por exemplo, de um momento mais constrangedor

por não saber o idioma ou algo assim?

Porque também tem muita gente que fala-

Uma pergunta que me fazem com frequência, especialmente para o brasileiro

que quer sair, que quer morar no exterior,

“Você já teve um momento constrangedor quando falava o idioma?”

Bom, já que eu falava, mesmo que apanhando um pouco para me comunicar e tudo mais,

eu não lembro de ter tido muitos momentos tão constrangedores.

Tive sorte de também nunca me sentir, por exemplo, discriminado aqui no Canadá.

O canadense é geralmente bem tranquilo, tranquilão assim, sabe?

Especialmente porque fiz amizades aqui.

Então, tem muita gente que me pergunta,

“Gabriel, você já teve situações constrangedoras?”

“Você já sentiu discriminação?”

– E com você, Thiago? – Em relação a discriminação, nunca.

Nem na Irlanda, nem na Itália.

Graças a Deus, até porque eu não saberia qual seria a minha reação.

Mas nunca aconteceu, menos mal.

– Menos mal, com certeza. – Exato.

Mas em relação de uma situação constrangedora, aconteceu já.

Tipo, na faculdade.

Aqui na Itália, a gente faz prova escrita e depois uma prova oral da mesma matéria.

E o que acontece aqui? Eu fazia as provas escritas e tal,

e quando chegava na prova oral, eu tinha que falar tête-à-tête com o professor.

Só que quando falamos com um professor, com uma pessoa idosa, com o seu chefe,

a gente tem que usar o italiano formal.

E eu não sabia usar o italiano formal.

Então, eu falava de uma maneira informal com os meus professores.

Alguns deixaram passar, porque viam que eu era estrangeiro.

Mas teve um que chamou a minha atenção na frente de todo mundo

e foi bem constrangedor.

Teve um que chamou a minha atenção, ele falou algo assim,

“Com um professor, se usa o italiano formal.”

Ele falou assim, “[???] a um professor.”

“Mi scusi! Mi scusi!”

Foi bem constrangedor. E depois dessa-

Porque na minha cabeça,

“Ah, eu já sei falar italiano aqui com meus amigos e tal, já estou mandando bem.”

Só que também, faltava uma coisinha.

Se fosse para viver, para o dia-a-dia, para o cotidiano, okay.

Mas num contexto mais sério, como numa faculdade, não estava okay.

Precisava de mais, não estava okay o que eu já sabia.

Foi aí que acendeu a luzinha,

“É, eu acho que vou ter que aprender a usar esse formal,

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